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Investigadora moçambicana usa drones para salvar último reduto de Dugongos no Índico

Mar 5, 2024 | Outrora numerosos em toda a costa oriental de África, os pacíficos e majestosos Dugongos apenas podem ser encontrados em pequenas bolsas que pontuam este último refúgio e que tem no Arquipélago do Bazaruto e na Baía de Maputo alguns dos seus últimos habitats. É nestes ecossistemas frágeis que Dambia Cossa, uma investigadora moçambicana, está a surpreender o mundo da conservação com o seu inovador método de utilização de drones para localizar e preservar esta espécie em Moçambique. Tal como nos conta a Smithsonian, manter o controlo das populações desta espécie é surpreendentemente difícil. A África Oriental possui habitats costeiros extensos e, em tempos, pode ter abrigado dugongos em grande abundância. Contudo, o desenvolvimento costeiro e a poluição têm destruído os bancos de ervas marinhas, alimento primordial da espécie. A estas ameaças juntam-se ferramentas de pesca indiscriminadas, como redes de emalhar,  que prendem e afogam os dugongos. Com uma taxa reprodutiva de um filhote a cada três ou quatro anos, os dugongos são lentos a recuperar das perdas, e a população da África Oriental está agora criticamente ameaçada. O maior grupo restante é composto por cerca de 300 dugongos que vivem nas águas protegidas do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, em Moçambique. Grupos menores pontuam a costa, desde o sul da Somália até à Baía de Maputo, mas os levantamentos aéreos são muito caros para mapear regularmente estas populações dispersas. Os últimos levantamentos para avaliar a Baía de Maputo, no início dos anos 2000, relataram apenas um a quatro dugongos. De acordo com a mesma publicação, recentes avanços tecnológicos trouxeram uma oportunidade de recuperar a espécie: em 2020, Damboia Cossa, uma pesquisadora moçambicana da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, e na Universidade Eduardo Mondlane usou drones aéreos off-the-shelf para procurar não os dugongos, mas as trilhas alimentares distintas que deixam para trás. Ao longo de seis meses, fez 12 voos de drone na maré baixa, quando os bancos de ervas marinhas da Baía de Maputo são fáceis de fotografar. Para processar milhares de fotos, Cossa treinou um modelo de machine learning para identificar as trilhas alimentares. Em 2023, publicou boas notícias. “Vimos realmente muitas trilhas. Eles ainda estão a vir para este lugar – ainda comendo aquelas ervas marinhas.” Ainda não há um método confiável para converter o número de trilhas alimentares no número de dugongos, mas Dambia Cossa estima que até 10 ou até 20 dugongos agora pastam na Baía de Maputo. Infelizmente, segundo a investigadora constatou, os seus prados de ervas marinhas preferidos muitas vezes aproximam-nos perigosamente das redes de emalhar. Mas os detalhes desta sobreposição, acredita, podem ajudar a informar decisões de gestão da vida selvagem sobre quando e onde restringir a pesca. O seu plano agora é partilhar os seus dados com a comunidade local, conscientizando sobre os dugongos e convidando pescadores a participar de futuros levantamentos e descobrir práticas de pesca mais seguras: “vamos tentar salvar os poucos dugongos restantes.” Fotos: blog.rhinoafrica.com/researchgate.net/eduardoinfantes.com

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