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‘Visto único’ poderá juntar cinco países da África Austral

Jun 18, 2024 | Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe anunciaram recentemente o seu compromisso de expandir o uso de um visto comum especial conhecido como Univisa. O Univisa permite a entrada em múltiplos países e é actualmente utilizado na Zâmbia e no Zimbabwe, facilitando viagens de um dia para o Botswana através do posto fronteiriço de Kazungula. Estes Estados inegram a Área de Conservação Transfronteiriça do Kavango-Zambeze (TFCA KAZA) que se situa nas bacias dos rios Kavango e Zambeze, onde convergem Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe. As jóias deste espetacular conjunto de áreas protegidas são o delta do Okavango, com 15 000 km2, uma explosão de verde e azul numa paisagem ressequida – o maior delta interior do mundo, e as impressionantes cataratas de Victória, Património Mundial e uma das sete maravilhas naturais do mundo. Em Angola, integra as seguintes áreas de conservação: Parque Nacional do Luengué, Parque Nacional de Luiana, Parque Nacional do Longa-Mavinga e Parque Nacional do Mucusso. Os líderes destes países têm a intenção de estender o Univisa a outros estados da zona de conservação e ao bloco económico da África Austral. Este movimento visa facilitar a movimentação de turistas e aumentar as chegadas regionais. O Presidente zambiano, Hakainde Hichilema, e o Vice-Presidente do Botswana, Slumber Tsogwane, confirmaram o apoio dos seus países para a adopção deste visto transnacional. Estes cinco países da África Austral não estão sozinhos na procura por projectos de vistos regionais. No início deste ano, a Tailândia lançou um projecto de visto único ao estilo Schengen, que permitiria a entrada de visitantes estrangeiros em outros cinco países do Sudeste Asiático: Myanmar, Camboja, Laos, Malásia e Vietname. Este movimento faz parte de uma tendência crescente na região, com o CCG (Conselho de Cooperação do Golfo) também aprovando um projeto semelhante para um visto turístico que seria válido nos seus seis estados membros (Arábia Saudita, EAU, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã). Espera-se que seja lançado até 2025. Esta tendência está pronta para revolucionar o turismo nestas regiões, oferecendo um novo nível de conveniência e acessibilidade para os turistas internacionais mas também a nível regional e nacional. Foto: Jambo-africa.com e PPF

África Austral ameaça saída da CITES devido a restrições à comercialização

Jun 4, 2024 | Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe renovaram os apelos para que os estados membros se retirem da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Silvestres Ameaçadas de Extinção (CITES). A razão principal para esta posição é a recusa contínua da convenção em permitir a venda de marfim e outros produtos da vida selvagem que estes países possuem. Moçambique e outros Estados também tinham assumido uma posição semelhante no passado. O apelo foi feito pelos delegados presentes na Cimeira de Chefes de Estado da KAZA 2024 – a Área de Conservação Transfronteiriça de Kavango-Zambeze (KAZA-TFCA), um santuário de vida selvagem de 520.000 quilómetros quadrados que abrange cinco países da África Austral que partilham fronteiras comuns ao longo das bacias dos rios Okavango e Zambeze – e que esteve reunido na capital zambiana de Livingstone. De acordo com a Down to Earth, os apelos para uma retirada em massa da CITES, que conta com 184 países membros, foram feitos antes da chegada dos presidentes dos cinco países da África Austral que compõem esta que é a maior iniciativa de conservação do mundo. Os delegados criticaram o que consideram ser uma intransigência da convenção em manter uma proibição total do comércio de marfim, negando assim aos cinco países o benefício de monetizar os seus vastos recursos de elefantes. Estes países – Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabwe – juntamente com a África do Sul, abrigam mais de dois terços da população de elefantes africanos, estimada em cerca de 450.000. Estes países fazem parte dos 19 estados de alcance do elefante africano, dos quais o Botswana sozinho tem uma população de elefantes de 132.000, seguido pelo Zimbabwe com 100.000, enquanto outros números significativos estão na África do Sul, Zâmbia, Namíbia e Angola. A ameaça de sair da CITES não é nova e Moçambique partilhou no passado de uma posição semelhante a este países. Na 19ª reunião da conferência das Partes da CITES, que teve lugar no Panamá em 2022, os estados da KAZA e outros cinco países da África Austral – Moçambique, Eswatini, Lesoto, África do Sul e Tanzânia – que também abrigam muitos elefantes, pressionaram pela abertura do comércio de marfim e outros produtos de elefantes. As enormes concentrações de elefantes em alguns países do sul de África são apontadas como responsáveis pela perda de habitat e pelo aumento de incidentes de conflito entre humanos e vida selvagem. Além disso, os países da África Austral têm argumentado que a monetização dos seus recursos de vida selvagem ajudaria a financiar os seus esforços de conservação. No entanto, este pedido foi novamente rejeitado pelos delegados da CITES. Esta recusa enfureceu os países africanos, resultando na declaração de uma disputa com a CITES por parte dos 10 países. Foto: News.wttw

Segundo grupo de girafas reintroduzido no Parque Nacional do Iona

Mai 28, 2024 | O parque angolano de Iona recebeu um novo grupo de girafas reintroduzindo com sucesso 13 novos animais como parte de uma iniciativa contínua de conservação destinada a restaurar a biodiversidade deste ecossistema. Esta é a segunda reintrodução de girafas angolanas após uma ausência de mais de um século. Tal como conta a Africa Geographic, quando as girafas angolanas regressaram ao Parque Nacional do Iona, em Angola, no ano passado, foi apenas o início de um compromisso duradouro com a conservação de espécies pela Giraffe Conservation Foundation, African Parks e o Governo de Angola, que se uniram para trazer de volta as girafas angolanas após uma longa ausência. Esta semana, mais 13 girafas fizeram a longa jornada do centro da Namíbia até ao Parque Nacional do Iona, no sudoeste de Angola. A Giraffe Conservation Foundation e a African Parks patrocinaram esta épica transferência. A libertação das 13 girafas foi testemunhada pelo Presidente João Lourenço de Angola e uma delegação ministerial de alto nível composta por mais de 16 ministros, o governador da Província do Namibe de Angola, autoridades tradicionais e outros dignitários. Após a captura na Namíbia, as girafas viajaram mais de 1.300 km numa jornada que durou mais de 48 horas antes de serem libertadas com sucesso no Iona. A translocação do ano passado foi bem-sucedida, com as girafas introduzidas adaptando-se bem ao seu novo lar. Para reforçar esta pequena população e ajudar na sua viabilidade a longo prazo, decidiu-se trazer mais girafas para ajudar a restaurar os processos ecológicos da região. “A chegada em segurança destas girafas à sua área histórica de origem é mais um passo fundamental no restabelecimento do equilíbrio ecológico dos Parques Nacionais do Iona. O êxito da sua libertação tem um enorme potencial para influenciar positivamente o sector do turismo local. Isto, por sua vez, poderá gerar empregos em serviços relacionados com o turismo, aumentar o rendimento das comunidades locais e sensibilizar para a importância da preservação da biodiversidade”, comentou Augusto Archer de Sousa Mangueira, governador da província angolana do Namibe. “A reintrodução da girafa angolana no Parque Nacional do Iona, em Angola, no ano passado, foi um feito extraordinário e constitui uma verdadeira história de sucesso em matéria de conservação. Ao reintroduzir a girafa na sua área de distribuição histórica, restabelecemos a sua área de distribuição, asseguramos a sua sobrevivência a longo prazo e contribuímos para restaurar o equilíbrio ecológico na região. Estamos entusiasmados por continuar a nossa colaboração com a African Parks e o governo angolano, que são grandes parceiros nestes esforços de conservação. Juntos, podemos fazer uma diferença real”, disse Stephanie Fennessy, directora executiva e co-fundadora da Giraffe Conservation Foundation. Fotos: Giraffe Conservation Foundation

Namibiano pretende criar o maior parque privado do continente no sul de Angola

Jan 19, 2024 | Há dez anos, encostada entre os rios Cubango e Cuito, a aproximadamente 1.500 quilómetros da capital angolana, nascia a única reserva privada de vida selvagem em Angola. Idealizado pelo conservacionista namibiano Stefan Van Wyk, Cuatir ambiciona tornar-se no maior parque de safaris privado de África. Segundo a Agência Lusa, Stefan, natural de Windhoek, Namíbia, descobriu Cuatir em 2012 durante um voo de avioneta, cativado pela solidão e completa ausência de vestígios humanos. Imediatamente, iniciou o processo para formalizar uma concessão para a área. Cuatir caracteriza-se por ser uma vasta extensão de savana com várias espécies de antílopes como palancas vermelhas, reduncas (ou nunces como são chamados em Angola), ou cudos em 40.000 hectares de extensão. Outros mamíferos, incluindo zebras, girafas, mabecos e até chitas, deixam os seus vestígios, mas geralmente permanecem invisíveis para os visitantes. Stefan estabeleceu a sua base aqui, com uma área de campismo e seis bungalows simples, prontos para receber turistas e cientistas que estudam a vida selvagem neste projeto de conservação, albergando 32 espécies de mamíferos, 112 espécies de aves e 24 espécies de árvores. Em 2020, Stefan começou a reintroduzir no Cuatir espécies que desapareceram durante a guerra, como girafas e zebras, que se readaptaram rapidamente ao seu habitat natural. Para 2024, está prevista a chegada de uma manada de 16 elefantes da Namíbia, uma operação complexa que exige licenciamento, captura, transporte e a expansão do cercado para evitar o seu regresso. O acesso a Cuatir por estrada é desafiador, exigindo veículos robustos e resistência para a viagem difícil. Stefan pretende expandir a reserva privada, atualmente a única em Angola, para 200.000 hectares, tornando Cuatir no maior parque de safaris gerido privadamente em África. “A África do Sul tem o Tswualu, acho que com 100 mil hectares, Namibia tem Erindi, com 70 mil hectares, e este vai ser o maior parque privado em África para ecoturismo”, aspira, sublinhando que a província de Cuando Cubango é ideal para a vida selvagem devido às extensas florestas e às chuvas. A fauna abundante contrasta com a ausência de aldeias, excepto pelas dispersas comunidades Nganguela e Camussequele (San), com poucos sinais de presença humana. Stefan emprega trabalhadores locais em diversas funções, desde a cozinha até vigilantes e guias, contribuindo para os seus meios de subsistência. Com planos para estabelecer outro acampamento e construir casas na árvore perto de um miradouro onde os turistas podem apreciar a beleza do pôr do sol africano, Stefan garante que continuará a receber pequenos grupos, garantindo uma experiência privada. Em 2024, pretende intensificar o marketing internacional para atrair mais turistas, sublinhando a sua importância para a economia de Angola. Saiba mais sobre Cuatir aqui. Foto: angola-uncharted-safari

Angola aposta na translocação de girafas e outros animais para recuperar Parque Nacional do Iona

Dez 10, 2023 | A African Parks e a Giraffe Conservation Foundation estão a implementar um plano de reintrodução de girafas no Parque Nacional do Iona, em Angola e para isso translocou a primeira manada que agora se encontra numa fase delicada de adaptação ao novo habitat. De acordo com nota da African Parks, essa transferência, que aconteceu há cerca de três meses, os mais críticos do período de adaptação, levou a reintrodução de um total de 14 girafas angolanas, tendo a maioria conseguido sobreviver à mudança. As girafas, provenientes de uma fazenda de caça privada na Namíbia, têm idades entre 3 e 5 anos, para que não fossem muito altas para o transporte. As girafas enfrentaram uma jornada de 36 horas até ao Parque Nacional de Iona. Infelizmente, nas primeiras semanas de agosto, três das girafas haviam morrido. As condições em torno das mortes foram avaliadas, e embora não tenha sido possível determinar uma causa específica, concluiu-se que as mortes foram naturais, sem influência humana. Uma segunda translocação de girafas está agora a ser planeada para o primeiro semestre de 2024. Futuramente, espera-se que Iona receba reintroduções de rinocerontes-negros, leões e até mesmo elefantes, visando restaurar este parque no deserto e devolver o seu antigo esplendor. O Parque Nacional de Iona emerge, assim, da sua quase destruição devido a décadas de conflitos tornando-se, assim, lar de espécies há muito perdidas neste valioso ecossistema graças a uma abordagem bem sucedida de gestão do parque que inclui o envolvimento das comunidades locais. Iona, localizado no sudoeste da África, encontra-se no deserto mais antigo do mundo, o Namibe, mais associado ao país vizinho, a Namíbia. O parque é a área protegida mais antiga e uma das maiores de Angola, com 15.150 km2, abrangendo paisagens diversas, desde dunas à beira do Oceano Atlântico até montanhas da Zona Sul, elevando-se a mais de 2.000 metros. Declarada área protegida em 1937 e designada Parque Nacional de Iona em 1964, enfrentou quatro décadas de conflitos devido à Guerra de Independência e guerra civil. Contudo, desde a chegada da paz a Angola em 2002, as comunidades locais começaram a regressar às suas terras, e esforços para restabelecer no país as suas áreas protegidas foram iniciados levando, em 2018, à criação da Área de Conservação Transfronteiriça Iona-Costa dos Esqueletos, uma das maiores do continente. Como parte desse renascimento, a African Parks assinou um acordo de gestão com o governo angolano em 2019 e, desde então, tem trabalhado na conservação e restauração desta área protegida. A reintrodução de girafas angolanas (Giraffa giraffa angolensis) na área – pensadas extintas na região nos anos 1940 e em todo o país nos anos 1990 – faz parte desses esforços de restauração. Em parceria com a Giraffe Conservation Foundation, a African Parks avaliou a viabilidade de translocar uma população fundadora de girafas angolanas da Namíbia. Para iniciar o processo, uma análise de habitat foi conduzida em Iona, com resultados favoráveis para reintrodução da espécie. Consultas com as comunidades locais foram conduzidas e bem recebidas, uma vez que as girafas não competem com o gado local por alimentos e água. Foto: African Parks

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