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Projecto da IUCN recupera biodiversidade marinha e reforça sustento de comunidade em Muinde

Jul 16, 2024 | Iniciado em 2019, o Projecto Locally Empowered Area Protection (LEAP) tem sido um marco na revitalização da biodiversidade marinha e na transformação da comunidade local. Este projecto, liderado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e financiado pelo Ministério Federal do Ambiente, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU), fez dos pescadores de Muinde verdadeiros guardiões dos oceanos, garantindo um futuro sustentável naquela comunidade local. Na vila costeira de Muinde, no distrito de Mecufi, métodos de pesca intensiva e prejudiciais haviam esgotado severamente as reservas de peixe locais. Espécies outrora abundantes, como carapau, peixes-coelho e peixes-pedra, diminuíram drasticamente, enquanto lulas e polvos quase desapareceram, segundo a IUCN Moçambique. Em 2006, a crise forçou muitos pescadores a migrar para outras regiões, como Ibo, Palma, Mocímboa da Praia e Macomia, em busca de melhores oportunidades de pesca. Nestes novos locais, os pescadores enviavam os seus ganhos de volta para as suas famílias em Muinde, retornando apenas para o Ramadão e o Eid. “O mar estava escuro e sem vida. Levava o dia todo para pegar apenas alguns peixes pequenos, mal o suficiente para vender”, lembra Eugénio Duvi, membro do Conselho Comunitário de Pesca (CCP) de Muinde. Desde o início, o Projecto LEAP começou a apoiar iniciativas de conservação da biodiversidade marinha em Muinde. Dezesseis pescadores locais, incluindo 38% mulheres, envolveram-se activamente nestes esforços. Em 2020, a comunidade de Muinde, em colaboração com o Governo Distrital e os CCPs, mapeou e designou 569 hectares de áreas marinhas como reservas – 266 hectares permanentes e 303 hectares temporários. Estas reservas visavam interromper a deterioração da biodiversidade marinha, essencial para a sobrevivência da vila. A comunidade adoptou o modelo de encerramento da época da pesca, acreditando ser uma ferramenta eficaz para a conservação e recuperação dos recursos naturais. Ali Natuca, Presidente do CCP de Muinde, relata que, desde 2021, os encerramentos temporários de seis meses levaram ao retorno de espécies anteriormente desaparecidas e a uma maior abundância de peixes. “Inicialmente, estávamos céticos, mas após ver os resultados e trocar experiências com outros, ganhamos confiança”, diz Eugénio Duvi. “Hoje, não precisamos convencer a comunidade a valorizar as reservas; os benefícios são claros”, acrescentou. A reabertura das reservas temporárias tornou-se uma celebração na vila, reunindo pescadores, compradores e consumidores. Actualmente, o mar de Muinde está novamente repleto de vida, reunindo famílias e trazendo esperança a esta pequena comunidade local. O Projecto LEAP, uma iniciativa da IUCN, implementada pela Associação Amigos do Ambiente (AMA) e financiada pelo BMU, teve um impacto profundo. Há mais peixes no mar de Muinde, e os pais que antes estavam longe voltaram para suas famílias. O peixe está a reunir famílias novamente em Muinde. Juntos, os pescadores de Muinde tornaram-se guardiões dos seus oceanos, garantindo um futuro sustentável para as gerações vindouras. Fotos: IUCN Moçambique

Instituto Oceanográfico e WCS estudam tubarões e raias em águas profundas da Ponta do Ouro

Jul 9, 2024 | O Instituto Oceanográfico de Moçambique (InOM), em colaboração com a Wildlife Conservation Society (WCS) e o Instituto Sul Africano para a Biodiversidade Aquática iniciaram uma pesquisa nas águas profundas da Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro, utilizando o sistema de vídeo subaquático remoto com isco (BRUVs). De acordo com a WCS Moçambique, a recolha de amostras faz parte de uma iniciativa global denominada Global FinPrint, que reúne investigadores e colaboradores de todo o mundo para estudar tubarões, raias e outras espécies marinhas nos recifes de coral, utilizando BRUVs. Esta nova técnica permite a recolha de dados visuais cruciais para a compreensão dos impactos nas populações de tubarões e raias, e como essas mudanças afectam os ecossistemas marinhos ameaçados. O InOM e a WCS têm utilizado os BRUVs na Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro desde 2018, realizando até à data sete amostragens em águas costeiras a profundidades de até 40 metros. No entanto, esta é a primeira vez que se realiza uma amostragem em águas mais profundas, atingindo profundidades de até 150 metros. Esta nova etapa permitirá obter uma visão mais abrangente da biodiversidade marinha e dos ecossistemas do parque. A Reserva Marinha Parcial da Ponta do Ouro, que é reconhecida internacionalmente como Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA) e foi recentemente incluída pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) no novo Atlas Eletrónico do Oceano Índico Ocidental, pertence à primeira e única área de Conservação Transfronteiriça Marinha de África, designada Ponta do Ouro-Kosi Bay e também da Área de Conservação Transfronteiriça dos Libombos de que fazem parte Moçambique, África do Sul e Swazilândia. A informação recolhida será vital para desenvolver estratégias de conservação mais eficazes e assegurar a protecção a longo prazo destas espécies e dos seus habitats. A parceria entre estas instituições reforça o compromisso global com a preservação da vida marinha e a sustentabilidade dos nossos oceanos. Fotos: WCS Mapa: IUCN

Primeiro Fórum de Conservação de África da IUCN apelo à acção consertada para proteger Natureza

JuL 2, 2024 | O evento de três dias reuniu, em Nairobi, capital do Quénia, mais de 700 participantes de toda a África, incluindo membros da IUCN, representantes governamentais, empresas, comunidades locais e especialistas científicos, para discutir os desafios da biodiversidade, conservação e desenvolvimento sustentável que a região enfrenta. O primeiro Fórum de Conservação de África, organizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), terminou com um forte apelo à acção transversal para preservar a natureza e a biodiversidade no continente. A Diretora-Geral da IUCN, Grethel Aguilar, destacou: “O Fórum de Conservação da África reuniu membros da IUCN deste vasto e belo continente, unidos por pessoas e pela natureza. Ouvimos as vozes de África vinda dos governos, sociedade civil, organizações de povos indígenas, comunidades locais e juventude, todos sob o guarda-chuva da IUCN – construindo pontes e demonstrando que somos mais fortes juntos. Uma coisa é clara: este é um continente repleto de biodiversidade e pessoas vibrantes, prontas para abraçar e demonstrar soluções africanas para a natureza e as pessoas.” Os participantes concordaram que a cooperação entre países, governos, comunidades e sectores é vital para enfrentar eficazmente os significativos desafios decorrentes da perda de biodiversidade. Entre as principais conclusões acordadas, destaca-se um novo apelo à acção em preparação para o próximo Congresso Mundial de Conservação da IUCN, a ser realizado nos Emirados Árabes Unidos em 2025. Este congresso estabelecerá a agenda global de conservação para os próximos anos. Um ponto central do fórum foi a necessidade de colocar as pessoas no centro de todas as soluções, com soluções positivas para a natureza e para as pessoas. A União deve abrir-se às vozes, preocupações e participação activa dos povos indígenas e das comunidades locais. Este foi o principal recado passado por grupos de jovens e comunidades da sociedade civil, que enfatizaram a importância de mecanismos de governança mais informados e fórmulas de financiamento adequadas para o próximo Programa e Estratégia da IUCN, a serem adoptados durante o Congresso Mundial de Conservação. Realizado sob o tema ‘Soluções Africanas para a Natureza e as Pessoas – criando respostas transformadoras para a crise de biodiversidade e clima na África’, o fórum deu aos participantes a oportunidade de usar a plataforma da IUCN para amplificar suas vozes e influenciar políticas a nível regional e global. A agricultura foi um tema significativo da conferência. Considerada um grande impulsionador da perda de biodiversidade, o fórum viu um apelo por novas práticas agroecológicas e Soluções Baseadas na Natureza para beneficiar tanto os ecossistemas quanto as pessoas, tornando os empregos verdes e azuis economicamente viáveis e sustentáveis. No passado, as três sub-regiões da IUCN em África – África Oriental e Austral (ESARO), África Ocidental e Central (PACO) e o Centro de Cooperação Mediterrânea (MED) – realizavam os seus próprios Fóruns Regionais de Conservação. Este ano, inspirado pelo impacto do primeiro Congresso de Áreas Protegidas da África da IUCN, realizado em julho de 2022 na capital do Ruanda, Kigali, a IUCN organizou um fórum para todo o continente. Foto: IUCN

Análise biocêntrica a ecossistemas marinhos como forma de garantir protecção a longo prazo

Mai 14, 2024 | Compreender onde os tubarões se alimentam, reproduzem e crescem pode ajudar a protegê-los em algumas das suas fases de vida mais importantes e vulneráveis. Os tubarões-baleia foram registados em locais críticos de alimentação em Inhambane, Sul de Moçambique e Pomene. A abordagem foi adoptada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) no Atlas Eletrónico das Áreas Importantes para Tubarões e Raias (ISRA) no Oceano Índico Ocidental,  anteriormente já noticiado pela KAMBAKU. Segundo avança a Save Our Seas, a propósito do caso específico das Seycheles, os 125 lugares que são cruciais para a sobrevivência de longo prazo dos tubarões são os mesmos lugares essenciais para a sustentabilidade dos meios de vida numa região oceânica que apoia cerca de 220 milhões de pessoas. De acordo com Robert Bullock, director de pesquisa do Centro de Pesquisa D’Arros da Fundação Save Our Seas, “uma das coisas mais valiosas sobre as ISRAs é que são totalmente biocêntricas – baseadas em informações ecológicas, não políticas, económicas ou sociológicas – e dependem dos dados colectados por tantos cientistas no campo”. “Muitos especialistas de países de toda a região contribuíram para os rascunhos das ISRAs, e esses foram compilados num workshop dedicado com a equipe das ISRAs. Os rascunhos são então revistos independentemente e novas ISRAs são definidas.” O processo das ISRAs reúne dados científicos de forma colaborativa para identificar habitats essenciais para os tubarões. Onde estão os lugares mais críticos para a sobrevivência de longo prazo dos tubarões? Onde se alimentam, se reproduzem e crescem? As áreas importantes finais são adicionadas a um mapa global interactivo (o eAtlas). Em 2019, a Associação de Ciências Marinhas do Oceano Índico Ocidental calculou que mais de 60 milhões de pessoas vivem a menos de 100 quilómetros da costa no Oceano Índico Ocidental e que o oceano traz anualmente pelo menos US$20,8 mil milhões para as pessoas nas suas águas e nas nações que as governam. As ISRAs não são designações legais; ou seja, não representam procteção formal da mesma forma que as áreas marinhas protegidas. Em vez disso, destacam áreas de importância crítica que podem tornar-se formalmente delineadas como áreas marinhas protegidas ou informar outras medidas de gestão na região. O que as ISRAs fazem é fornecer informações cruciais sobre tubarões num repositório central para ajudar a informar a descrição do processo de planejamento espacial. Foto: Save Our Seas

Mulheres de Namau lideram iniciativa de conservação marinha para preservar polvo em Cabo Delgado

Mar 26, 2024 | Um grupo de mulheres da vila costeira de Namau, no Distrito de Metuge, desenvolveu uma iniciativa de conservação dos ecossistemas marinhos de forma a cuidar dos recifes de coral e recursos pesqueiros essenciais para a comunidade, fornecendo subsistência, renda e significado cultural. Juntando pontos entre conservação e empoderamento feminino, um grupo de 10 mulheres da vila de Namau esta a implementar uma abordagem integrada e sustentável para enfrentar os desafios causados pela degradação dos recifes nos ecossistemas costeiros com o apoio do Projeto LEAP (Proteção de Áreas Localmente Empoderadas), implementado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Liderado por uma jovem pescadora, Nathaia Omar, um grupo de mulheres formou o “Grupo de Pesca de Polvo das Mulheres de Namau”, que está a realizar a conservação deste ecossistema em combinação com o desenvolvimento de meios de subsistência. O objetivo é o de contrariar práticas de pesca destrutivas para colher polvos, combinadas com outros factores humanos e naturais que ameaçam a saúde destes ecossistemas vitais nos quais as pessoas dependem. As mulheres de Namau implementaram um manejo comunitário em áreas de recuperação de recursos, realizando uma proibição temporária da pesca de polvos e estabelecendo uma área de pesca rotativa de polvos combinada com técnicas de pesca sustentável, em vez de equipamentos destrutivos ou práticas prejudiciais. Através dos seus esforços colectivos, as mulheres de Namau testemunharam melhorias significativas na captura de polvos maiores com maior valor económico no mercado local e provincial. Hoje, além do mercado local, o polvo processado em Namau está a chegar a um mercado mais amplo na cidade de Pemba, onde estas mulheres ganham mais do que antes quando trabalhavam individualmente, e sua actividade é ambientalmente sustentável. As garrafas usadas para preservar o polvo são adquiridas localmente. “Com a renda, pudemos matricular nossos filhos, comprar uniformes escolares e outros investiram no aumento do tamanho de nossos campos produtivos, pagando a pessoas da vila para fazê-lo” – Nathaia Omar De acordo com a UICN, “reconhecendo que a igualdade de género e o empoderamento das mulheres são fundamentais para o desenvolvimento sustentável, através de uma abordagem de envolvimento das mulheres de Namau em iniciativas de conservação, permitiu que demonstrassem a sua contribuição significativa para a conservação marinha, melhoria dos meios de subsistência e resiliência comunitária em áreas costeiras”. Fotos: IUCN

IUCN e CARE lançam projecto de uso sustentável de ecossistemas pelas comunidades em Inhambane

Mar 12, 2024 | A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), em parceria com a ONG internacional CARE Moçambique, lançou um projeto de 7,2 milhões de dólares com o objetivo de promover meios de subsistência sustentáveis e preservar ecossistemas. O projeto, denominado CBA SCALET+, pretende beneficiar cerca de 140.000 cidadãos na província do sul de Inhambane. Inclui o treino de membros da comunidade local em tecnologias de agricultura sustentável e cultivo de culturas resilientes às mudanças climáticas. O projecto é financiado pelo Ministério Alemão do Meio Ambiente, Proteção da Natureza, Segurança Nuclear e Proteção ao Consumidor. Segundo a secretária permanente do Ministério da Terra e Ambiente, Emília Fumo, que participou no evento de lançamento, o projecto de adaptação climática e resiliência baseado na comunidade cobrirá os distritos de Mabote, Govuro, Inhambane e Vilanculos. “Irá beneficiar 139.900 cidadãos. 14.900 se beneficiarão directamente e 125.000 indirectamente. Este projecto junta-se a outras conquistas que o Ministério da Terra e Ambiente vem realizando com o governo da província de Inhambane e os planos de adaptação local”, disse Fumo, citada em nota da AIM. O representante da IUCN, Maurício Xerinda, explicou que o projecto será implementado em três países africanos: Moçambique, Zâmbia e Zimbábue. “O projeto também tem como objectivo trabalhar com as comunidades, colectando experiências para ver que conhecimentos existem a fim de compartilhar com outras comunidades”, disse ele. Foto: IUCN/Care

IUCN, WCS e ANAC reforçam protecção da biodiversidade da Reserva Especial do Niassa

Nov 30, 2023 | A IUCN ESARO – Regional Office for Eastern Europe and Central Asia – e a Wildlife Conservation Society Mozambique (WCS) assinaram um acordo de concessão financiado pela SADC TFCA Financing Facility através da German Development Cooperation e da KfW para a atribuição de um subsídio de 200.000 euros (aproximadamente 13,600,000 Meticais) a aplicar ao fortalecimento da fiscalização e à abordagem de conflitos entre comunidades humanas e a vida selvagem na Reserva Especial de Niassa. De acordo com informação pública, este subsídio estratégico, gerido pela WCS em parceria com a Administração Nacional para Áreas de Conservação (ANAC), apoiará esforços críticos de conservação, incluindo patrulhas anti-caça furtiva e bem-estar dos guardas, além de reforçar das respostas dos guardas aos conflitos entre seres humanos e a vida selvagem. A WCS e a ANAC assinaram um Acordo de Cooperação que permite que as duas partes trabalhem em conjunto nas operações de gestão do parque e na mobilização de recursos. Para Afonso Madope, Country Director da WCS Moçambique “a Reserva de Niassa, a maior área protegida de Moçambique, alberga mais de 60.000 pessoas e é um hotspot para a caça furtiva e o tráfico de madeira. Apesar desses desafios, abriga a maior população de elefantes do país e a população mais viável de cães selvagens, tornando-a crucial para a conservação da biodiversidade. O subsídio da IUCN-SADC TFCA FF, focado em operações de fiscalização, mitigação de conflitos entre seres humanos e a vida selvagem e melhorias na sede da Reserva, representa uma colaboração vital entre o Governo de Moçambique através da ANAC, a IUCN e a WCS. Este subsídio é um compromisso com a conservação da biodiversidade na TFCA Niassa-Selous, alavancando a extensa experiência em conservação da WCS.” Este subsídio estará focado em fortalecer a fiscalização e as patrulhas de guardas na Reserva Especial do Niassa Oriental, juntamente com esforços para reduzir os incidentes de conflitos entre seres humanos e a vida selvagem no corredor Central de Mecula/Mussoma. Com uma dimensão total de 42.300 km² e representando 31% das áreas protegidas de Moçambique, a Reserva Nacional do Niassa está ligada a outra grande área protegida, o Parque Nacional Nyerere (Reserva de Selous), na Tanzânia e juntas compõem a Área de Conservação Transfronteiriçã de Niassa-Selous. Foto: WCS

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