Out 28, 2025 |
Um estudo pioneiro revela uma nova forma de acompanhar um dos maiores fenómenos naturais do planeta, combinando tecnologia espacial e biologia da conservação.
A migração anual de milhares de gnus e zebras, que atravessa as planícies do Serengeti e do Masai Mara, é agora observada a partir do espaço graças a uma inovadora combinação de imagens de satélite e inteligência artificial. O método poderá transformar a forma como se monitoriza a vida selvagem em África e noutros ecossistemas do mundo, de acordo com o The Conversation.
Uma equipa internacional de investigadores da Universidade de Princeton, da Universidade de Oxford e da Universidade de Twente decidiu testar uma abordagem diferente: utilizar satélites de alta resolução e modelos de aprendizagem profunda para detectar e contar gnus a partir do espaço. As imagens, captadas entre 2022 e 2023, cobriram mais de quatro mil quilómetros quadrados do Serengeti-Mara. O estudo, publicado a 20 de Outubro de 2025, é assinado por Isla C. Duporge, Daniel Rubenstein, David Macdonald e Tiejun Wang.
Os cientistas aplicaram dois modelos de inteligência artificial complementares – o U-Net, baseado em pixels, e o YOLO, centrado em objectos – para identificar os animais nas fotografias. A combinação permitiu reduzir erros e validar resultados de forma cruzada.
Em ambas as campanhas, foram detectados menos de 600 mil gnus durante a estação seca, números inferiores aos obtidos por levantamentos aéreos, mas ainda assim representativos de uma estimativa sólida e inovadora.
Os investigadores sublinham que o novo método não substitui as contagens tradicionais, mas complementa-as, oferecendo uma visão mais ampla e instantânea das populações migratórias. A próxima etapa será coordenar levantamentos aéreos e satelitais em simultâneo, de modo a aperfeiçoar as estimativas.
Apesar dos custos e das limitações causadas por nuvens ou sombras, as vantagens são evidentes: as imagens espaciais cobrem áreas imensas num único instante, eliminando grande parte da incerteza associada a extrapolações locais.
Com o lançamento de novos satélites de altíssima resolução, a monitorização da fauna aproxima-se cada vez mais da observação em tempo real. Além das contagens populacionais, esta tecnologia abre caminho a novas áreas de investigação, permitindo estudar a forma como os animais se movem em grupo e como esses comportamentos colectivos moldam os ecossistemas.
Todos os anos, mais de um milhão de gnus, acompanhados por zebras e gazelas, percorrem entre 800 e 1.000 quilómetros em busca de pastos frescos após as chuvas. Este movimento cíclico sustenta o equilíbrio ecológico do Serengeti-Mara, alimentando predadores, fertilizando solos e mantendo a produtividade das pradarias de que dependem inúmeras espécies e comunidades humanas.
Foto: fineartamerica.com




