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Maior migração de mamíferos terrestres do mundo confirmada no Sudão do Sul

Jul 2, 2024 | Uma pesquisa aérea recente confirmou a maior migração de mamíferos terrestres do mundo, abrangendo uma área de 122.774 km² de paisagem contígua no Sudão do Sul. Conhecida como a Paisagem Boma Badingilo Jonglei (BBJL), a região inclui todo o habitat conhecido das quatro principais espécies de antílopes migratórios daquele ecossistema. As estimativas indicam que a BBJL contém a maior população de antílopes migratórios da Terra, incluindo o Kob de Orelhas Brancas, o Damalisco Tiang, a Gazela de Mongalla e a Redunca ou Chango de Bohor. No total, estas quatro espécies totalizam aproximadamente seis milhões (5.896.373 ± 909.495) de antílopes individuais. O levantamento foi realizado pela African Parks em parceria com o Ministério de Conservação da Vida Selvagem e Turismo do Sudão do Sul (Wildlife Generation SSD), com o apoio do The Wilderness Project. Para executar esta pesquisa, foram utilizadas, segundo a African Parks, duas aeronaves equipadas com câmaras capturaram mais de 330.000 imagens ao longo do período de levantamento. Uma equipa de sete graduados da Universidade de Juba, treinada em software especializado, analisou meticulosamente 59.718 fotografias ao longo de 64 transectos, documentando a presença de vida selvagem. Dados colectados de 251 colares de rastreamento, anexados a grandes mamíferos, também foram integrados à avaliação, proporcionando uma compreensão holística da dinâmica ecológica da região. Apesar do grande número de animais selvagens, o notável patrimônio natural do Sudão do Sul enfrenta uma vulnerabilidade significativa. A exploração descontrolada deste recurso pode desencadear o colapso dos padrões migratórios, da integridade ecológica e dos meios de subsistência que dependem deles. Os resultados da pesquisa permitiram à equipa comparar os achados com levantamentos realizados na década de 1980. A comparação mostrou que houve declínios significativos na maioria das espécies sedentárias, que não exibem um padrão migratório, incluindo elefantes, facoceros, chitas e búfalos. Fotos e vídeo: Marcus Westberg/African Parks

African Parks reintroduz 120 rinocerontes brancos em reservas do Greater Kruger

Jun 11, 2024 | A African Parks reitroduziu 120 rinocerontes brancos do sul nas reservas que integram a Greater Kruger Environmental Protection Foundation (GKEPF) nas províncias sul-africanas de Mpumalanga e Limpopo. Esta translocação é a segunda a ocorrer sob a iniciativa Rhino Rewild, um plano ambicioso para reintroduzir 2.000 rinocerontes brancos do sul em áreas protegidas seguras em África ao longo da próxima década, e marca a primeira reintrodução de rinocerontes nesta paisagem em 50 anos. A GKEPF foi estabelecida em 2016 como resposta ao aumento da caça furtiva de rinocerontes no Greater Kruger. Actualmente, a área abriga a maior população de rinocerontes selvagens do mundo, abrangendo 2,5 milhões de hectares de natureza selvagem não cercada. A transferência destes 120 rinocerontes para serem reintegrados ocorre num momento em que as taxas de caça furtiva nas reservas da GKEPF diminuíram significativamente, indicando a eficácia das medidas de segurança e anti-caça furtiva. De acordo com nota da African Parks, a segurança destes rinocerontes translocados está em primeiro plano para todos os envolvidos, e os riscos foram bem calculados. Os rinocerontes chegam desgalhados, monitorados individualmente e entram num sistema de protecção bem interligado. Estes 120 rinocerontes brancos do sul vêm dos 2.000 resgatados no ano passado de um empreendimento comercial privado falido na África do Sul. A African Parks tem o objectivo de  reintroduzir todos estes animais em áreas protegidas bem administradas e seguras e contribuir para ecossistemas selvagens e funcionais ao longo da próxima década. Fotos: African Parks

Segundo grupo de girafas reintroduzido no Parque Nacional do Iona

Mai 28, 2024 | O parque angolano de Iona recebeu um novo grupo de girafas reintroduzindo com sucesso 13 novos animais como parte de uma iniciativa contínua de conservação destinada a restaurar a biodiversidade deste ecossistema. Esta é a segunda reintrodução de girafas angolanas após uma ausência de mais de um século. Tal como conta a Africa Geographic, quando as girafas angolanas regressaram ao Parque Nacional do Iona, em Angola, no ano passado, foi apenas o início de um compromisso duradouro com a conservação de espécies pela Giraffe Conservation Foundation, African Parks e o Governo de Angola, que se uniram para trazer de volta as girafas angolanas após uma longa ausência. Esta semana, mais 13 girafas fizeram a longa jornada do centro da Namíbia até ao Parque Nacional do Iona, no sudoeste de Angola. A Giraffe Conservation Foundation e a African Parks patrocinaram esta épica transferência. A libertação das 13 girafas foi testemunhada pelo Presidente João Lourenço de Angola e uma delegação ministerial de alto nível composta por mais de 16 ministros, o governador da Província do Namibe de Angola, autoridades tradicionais e outros dignitários. Após a captura na Namíbia, as girafas viajaram mais de 1.300 km numa jornada que durou mais de 48 horas antes de serem libertadas com sucesso no Iona. A translocação do ano passado foi bem-sucedida, com as girafas introduzidas adaptando-se bem ao seu novo lar. Para reforçar esta pequena população e ajudar na sua viabilidade a longo prazo, decidiu-se trazer mais girafas para ajudar a restaurar os processos ecológicos da região. “A chegada em segurança destas girafas à sua área histórica de origem é mais um passo fundamental no restabelecimento do equilíbrio ecológico dos Parques Nacionais do Iona. O êxito da sua libertação tem um enorme potencial para influenciar positivamente o sector do turismo local. Isto, por sua vez, poderá gerar empregos em serviços relacionados com o turismo, aumentar o rendimento das comunidades locais e sensibilizar para a importância da preservação da biodiversidade”, comentou Augusto Archer de Sousa Mangueira, governador da província angolana do Namibe. “A reintrodução da girafa angolana no Parque Nacional do Iona, em Angola, no ano passado, foi um feito extraordinário e constitui uma verdadeira história de sucesso em matéria de conservação. Ao reintroduzir a girafa na sua área de distribuição histórica, restabelecemos a sua área de distribuição, asseguramos a sua sobrevivência a longo prazo e contribuímos para restaurar o equilíbrio ecológico na região. Estamos entusiasmados por continuar a nossa colaboração com a African Parks e o governo angolano, que são grandes parceiros nestes esforços de conservação. Juntos, podemos fazer uma diferença real”, disse Stephanie Fennessy, directora executiva e co-fundadora da Giraffe Conservation Foundation. Fotos: Giraffe Conservation Foundation

African Parks doa primeiros 40 dos 2000 rinocerontes que pretende reintroduzir em todo o continente

Mai 21, 2024 | A African Parks deu início à fase de reindrodução do ambicioso plano “Rhino Rewild”, um projecto que visa reintroduzir 2.000 rinocerontes-brancos do sul em áreas protegidas e seguras em África nos próximos dez anos. O primeiro passo desta iniciativa continental, e que poderá incluir Moçambique, foi a doação de 40 rinocerontes-brancos ao Munywana Conservancy, em Zululândia, KwaZulu-Natal, África do Sul, como apoio aos bem-sucedidos esforços de conservação e comunitários desta área protegida localizada junto ao iSimangaliso Wetland Park. De acordo com um comunicado enviado pela African Parks, esta primeira translocação de um total de 2.000 animais adquiridos em 2023 à polémica Platinium Rhino, foi realizada pela African Parks em parceria com a &Beyond Phinda, a Conservation Solutions e a WeWild Africa, com o apoio financeiro da The Aspinall Foundation e do The Wildlife Emergency Fund. Em setembro de 2023, a African Parks adquiriu a maior operação de reprodução de rinocerontes em cativeiro do mundo, que enfrentava um colapso financeiro. O principal objectivo da iniciativa é reintroduzir todos os rinocerontes em áreas protegidas bem geridas e seguras, estabelecendo ou suplementando populações estratégicas, ajudando assim a reduzir o risco futuro para a espécie. Para garantir o sucesso desta translocação, a condição corporal dos animais e a adaptação a parasitas serão monitoradas de perto enquanto se ajustam ao novo ambiente. Além disso, a Conservancy implementará medidas intensivas de protecção para garantir a segurança dos 40 rinocerontes desprovidos de chifres. Os rinocerontes-brancos como espécie estão sob extrema pressão devido à caça furtiva e à perda de habitat, e por isso a necessidade de áreas bem protegidas para que possam prosperar. Enquanto os rinocerontes-brancos do sul atingiram um ponto mínimo de 30 a 40 animais na década de 1930, medidas de conservação eficazes aumentaram a população para aproximadamente 20.000 indivíduos em 2012. No entanto, o aumento dramático da caça furtiva reduziu os seus números para cerca de 16.000 actualmente. Os rinocerontes-brancos são mega-herbívoros importantes na formação das savanas, que armazenam aproximadamente 30% do carbono terrestre do mundo. Onde os rinocerontes estão presentes, há um aumento tanto na flora quanto na fauna; e populações selvagens de rinocerontes são indicadoras de renovação dos ecossistemas. “O cerne da solução, e o sucesso final da reintrodução destes 2.000 rinocerontes, reside na existência de áreas seguras, bem protegidas e efectivamente geridas em toda a África, das quais o Munywana Conservancy é um excelente exemplo,” disse Peter Fearnhead, CEO da African Parks, uma organização que gere 22 áreas protegidas em parceria com governos e comunidades em 12 países. “O Rhino Rewild é um dos nossos empreendimentos mais ambiciosos até hoje, onde, em parceria com uma multitude de organizações governamentais, de conservação e comunitárias, e financiadores chave, temos a rara oportunidade de ajudar a reduzir o risco de uma espécie, e no processo, ajudar a proteger algumas das áreas de conservação mais críticas não apenas na África, mas no mundo.” O Rhino Rewild é uma iniciativa de 10 anos da African Parks para resgatar e reintroduzir 2.000 rinocerontes-brancos do sul e renovar os habitats que eles requerem. Os financiadores iniciais do Rhino Rewild incluem a Rob Walton Foundation, a Pershing Square Foundation, WeWild Africa, The Aspinall Foundation e The Wildlife Emergency Fund. Fotos: African Parks

African Parks reforça programa de marcação de tartarugas no Bazaruto

Abr 23, 2024 | A equipa de conservação do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto voltou ao terreno para a marcação de tartarugas com transmissores para estudar a forma como estes animais se movem nos oceanos relativamente às áreas de pesca. A captura de tartarugas em redes de pesca é um dos principais tipos de conflito entre humanos e vida selvagem na área protegida. Esta prática é prejudicial de várias formas. Segundo a African Parks, os pescadores precisam de retirar até 20 tartarugas de uma única rede – uma tarefa exaustiva considerando que uma única tartaruga verde pode pesar até 150 kg. Além disso, as redes são destruídas no processo, e os animais podem morrer afogados se não forem liberados rapidamente. Em colaboração com pescadores locais, a equipe do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto marcou as três espécies de tartarugas mais frequentes – tartarugas verdes (chelonia mydas), algumas tartarugas-cabeçudas (caretta caretta) e uma tartaruga-de-pente (eretmochelys imbricata). Foram marcadas mais de 40 tartarugas no total, utilizando uma combinação de etiquetas de satélite, acústicas e de barbatana. Como explica a ONG “embora pareçam um pouco volumosas, estas etiquetas garantem uma interferência mínima nos comportamentos naturais das tartarugas. São fixadas de forma segura com epóxi, fibra de vidro e massa de aço e fornecem informações pormenorizadas de curto prazo (etiquetas de satélite), bem como sinais de uma década (etiquetas acústicas e de barbatanas), que ajudam a traçar um quadro pormenorizado dos habitats e comportamentos das tartarugas e, em última análise, informam as decisões de gestão”, explica. O Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto foi a primeira área de conservação marinha criada em Moçambique, em 1971. Localiza-se ao longo da costa dos distritos de Vilankulo e Inhassoro, na província de Inhambane, abrangendo as ilhas de Bazaruto, Benguerra, Magaruque, Santa Carolina e Bangué. O Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto é o único lugar conhecido no oeste do Oceano Índico onde todas as cinco espécies de tartarugas residentes na região fazem ninhos. A African Parks gere o Arquipélago de Bazaruto em parceria com o Governo de Moçambique desde 2017. O Bazaruto é o primeiro parque marinho a ser gerido pela African Parks. Abrange uma área de 1.430 km² de paisagem marítima produtiva, conectada por uma cadeia de cinco ilhas e alberga a maior população viável de dugongos da costa oriental de África. Fotos e Vídeos: African Parks

Operação confisca e devolve ao oceano 220 kg de Pepinos-do-Mar no Bazaruto

Abr 2, 2024 | Uma acção da African Parks e da ANAC confiscou uma enorme quantidade de Pepinos-do-Mar, espécie próxima às Estrelas do Mar, que tinham como destino o mercado ilegal de animais selvagens. Uns impressionantes 220 kg destes animais foram depois devolvidos ao oceano no Arquipélago do Bazaruto. Os Pepinos-do-Mar, que foram confiscados nas águas do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto nos meses de Janeiro e Fevereiro, como conta a African Parks, desempenham um papel fundamental na estabilização dos ecossistemas marinhos, alimentando-se ao longo do fundo do oceano e filtrando poluentes da água. Apesar de serem parentes das Estrelas-do-Mar, estes invertebrados muitas vezes são subestimados no seu papel ecológico vital. Estes animais marinhos são principalmente comercializados para países da Ásia, onde há uma demanda crescente, onde são vistos como uma iguaria culinária ou onde são consumidos para fins medicinais. No Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, gerido pela African Parks em parceria com a Administração Nacional de Áreas de Conservação (ANAC) desde 2017, a conservação das espécies marinhas é uma prioridade. O parque é um dos santuários marinhos mais importantes ao longo da costa leste da África, abrigando uma variedade de habitats críticos para muitas espécies raras e endémicas. Destaca-se que o Arquipélago de Bazaruto é o único lugar conhecido no oeste do Oceano Índico onde todas as cinco espécies de tartarugas residentes na região fazem os seus ninhos. Além disso, é o lar da última população viável de dugongo do leste africano, uma espécie ameaçada. Entre os habitantes marinhos do parque, estão pelo menos quatro espécies de pepinos-do-mar, todas elas protegidas. Fotos: African Parks

Nova tecnologia em sistema de localização reforça programas de conservação de girafas

Jan 17, 2024 | Uma nova tecnologia de colocação de localizadores está a aumentar a esperança da comunidade científica nos esforços de conservação de uma espécie tão carismática como a girafa. É reconhecido pela comunidade científica e da conservação africanas que as girafas são animais notoriamente difíceis de rastrear. Contudo, um grupo de cientistas está a utilizar uma nova tecnologia que promete resolver um problema na colocação de dispositivos de detecção e que será um passo determinante para proteger esta espécie numa altura em que as suas populações declinam em todo o continente africano. A Smithsonian Magazine fala mesmo de uma “extinção silenciosa” – assim chamada porque a girafa recebe menos atenção em comparação com a situação de outras espécies como os elefantes ou os rinocerontes. Nas últimas décadas, a expansão rápida da agricultura e das comunidades humanas em todo o continente tem destruído ou fragmentado extensas áreas da savana, resultando numa queda de 40% nas quatro espécies de girafas desde 1985. As girafas Núbias, uma subespécie criticamente ameaçada do Sudão do Sul, Etiópia, Uganda e Quénia, perderam aproximadamente 95% de sua população, restando talvez 3.000 animais. Perante esta situação crítica, a Giraffe Conservation Foundation (GCF) e a African Parks (AP) criaram um grupo de conservação para gerir os Parques Nacionais de Badingilo e Boma – ambos redutos das girafas Núbias – com o objectivo de rastrear, estudar e proteger estes animais. No entanto, rastrear girafas apresenta um desafio de design muito difícil. As coleiras de GPS geralmente são colocadas no pescoço dos animais, mas os pescoços das girafas, que têm seis metros de comprimento, são finos em cima e grossos em baixo, não sendo adequados para coleiras. Os dispositivos escorregam quando o animal abaixa a cabeça, causando desconforto ou arriscando a perda da coleira. Nos últimos dois anos, no entanto, avanços tecnológicos reduziram os rastreadores a um tamanho suficientemente pequeno para serem amarrados na ponta da cauda ou na orelha. As novas etiquetas são alimentadas por energia solar, menos intrusivas e, com sorte, devem durar um ano ou mais. Como conta a mesma organização, membros da African Parks sobrevoaram Badingilo e Boma de helicóptero e prenderam rastreadores a girafas Núbias. Os dados colectados ajudarão a identificar habitats-chave e rotas preferidas dentro dos 7,4 milhões de acres combinados de áreas húmidas e savana dos parques, potencialmente impulsionando a sua expansão e indicando onde patrulhas extras para limitar a caça ilegal ou educação comunitária para incentivar o envolvimento local na conservação podem salvar vidas de girafas. Foto: Smithsonian

Angola aposta na translocação de girafas e outros animais para recuperar Parque Nacional do Iona

Dez 10, 2023 | A African Parks e a Giraffe Conservation Foundation estão a implementar um plano de reintrodução de girafas no Parque Nacional do Iona, em Angola e para isso translocou a primeira manada que agora se encontra numa fase delicada de adaptação ao novo habitat. De acordo com nota da African Parks, essa transferência, que aconteceu há cerca de três meses, os mais críticos do período de adaptação, levou a reintrodução de um total de 14 girafas angolanas, tendo a maioria conseguido sobreviver à mudança. As girafas, provenientes de uma fazenda de caça privada na Namíbia, têm idades entre 3 e 5 anos, para que não fossem muito altas para o transporte. As girafas enfrentaram uma jornada de 36 horas até ao Parque Nacional de Iona. Infelizmente, nas primeiras semanas de agosto, três das girafas haviam morrido. As condições em torno das mortes foram avaliadas, e embora não tenha sido possível determinar uma causa específica, concluiu-se que as mortes foram naturais, sem influência humana. Uma segunda translocação de girafas está agora a ser planeada para o primeiro semestre de 2024. Futuramente, espera-se que Iona receba reintroduções de rinocerontes-negros, leões e até mesmo elefantes, visando restaurar este parque no deserto e devolver o seu antigo esplendor. O Parque Nacional de Iona emerge, assim, da sua quase destruição devido a décadas de conflitos tornando-se, assim, lar de espécies há muito perdidas neste valioso ecossistema graças a uma abordagem bem sucedida de gestão do parque que inclui o envolvimento das comunidades locais. Iona, localizado no sudoeste da África, encontra-se no deserto mais antigo do mundo, o Namibe, mais associado ao país vizinho, a Namíbia. O parque é a área protegida mais antiga e uma das maiores de Angola, com 15.150 km2, abrangendo paisagens diversas, desde dunas à beira do Oceano Atlântico até montanhas da Zona Sul, elevando-se a mais de 2.000 metros. Declarada área protegida em 1937 e designada Parque Nacional de Iona em 1964, enfrentou quatro décadas de conflitos devido à Guerra de Independência e guerra civil. Contudo, desde a chegada da paz a Angola em 2002, as comunidades locais começaram a regressar às suas terras, e esforços para restabelecer no país as suas áreas protegidas foram iniciados levando, em 2018, à criação da Área de Conservação Transfronteiriça Iona-Costa dos Esqueletos, uma das maiores do continente. Como parte desse renascimento, a African Parks assinou um acordo de gestão com o governo angolano em 2019 e, desde então, tem trabalhado na conservação e restauração desta área protegida. A reintrodução de girafas angolanas (Giraffa giraffa angolensis) na área – pensadas extintas na região nos anos 1940 e em todo o país nos anos 1990 – faz parte desses esforços de restauração. Em parceria com a Giraffe Conservation Foundation, a African Parks avaliou a viabilidade de translocar uma população fundadora de girafas angolanas da Namíbia. Para iniciar o processo, uma análise de habitat foi conduzida em Iona, com resultados favoráveis para reintrodução da espécie. Consultas com as comunidades locais foram conduzidas e bem recebidas, uma vez que as girafas não competem com o gado local por alimentos e água. Foto: African Parks

Expedição que atravessa 22 área protegidas geridas pela African Parks passa por Moçambique

Out 31, 2023 | A equipa da Expedição African Odyssey, liderada pelo conceituado conservacionista e explorador Kingsley Holgate, iniciou a sua viagem através de 22 parques geridos pela African Parks em Iona, em Angola, e agora chegou ao Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto. O principal objectivo desta expedição de 18 meses é documentar a vida das pessoas que trabalham incansavelmente nestes parques e destacar os esforços de desenvolvimento comunitário em curso. A equipa está focada em aumentar a conscientização sobre questões críticas, como prevenção da malária, conservação e fornecimento de serviços básicos de saúde, como exames aos olhos e óculos de leitura. À medida que atravessa 12 países africanos, a missão da expedição vai além da conservação e trabalho humanitário. Isso inclui documentar o rico mosaico de culturas locais ancestrais, tradições e locais históricos de interesse que encontram ao longo do caminho. A expedição levou recentemente a equipa a Moçambique, onde embarcou numa missão para alcançar o Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto, um marco significativo no seu objectivo de ligar todas as 22 áreas protegidas geridas pela African Parks. A chegada da equipa a Vilanculos marcou o início de uma aventura única relacionada com a temática marinha. Ficaram hospedados por uma velha amiga, Veronica Bower, que gere financiamento e projectos especiais para o Parque Nacional do Arquipélago do Bazaruto. A exploração do arquipélago revelou um santuário marinho próspero, onde golfinhos, tubarões, baleias, mantas e tartarugas encontraram refúgio. Também é lar da maior população viável de dugongos na costa leste da África, tornando-se uma área de conservação crítica. A expedição também descobriu uma história emocionante de sucesso na conservação. O dugongo, um mamífero marinho listado como “Criticamente em Perigo” na Lista Vermelha da IUCN, regressou a esta área. Os esforços da equipa da African Parks resultaram numa redução nas mortes de dugongos causadas por redes de pesca, uma diminuição nas actividades ilegais e um aumento na população de dugongos, com muitas crias já avistadas. A equipa também ficou impressionada com as praias intocadas e a ausência de lixo no Arquipélago do Bazaruto. Essa limpeza foi atribuída ao grupo comunitário Basisa Bazaruto, que empregou 50 mulheres para remover mais de 167 toneladas de resíduos do arquipélago e enviá-los para o continente para reciclagem. Foi um projecto de limpeza notável que destacou a importância de envolver as comunidades locais nos esforços de conservação. Com a conclusão da sua etapa na África Austral, a Expedição African Odyssey prepara-se agora para o Capítulo 2. O próximo destino é o Parque Nacional de Akagera no Ruanda, que é o maior pântano protegido da África Central e o último refúgio restante para espécies da savana no Ruanda. Fotos: African Parks

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