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Moçambique trava carregamento ilegal de marfim no Porto de Maputo

Abr 8, 2024 | Uma operação conjunta entre o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), a Autoridade Tributária e a Polícia resultou na apreensão de um carregamento de marfim no Porto de Maputo. Um total de 4.8 toneladas foram encontradas, divididas em vários sacos e prontas para serem exportadas para o Dubai. Autoridades apontam para um total de 200 elefantes mortos apenas para este carregamento. Esta apreensão representa um marco sem precedentes em Moçambique e uma vitória significativa na luta contra o tráfico ilegal de vida selvagem. Durante uma conferência de imprensa realizada em Maputo, a delegada da Autoridade Tributária, Lavínia Macule, esclareceu os detalhes do caso. Segundo Macule “o exportador não foi honesto. Prestou falsas declaracões, e camuflou os pedaços de marfim dentro dos sacos de milho. Foi frustrada a tentativa de exportar as pontas de marfim porque fazem parte dos produtos proíbidos de exportar”.  O porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, revelou que já há detenções relacionadas com o caso:  “estamos face a um tipo ilegal de crime vigente no código penal moçambicano, que é o transporte e tráfico de espécies protegidas. Neste momento também temos três principais suspeitos alguns dos quais ja estão a ser ouvidos pelo SERNIC e poderão trazer mais informações”. As autoridades estimam que mais de 200 elefantes foram mortos para obter o marfim apreendido. As investigações continuam em andamento para determinar a origem da mercadoria, que pode ser tanto nacional quanto estrangeira. Esta apreensão não apenas representa um golpe significativo contra o tráfico ilegal de vida selvagem, mas também destaca a necessidade contínua de vigilância e ação rigorosa para proteger as espécies ameaçadas da região. Foto: Marfim confiscado no Quénia, 2016. Karel Prinsloo / © IFAW

YAO Crochet cria escultura de Elefante em tamanho real para prevenir furtivismo no Niassa

Jun 5, 2023 | O Projecto YAO Crochet está a criar uma escultura de um elefante de metal em tamanho real na Reserva Especial de Niassa com o objectivo de consciencializar a população para a luta contra a caça furtiva. A equipa responsável pela execução criativa deste projecto é composta pelo escultor de metal francês Jules Pennel, o escultor de metal zimbabueano e director do Luwire Conservancy, Derek Littleton, os artistas e músicos moçambicanos Norte e José Matola, e as escultoras de metal moçambicanas Cecília Paulo e Josina Estevão. O projecto conta com o apoio do Metis Fund, uma iniciativa da Agence Française de Développement, a Delegação da União Europeia em Moçambique e a Irish Aid. A Reserva Especial de Niassa passou por períodos difíceis de caça furtiva e insurreição. Como resultado, a população de elefantes diminuiu de 12.000 para menos de 4.000 entre 2013 e 2018. No entanto, em 2022, a reserva comemorou 5 anos sem um único elefante morto por caça furtiva, graças aos esforços de combate à caça furtiva implementados pelas autoridades com o apoio da cooperação internacional. O projeto APPEM (Áreas Protegidas e Proteção de Elefantes em Moçambique), financiado pela AFD, também desempenhou um papel fundamental ao facilitar esses esforços. A escultura do elefante será construída pelas pessoas que vivem no Luwire Conservancy, na reserva, com o apoio de artistas profissionais. Uma vez concluída a estrutura da escultura, será revestida com um revestimento de crochê criado pelas mulheres do Projecto YAO Crochet. Em seguida, será levada em numa turné nacional por Moçambique para destacar o flagelo da caça furtiva e o objectivo de uma vida sustentável. O elefante não apenas será um símbolo de grandeza e majestade, mas também da fragilidade da vida selvagem moçambicana. Também aumentará a visibilidade nacional e internacional da Reserva de Niassa e sua história, que é amplamente desconhecida pelo público em geral. A turné da escultura culminará na capital moçambicana, Maputo, após o qual a equipa buscará um local adequado e permanente para o elefante, sendo uma opção possível o Museu de História Natural de Maputo. Paula Ferro, fundadora do YAO Crochet, diz: “Os habitantes da remota Reserva Especial de Niassa têm que sobreviver com poucas perspectivas de emprego e desvantagens sociais significativas, estamos muito satisfeitos por poder começar a ensinar habilidades de metalurgia numa área onde apenas cerca de 2% da população tem um emprego formal. Num verdadeiro exemplo de encontro de arte com conservação, o metal para a escultura vem de centenas de armadilhas confiscadas de caçadores na reserva. A capacitação e o acesso a meios de subsistência legítimos fornecem alternativas económicas às actividades ilegais insustentáveis, como a caça furtiva e a mineração ilegal”. Foto: Yao Crochet

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