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Cientistas propõem criar nova ecorregião com 30 inselbergues entre Malawi e Moçambique

Mar 19, 2024 | Um grupo de cientistas moçambicanos e internacionais está a propor a designação de uma nova “ecorregião” africana, composta por um “arquipélago interior” de 30 montanhas isoladas, algumas abrigando animais e plantas únicas e que não são encontrados em nenhum outro lugar da Terra. O arquipélago montanhoso do sudeste de África abrange o sul do Malawi e o norte de Moçambique. Este isolamento geográfico alimentou a evolução de espécies separadas dentro das florestas que crescem sobre estes, podendo essas florestas ser agora protegidas. Esta nova ecorregião é uma cadeia de inselbergues de granito duro elevados acima da paisagem circundante formada à medida que esta se desgastava ao longo de milhões de anos. Essas “ilhas do céu”, como também são conhecidas, são cobertas por campos de altitude e florestas perenes regadas por ventos frescos e húmidos do Oceano Índico vindo do Leste. Segundo a Mongabay, um grupo de investigadores está agora a defender a declaração de uma nova “ecorregião” que fortalecerá a protecção desses inselbergues, cujas manchas de floresta, que se pensa terem estado ligadas às da África Central, ainda abrigam comunidades únicas de animais e plantas. A defesa desta solução é publicada originalmente na revista científica Nature. O pesquisador Julian Bayliss, que detectou para a ciência ecossistemas únicos como o Monte Mabu ou o Monte Lico, localizados na Zambézia, descobriu também várias novas espécies que até aqui nunca tinham sido identificadas e classificadas pela comunidade científica. É o caso da Víbora-da-mata-de-Mabu (Atheris mabuensis) em homenagem à montanha onde foi encontrada. Foram descobertas meia dúzia de espécies de camaleões pigmeus do género Rhampholeon que persistem apenas em montanhas separadas dentro da ecorregião a designar. O Monte Mabu tem o seu próprio, assim como os montes Namuli e Inago ao nordeste, o Monte Chiperone ao sudoeste e o Monte Mulanje, no Malawi, e as Colinas do Malawi. Estas são algumas das descobertas que Bayliss, ao longo de 20 anos, tem vindo a documentar da rica biodiversidade de plantas e animais desta região. Esta posição de criar uma ecorregião transfronteiriça é defendida por Julian Bayliss e outros 25 colegas com quem trabalhou e que propõem que Mabu e as outras 30 ou mais montanhas neste tesouro biológico sejam declaradas como Arquipélago Montanhoso do Sudeste da África (SEAMA) – para apoiar iniciativas de conservação nesta área. Entre os investigadores estão os moçambicanos Harith Farooq, da Universidade Lúrio (Pemba) da University of Copenhagen (Copenhaga), do Herbarium, Instituto de Investigação Agrária de Moçambique e da WCS (Maputo), José Monteiro, da Rede Para Gestão Comunitária de Recursos Naturais, ReGeCom (Maputo) e Érica Tovela, do Museu de História Natural (Maputo). “Em vez de iniciativas de conservação num único local, podemos ter iniciativas de conservação em toda a ecorregião, visando muitos dos locais com uma identidade reconhecida, semelhante às Montanhas Arc do Leste da Tanzânia ou à ecorregião do Rif do Albertine [na África Oriental]”, diz Bayliss, o autor principal do novo estudo. O SEAMA tem níveis mais altos de endemismo de répteis, ou espécies de répteis únicas, do que a ecorregião do Rif do Albertine, observa Bayliss. O novo estudo mostra que desde 2000, estima-se que o SEAMA perdeu 18% da sua cobertura florestal húmida primária e até 43% em alguns sites individuais, embora mesmo isso seja considerado uma subestimação. Os dados usados no estudo lidam apenas com a perda de floresta tropical primária. Fotos: Mongabay e The Guardian Mapa: Nature Foto em destaque: Camaleão Pigmeu do Monte Mabu (Rhampholeon maspictus) Víbora da floresta do Monte Mabu (Atheris mabuensis) (Mongabay/Sibmoz). Ernesto André, Ofélio Cavalleo, Bartolomeu Ofélio e Lopes André já conheciam a montanha muito antes da chegada de Julian Bayliss e da sua equipa. Cresceram ali, escondendo-se da guerra com os seus pais. Hoje vivem na orla da floresta e o seu modo de vida está a mudar. Ao passarem da caça para a orientação, esperam levar mais visitantes à sua antiga casa e partilhar a magia da sua montanha com o mundo (The Guardian). Epamera malaikae (Mongabay/Colin Congdon).

PROMOVE Biodiversidade avalia intervenção em Gilé, Ilhas Primeiras e Segundas e Monte Mabu

Mar 5, 2024 | Decorreu em Maputo a 3ª Sessão do Comité Nacional de Supervisão (CNS) do PROMOVE Biodiversidade, para analisar a implementação do programa em áreas protegidas de Nampula e Zambézia, mais concretamente no Parque Nacional do Gilé (PNAG), na Área de Proteção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas (APAIPS) e Monte Mabu. Financiado pela União Europeia (UE), o PROMOVE Biodiversidade é um programa da responsabilidade da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND) e da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e tem como principal objectivo fortalecer as instituições envolvidas na gestão da biodiversidade e apoiar directamente as comunidades locais daquelas regiões. Liderada pela secretária permanente do Ministério da Terra e Ambiente, Emília Dique Fumo, a reunião contou com a presença de diversas individualidades como o director interino da ANAC, o director executivo da Biofund e representantes da União Europeia em Maputo. Além disso, estiveram presentes administradores das áreas de conservação beneficiárias do projecto, directores de serviços provinciais e distritais do ambiente, bem como parceiros de implementação. O CNS, que se reúne anualmente, tem como objectivo principal compartilhar informações sobre o progresso das actividades, identificar desafios e avaliar o impacto das acções realizadas nas áreas beneficiárias. Durante o evento, foram destacados os resultados alcançados em 2023, incluindo o pleno funcionamento de um sistema de comunicação por rádio para melhorar a fiscalização e operações no PNAG, a demarcação do limite sul do parque e iniciativas de treino e apoio aos produtores locais. Além disso, foram apresentados resultados de pesquisas sobre o impacto das queimadas, reintrodução da fauna e questões relacionadas com o crescimento populacional e natalidade precoce em jovens das comunidades locais. Um dos pontos altos da reunião foi a delimitação da Área de Conservação proposta e o mapeamento de pontos de interesse cultural no Monte Mabu, visando promover o turismo sustentável na região. Estas acções são fundamentais para garantir a preservação da biodiversidade e o desenvolvimento económico das comunidades locais de forma sustentável. Esta reunião representou uma importante oportunidade para a troca de conhecimentos e experiências, impulsionando o desenvolvimento sustentável e a conservação da biodiversidade nas províncias da Zambézia e Nampula. Fotos: Biofund

Nova espécie de escaravelho descoberta em Moçambique

Jun 29, 2023 | O Monte Mabu, localizado no centro-norte de Moçambique, continua a surpreender com sua impressionante diversidade biológica. Uma equipa de cientistas realizou recentemente uma expedição de apenas 15 dias na região e descobriu uma espécie totalmente nova de escaravelho do esterco. Durante o levantamento realizado no Monte Mabu, a equipa de pesquisadores recolheram mais de 4.000 espécimes destes insectos, identificando uma espécie que nunca tinha sido documentada antes. Esta descoberta é particularmente importante, uma vez que ressalta a importância contínua de explorar e proteger ambientes naturais remotos e pouco estudados. Batizado de Onthophagus mabuensis em homenagem à sua localização de descoberta, esta nova espécie de escaravelho possui características únicas que o distinguem de outras espécies conhecidas. O seu tamanho, coloração e padrões de comportamento diferem dos escaravelhos do esterco previamente catalogados. Os cientistas acreditam que a existência dessa nova espécie é um indício da rica biodiversidade ainda desconhecida que habita Monte Mabu. O Monte Mabu, localizado na região centro-norte de Moçambique, abriga o maior bloco contínuo de floresta tropical da África Austral. Originalmente habitada por caçadores do grupo étnico Manhawa, o nome da Floresta de Mabu faz referência à “apicultura” na língua eManhawa. A área possui níveis excepcionais de biodiversidade. No entanto, a sua vida selvagem extremamente diversificada era desconhecida pelos cientistas até 2005. Desde então, levantamentos da biodiversidade levados a acabo na região registraram mais de 20 novas espécies para a ciência, incluindo diversas espécies de plantas, um novo morcego, uma nova espécie de víbora da floresta e duas espécies de camaleões, além de várias espécies novas de borboletas. Foto: wikimedia.org e theconversation.com

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