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Kambaku

Susana Carvalho assume direcção científica do Parque Nacional da Gorongosa

Jun 8, 2026 |

A paleoantropóloga Susana Carvalho foi nomeada Directora de Ciência do Parque Nacional da Gorongosa sucedendo ao falecido Dr. Marc Stalmans após ocupar o cargo de directora interina desde Agosto de 2025.

Em comunicado enviado à KAMBAKU, o Parque Nacional da Gorongosa (PNG) explica que Susana Carvalho tem um percurso académico e científico ligado à paleoantropologia, primatologia e arqueologia, somando cerca de duas décadas de investigação em África, onze das quais desenvolvidas na Gorongosa. Antes de se dedicar em exclusivo ao parque, foi professora de Paleoantropologia na Universidade de Oxford.

Formada em Arqueologia pela Universidade do Porto, concluiu o mestrado em Evolução Humana na Universidade de Coimbra e doutorou-se em Antropologia Biológica na Universidade de Cambridge. Ao longo da carreira, assinou uma centena de artigos científicos com revisão por pares e recebeu distinções como o Prémio Philip Leverhulme, em 2016, e a Bolsa de Meio de Carreira da Academia Britânica, em 2021.

No Parque Nacional da Gorongosa, a investigadora esteve à frente de várias iniciativas científicas, entre elas o Projecto Paleo-Primata, desenvolvido entre 2016 e 2025. O programa reuniu cerca de 40 investigadores de diferentes países e contribuiu para aprofundar o conhecimento sobre as origens, a ecologia e o comportamento dos primatas, além de impulsionar novas descobertas fósseis e estudos sobre evolução em Moçambique.

A componente de formação também marca o seu trajecto. Em 2018, Susana Carvalho criou a Escola de Campo Interdisciplinar da Gorongosa, que já formou perto de 100 estudantes, metade dos quais moçambicanos. O modelo adoptado procurou assegurar equilíbrio entre alunos nacionais e estrangeiros, promovendo igualmente trabalho conjunto entre participantes de diferentes origens académicas e geográficas.

Entre 2016 e 2025, orientou 11 doutorandos e 15 estudantes de mestrado. Actualmente, acompanha oito jovens investigadores moçambicanos, incluindo quatro bolseiros em programas de pós-graduação na Europa. Segundo o comunicado, alguns destes estudantes são pioneiros nas suas áreas, como é o caso do primeiro primatologista moçambicano.

Os orientandos da cientista participaram também na produção científica associada à Gorongosa, sendo autores ou co-autores de cerca de 30 artigos revistos por pares. Desde 2018, foram ainda concluídas 24 teses e dissertações relacionadas com investigação feita no parque, num esforço apoiado por financiamento de instituições como a Academia Britânica e a Fundação Leakey.

O Projecto de Restauração da Gorongosa destaca que a ciência continua a ser um dos pilares da recuperação do ecossistema. O Laboratório de Biodiversidade E.O. Wilson, inaugurado em Março de 2014, consolidou o parque como um centro de investigação de referência na África Austral, acolhendo estudos conduzidos por cientistas de mais de 70 instituições.

A presidente do Projecto de Restauração da Gorongosa, Aurora Malene, sublinha o perfil científico e humano da nova responsável garantindo que “a Professora Susana Carvalho traz uma liderança científica excecional, um profundo compromisso com Moçambique e uma comprovada capacidade de ligar a investigação, a educação e a conservação. O seu trabalho reflete a própria essência daquilo que a Gorongosa representa: a ciência ao serviço das pessoas e da natureza”.

Foto: PNG

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