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África tem escassez de investimento na conservação da biodiversidade

Mai 27, 2024 | A 10ª Conferência Regional sobre Financiamento da Biodiversidade em África, realizada em Blantyre, Malawi, destacou a necessidade urgente de mobilizar recursos para a conservação da biodiversidade em África. Com uma estimativa de necessidade de quase 950 mil milhões de dólares por ano para restaurar e proteger ecossistemas vitais, o financiamento actual para a biodiversidade permanece amplamente insuficiente, com apenas 121 mil milhões de dólares alocados anualmente, de acordo com a Iniciativa de Financiamento da Biodiversidade do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP-BIOFIN). África enfrenta desafios sem precedentes na protecção da biodiversidade. O primeiro desses desafios é a disponibilidade de financiamento. “Globalmente, alavancamos 400 milhões de dólares e liberamos 1 bilhão de dólares em financiamento público para conservação. Estamos trabalhando com comunidades locais, sociedade civil, parques nacionais, entidades privadas e organizações governamentais para garantir o financiamento necessário para alcançar as metas de biodiversidade no terreno,” explica Bruno Mweemba, assessor técnico da UNDP-BIOFIN. Todos os anos, o UNDP-BIOFIN organiza diálogos regionais no mundo inteiro para partilha de melhores práticas e refinar estratégias, mecanismos e metodologias. No Malawi, por exemplo, o programa BIOFIN identificou a necessidade de 93 milhões de dólares para atingir as metas nacionais de biodiversidade para o período 2020-2025. Graças a planos de financiamento, o país identificou soluções prioritárias para preencher essa lacuna financeira. No evento, tal como reporta a Afrik 21, os participantes exploraram várias estratégias de financiamento, como o envolvimento do sector financeiro, incentivos positivos, investimentos de impacto e a realocação de subsídios prejudiciais. Também discutiram pagamentos por serviços ecossistémicos e soluções de financiamento digital. Apesar desses desafios, vários agentes e mecanismos de financiamento desempenham um papel crucial na protecção da biodiversidade em África. É o caso da UNDP-BIOFIN, que desde o seu lançamento em 2012, ajudou 41 países a elaborar planos de financiamento da biodiversidade e mobilizar recursos para a conservação. Em 2024, mais de 91 países irão juntar-se a esta iniciativa, apoiados pelo Fundo para o Meio Ambiente Global (GEF). Os governos nacionais desempenham um papel fundamental no fluxo de financiamento para a conservação da natureza. Segundo o último relatório State of Finance for Nature, publicado em Novembro de 2023 na 28ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP28) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) e os seus parceiros, os governos forneceram 82% (ou 165 mil milhões de dólares) dos 200 mil milhões de dólares mobilizados para a biodiversidade em 2022. Contudo, o sector privado é menor em relação ao sector público no financiamento da biodiversidade em África. Para o ano de 2022, essa contribuição foi de 18%, ou 35 bilhões de dólares. Apesar do baixo nível de financiamento privado, as fundações desempenham um papel de liderança. Em junho de 2021, a Wyss Foundation, uma organização fundada pelo filantropo americano Hansjörg Wyss, alocou um financiamento recorde de 108 milhões de dólares para a African Parks, uma organização sul-africana de conservação da natureza que delega a gestão de 15 parques nacionais na África. A doação, distribuída ao longo de cinco anos, destina-se a apoiar quase metade dos orçamentos anuais de nove parques geridos pela African Parks em Angola, Benin, Malaui, Moçambique, Ruanda e Zimbábue. Menos de três meses depois, a African Parks anunciou uma promessa de 100 milhões de dólares em novos financiamentos para a conservação da vida selvagem na África. Os fundos serão novamente alocados por uma fundação. A fundação é a Rob and Melani Walton Foundation, administrada pelo bilionário americano Rob Walton, fundador do gigante retalhista Walmart, e sua mulher Melani Lowman-Walton. O Bezos Earth Fund também é uma das principais fundações de financiamento da biodiversidade em África. Em dezembro de 2021, a fundação do bilionário americano Jeff Bezos, dono da Amazon, concedeu 40 milhões de dólares à Wildlife Conservation Society (WCS), uma organização não-governamental norte-americana. O financiamento do Bezos Earth Fund visa ações de conservação realizadas em parceria com governos, comunidades locais e outras organizações de conservação da natureza na região da Bacia do Congo. Foto: Piotr Naskrecki/Gorongosa

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