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Kambaku

Reintrodução bem-sucedida faz população de girafas ultrapassar as mil em Moçambique

Jul 22, 2025 |

Após décadas de extinção local, as girafas voltaram a Moçambique e agora fazem-no em número crescente. Um novo relatório da Giraffe Conservation Foundation revela que o país passou de zero girafas nos anos 90 para mais de mil indivíduos em 2025.

De acordo com o State of Giraffe 2025, a população cresceu 343% apenas nos últimos cinco anos, consolidando Moçambique como um caso exemplar no panorama da conservação africana.

A guerra civil moçambicana (1977–1992) teve um impacto devastador sobre a fauna do país, levando à extinção local da girafa-do-sul (Giraffa giraffa). No entanto, graças a reintroduções criteriosas iniciadas após 1995, foi possível restabelecer a espécie em vários pontos estratégicos.

Em 2015, a população estimava-se em 150 indivíduos, crescendo para 250 em 2020. Em 2025, estima-se agora entre 808 e 1.609 girafas no território nacional, com uma média provável de 1.108 animais.

O Parque Nacional do Limpopo, integrado na Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo, acolhe actualmente a maior concentração — cerca de 324 girafas, correspondendo a 29% do total. Este parque beneficia ainda de alguma migração natural de girafas provenientes do vizinho Parque Nacional do Kruger, na África do Sul.

Outras populações significativas localizam-se no Parque Nacional de Maputo, com 245 indivíduos (22%), e na Reserva de Caça de Karingani, onde vivem 189 girafas (17%), esta última também beneficiando da proximidade do Kruger.

Estes resultados são fruto da colaboração entre a Giraffe Conservation Foundation (GCF), a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), a Peace Parks Foundation, a Corebiom e a Wings for Conservation. A parceria tem vindo a reforçar os esforços de monitorização aérea, permitindo avaliar a evolução da população e planear medidas futuras de gestão sustentável.

Como destaca a revista científica Science, a nível continental, o relatório indica que as quatro grandes populações de girafas em África estão a mostrar sinais de recuperação, com aumentos populacionais consideráveis nos últimos cinco anos. Contudo, algumas subespécies continuam em situação crítica. A GCF defende que, apesar dos progressos, muitas populações devem ser ainda classificadas como “em perigo”, para que os esforços de protecção não sejam desvalorizados prematuramente.

O maior aumento populacional foi registado na girafa-do-sul (Giraffa giraffa), presente em várias regiões da África Austral. Desde 2020, a sua população cresceu 49%, atingindo os 68.837 indivíduos — mais do dobro do número contabilizado em 1995.

Segundo o relatório, este crescimento deve-se a vários factores, entre os quais se destacam a melhoria das técnicas de monitorização, o reforço dos programas de conservação e o sucesso da reintrodução da espécie em Moçambique, onde se encontrava extinta.

O documento preparado pela Giraffe Conservation Foundation recomenda ainda que o risco de extinção da girafa-do-sul seja actualmente classificado como de “menor preocupação”, elevando assim a situação desta subespécie existente também em Moçambique.

Em Moçambique, os dados mais recentes validam o investimento feito na reintrodução da girafa-do-sul. Com uma trajectória ascendente consistente e programas de monitorização em curso, o país posiciona-se agora como um exemplo de sucesso na reconquista da biodiversidade perdida.

Foto: Wings for Conservation

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