Set 15, 2025 |
O Governo de São Tomé e Príncipe criou oito novas áreas marinhas protegidas, num total de 93 quilómetros quadrados, para recuperar ecossistemas e travar perdas de biodiversidade.
A decisão foi apresentada pela ministra do Ambiente, Juventude e Turismo Sustentável, Nilda Borges, tratando-se da primeira rede oficial de áreas marinhas protegidas (AMP) do arquipélago, distribuídas por seis zonas na ilha do Príncipe e duas em São Tomé.
Segundo o executivo, a medida constitui um passo fundamental para o compromisso internacional de proteger 30% da terra e do mar até 2030. Algumas das zonas terão restrições totais à pesca e à recolha de recursos, enquanto outras permitirão a actividade artesanal com artes legais.
Entre os beneficiários directos encontram-se espécies vulneráveis como raias-manta, tubarões e tartarugas marinhas, sendo que algumas praias de desova passam a estar incluídas nas áreas protegidas. A expectativa é que a recuperação dos habitats permita também o aumento das populações de peixe, que poderão voltar a sustentar as comunidades costeiras, hoje afectadas pela sobrepesca e pelos impactos das alterações climáticas.
Segundo a Fauna & Flora, José Pires Gomes, pescador da comunidade da Terra Prometida, na ilha do Príncipe, considera que a iniciativa é decisiva: “a área protegida é muito importante porque, se for protegida, os peixes reproduzem-se e ninguém consegue entrar. Quando os peixes se reproduzem, começam a espalhar-se para outras áreas. É uma iniciativa muito importante”, garante.
A criação destas AMP resulta de um processo iniciado em 2018, conduzido pelo Governo de São Tomé e Príncipe em colaboração com a Fauna & Flora e organizações locais como a portuguesa Oikos, a Marapa e a Fundação Príncipe. Foram envolvidas 41 comunidades em mais de duas centenas de encontros e consultas.
Para reduzir o impacto económico imediato sobre os pescadores, estão a ser apoiados pequenos negócios alternativos, incluindo actividades como panificação, produção de sabão, costura e cabeleireiro, além de formações em práticas de pesca mais sustentáveis.
O projecto “Rede de Áreas Marinhas Protegidas de STP” é desenvolvido em parceria com diversas entidades nacionais e internacionais, contando com o financiamento do Blue Action Fund, Oceans 5, Rainforest Trust, Bohemian Foundation e Arcadia.
Foto: Fauna & Flora




