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África do Sul aplica sistema de gestão marinha para proteger o oceano

Abr 16, 2024 | A África do Sul está a implementar um inovador sistema de gestão de informações projectado para monitorar e proteger os seus mares. Fonte importante de renda e emprego, a economia oceânica contribuiu com cerca de R$ 110 mil milhões (aproximadamente US$ 5,7 mil milhões) para o PIB da África do Sul em 2010 e segundo um relatório governamental de 2019 projectou que, até 2033, esse valor aumentaria para R$ 177 mil milhões (US$ 9,2 mililhões) e mais de um milhão de empregos. No entanto, embora a extensão dos seus domínios marítimos apresente muitas oportunidades, também traz desafios de gestão e protecção. Segundo o The Conversation, é aí que entra em acção o Oceans and Coastal Information Management System (OCIMS) – em português, o Sistema Nacional de Gestão de Informação Oceânica e Costeira. Concebido dentro do Departamento de Florestas, Pescas e Meio Ambiente do país em 2012 e lançado oficialmente em 2015, reúne observações oceânicas feitas por várias agências nacionais numa plataforma única. Os principais usuários também são parceiros que contribuem para o sistema através da partilha de dados e expertise. Apesar de o sistema estar adaptado às prioridades nacionais da África do Sul, foi inspirado por outros sistemas de informação oceânica mais experientes como os sistemas da Austrália e dos Estados Unidos da América. Por exemplo, aplicativos de captura de dados no sistema são usados para partilhar medições feitas em unidades de aquacultura e informar os usuários sobre o potencial risco de marés vermelhas (um nome comum usado para florações de algas nocivas). Operadores de observação de baleias em barcos contribuem com seus dados de avistamento de espécies marinhas para avaliações de biodiversidade. Todos esses dados podem ser analisados por cientistas e as suas descobertas usadas para aconselhar sobre opções de políticas ou ações de conformidade e fiscalização. O sistema também promoveu o diálogo entre departamentos governamentais, organizações sem fins lucrativos e o sector privado o que facilita uma abordagem coordenada para a gestão dos oceanos. Uma das coponentes do OCIMS é o Marine Information Management System (MIMS) – ou em português ‘Sistema de Gestão da Informação Marinha’ –um repositório aberto que arquiva e publica colecções e subconjuntos de dados relacionados com o mar para o Departamento de Florestas, Pescas e Ambiente: Oceanos e Investigação Costeira (DFFE:OCR) da África do Sul. Acolhe os arquivos de dados históricos do Centro de Dados de Oceanografia da África Austral (SADCO). Os principais sectores das indústrias oceânicas da África do Sul são transporte marítimo, pesca e aquacultura, exploração de recursos minerais e turismo. Foto: ocims.environment.gov.za

‘Sea Walls: Artists for Oceans’ leva mar a murais da Cidade do Cabo

Jan 8, 2024 | O movimento Sea Walls: Artists for Oceans da PangeaSeed chegou a Cape Town, África do Sul, com uma exibição vibrante. Diversos artistas internacionais e locais organizaram uma exposição extravasou as paredes dos centros de exposição convencionais e se espalhou pelas movimentadas ruas da Cidade do Cabo na forma de 18 murais dedicados ao oceano. Diante dos contínuos desafios enfrentados pelo mundo marinho, e por extensão todas as criaturas e comunidades que dele dependem, o uso de uma forma alternativa de educação pode ser uma ferramenta poderosa para a mudança. De acordo com a Save Our Seas, ao remover barreiras tradicionais para a compreensão, ajuda as pessoas a conectarem-se emocionalmente com a situação dos oceanos resultante das actividades humanas. A narrativa visual pode humanizar questões complexas que parecem distantes da vida das grandes cidades, ajudando a impulsionar uma mudança na percepção. Segundo a organização desta manifestação artística de rua quando grandes extensões de cores vibrantes envolvem os tons discretos dos edifícios urbanos, a imaginação é inflamada e a mudança, por menor que seja, é posta em movimento. O Sea Walls South Africa, apresentado pela Save Our Seas Foundation, aumenta a conscientização sobre as ameaças aos oceanos do mundo e envolve as comunidades locais através de um meio de educação directo e não restrito. A Save Our Seas Foundation foi a patrocinadora principal do Sea Walls: South Africa 2023, oferecendo os meios financeiros para ver o evento ganhar forma na Cidade do Cabo. Patrocinou, igualmente, dois murais individuais, um em Sea Point, pintado pelo artista Dulk (Valência, Espanha), e o segundo em Gardens, criado pelo artista sul-africano Sonny Behan. Foto e Video: Save Our Seas

Biofund investe $100 milhões em conservação da biodiversidade nos próximos sete anos

A Fundação para a Conservação da Biodiversidade (Biofund) anunciou que disponibilizará cerca de 100 milhões de dólares para apoiar iniciativas de conservação da biodiversidade no país nos próximos sete anos. O anúncio foi feito durante a Conferência da Biodiversidade Marinha que o Biofund organizou nos passados dias 27 e 28 de Julho, em Maputo, em parceria com o Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, a Wildlife Conservation Society e a Peace Parks Foundation, e que contou com a participação de representantes de instituições do Estado, sociedade civil, sector privado, academia e comunidades locais. A coordenadora do Programa de Contrabalanços de Biodiversidade da Biofund, Denise Nicolau, informou que esse montante será destinado ao fortalecimento da conservação marinha, terrestre, costeira e aquática. Denise Nicolau destacou o envolvimento do Governo na preservação e conservação da biodiversidade através de legislação específica. Citada pela AIM, a responsável referiu que “o governo tem um quadro legal no sector de conservação marinha e políticas marinhas para empresas que desenvolvem actividades na zona marítima”, disse. O Governo de Moçambique tem estabelecido metas ambiciosas para a conservação dos ecossistemas marinhos, visando garantir sua sustentabilidade. No evento, e de acordo com o diretor-geral do Instituto Oceanográfico de Moçambique, António Hoguane, o governo pretende conservar 10% da zona económica exclusiva em protecção marinha até ao próximo ano. E até 2030, espera estender essa área de conservação para 30%. Hoguane enfatizou a importância da protecção do mangal, que tem sido devastado em várias regiões do país, especialmente nas áreas próximas das cidades de Maputo, Xai-Xai, Beira, Quelimane e Angoxe. No entanto, com o programa intensivo de recuperação, foram restaurados oito mil hectares de mangal até o momento, ultrapassando a meta original de cinco mil hectares até 2024. O país tem avançado com leis e instrumentos legais robustos para cumprir as metas nacionais de biodiversidade, especialmente no que se refere à conservação marinha. O diretor-geral do Instituto Solo Gráfico de Moçambique, António Hoguane, revelou que, em 2020, o governo iniciou um programa intensivo de recuperação do mangal, o qual já ultrapassou a meta estabelecida para 2024. António Hoguane  garantiu que “como resultado dessa iniciativa foram restaurados seis mil hectares, extrapolando a meta que era de cinco mil hectares até 2024” e que “os avanços na restauração devem-se ao serviço de inspecção levado a cabo pelo Instituto Nacional do Mar que tem feito actividades inspectivas à escala nacional.” “Nas zonas que outrora eram afectadas pela água marinha, o que não permitia o desenvolvimento da agricultura, agora já é possível, pois o mangal previne a expansão da água oceânica para zonas de cultivo”, disse. Fotos: Biobund

Jul 29, 2023 | Baleias Corcundas, Costa de Moçambique – Animais que todos os anos percorrem a costa Moçambicana divulgada pela ONG Love the Oceans

MMF usa realidade virtual para revolucionar Educação Ambiental

Jul 23, 2023 | A Marine Megafauna Foundation (MMF), organização não governamental fundada em Inhambane, está a explorar o poder da tecnologia para criar uma conexão entre o público e o meio ambiente marinho. Ao desenvolver experiências de realidade virtual (RV), a co-fundadora da MMF, Andrea Marshall, garante que pretende transformar a forma de educar e inspirar, especialmente dedicado às gerações mais jovens. O resultado é uma ferramenta imersiva e impactante que traz as maravilhas do oceano para as nossas mãos, olhos e ouvidos, promovendo um profundo gosto pela conservação marinha. Marshall acredita que as experiências em RV, com a sua natureza imersiva, podem ser a chave para despertar o interesse das crianças pelo oceano e empatia pelas criaturas marinhas. “É muito importante para mim encontrar uma maneira de conectar as crianças à natureza. Acredito que as experiências em RV são a principal forma de educá-las e inspirá-las”, afirma. A qualidade imersiva da RV faz com que as crianças se sintam parte do ambiente oceânico, contribuindo para uma conexão mais profunda. Com um headset de RV, a MMF conseguiu conectar crianças de todas as partes do mundo ao reino subaquático. De acordo com Adrea Marshall “as experiências em VR podem ser usadas em todo o mundo. É uma óptima forma de conectar crianças ao redor do globo, levando-as a lugares que talvez nunca tivessem a possibilidade de visitar de outra forma”, acrescenta. Veja o vídeo aqui. Foto: MMF

Retomada a monitorização de nidificação de tartarugas nas Ilhas Primeiras e Segundas

Jul 20, 2023 | Foi reiniciada a monitorização da nidificação de tartarugas marinhas na Área de Protecção Ambiental das Ilhas Primeiras e Segundas (APAIPS) com o apoio da WWF Moçambique. O trabalho de monitorização volta, assim, este ano a ser retomado com especial incidência nas Ilhas Caldeira, Njovo e Mafamede. De acordo com informação veiculada pela WWF Moçambique, “os agentes comunitários, baseados nestas ilhas, patrulham as praias à volta das ilhas, de noite e nas primeiras horas do dia, em busca de rastros e ninhos”. “Quando encontram um rastro, procuram por um possível ninho, marcam com paus e registam a data em que foi posto. A marcação com paus permite controlar o período de eclosão do ninho, cerca de 2 meses após ter sido posto”, explica a organização. Segundo a WWF, este trabalho envolve o registo dos rastros, ninhos confirmados, dados sobre as fêmeas (tamanho, espécie, etc) e dados dos ninhos (número de ovos postos e número de crias vivas): “Após alguns anos de monitorização, poderemos ter uma estimativa da população de fêmeas de tartarugas marinhas que nidificam nas ilhas da APAIPS”. Foto: WWF/Mariano Silva

Estudo revela que Baleias Francas Austrais apresentam perda de peso significativa

Jun 25, 2023 | As Baleias Francas Austrais (Eubalaena australis), que procuram as águas costeiras da África do Sul e de Moçambique para dar à luz, estão 23% mais magras em média do que as que realizaram a mesma jornada há 30 anos. De acordo com um estudo publicado na revista científica Scientific Reports existirá uma ligação entre a diminuição da disponibilidade da sua principal fonte de alimento, o Krill Antártico (Euphausia superba), no oceano Antártico e a perda de peso. O Krill Antártico é uma espécie de animal invertebrados semelhante ao camarão que existe no oceano em grandes quantidades sendo estes pequenos crustáceos uma componente importante do zooplâncton que alimentam baleias e tubarões-baleia, entre outras espécies de grande porte. Citada pela revista Nature, esta é a primeira pesquisa a confirmar que as mudanças climáticas no oceano Antártico têm um impacto físico notável no estado dos “alimentadores de capital” (animais que se alimentam apenas em momentos específicos do seu ciclo de vida) ao redor da Antártica. A equipa baseou os seus cálculos em séries de fotografias aéreas tiradas de helicópteros (20 baleias-francas-austrais em lactação que visitaram as águas da África do Sul em 1988 e 1989) e com o auxílio de um drone (27 outras baleias que visitaram as águas da África do Sul em 2019 e 2021). Estas medidas fotogramétricas especializadas visam obter as medidas corporais de uma amostra desses mamíferos. Els Vermeulen, do Mammal Research Institute Whale Unit da Universidade de Pretória, na África do Sul, explica: “A motivação das baleias-francas-austrais para gastar energia e migrar é tipicamente maior nas fêmeas grávidas que desejam dar à luz e criar os seus filhotes em baías com águas mais quentes e protegidas de predadores.” A população total de baleias-francas-austrais na África do Sul é estimada em cerca de 6.470 indivíduos, segundo um artigo publicado em 2023 no African Journal of Marine Science, o número mais alto desde a proibição oficial da caça em 1935. Em Moçambique, o primeiro registo desta espécie de cetáceo após o fim da caça às baleias ocorreu em 1997. Eram historicamente vistas na baía de Maputo, ilha da Inhaca, Ponta do Ouro e no arquipélago do Bazaruto na época de acasalamento. Atualmente a população mundial é estimada em cerca de 20.000 indivíduos. Foto: Nature

ONU chega a acordo histórico para proteger os oceanos do mundo

Mar 6, 2023 Após vários anos de negociações, os 193 países que compõem as Nações Unidas chegaram a um tratado inédito para proteger a biodiversidade dos oceanos. O acordo, que foi alcançado na sede da ONU em Nova Iorque, representa um marco importante para atingir uma meta que está a ser construída há décadas. Tal como explica a Grist, o tratado terá ainda que ser formalmente adoptado pela organização intergovernamental e ratificado por cada país-membro individualmente. A ONU iniciou negociações para adoptar uma estrutura legal para proteger o oceano em 2004, mas divergências de diversa ordem adiaram um acordo. O novo tratado estabelece um novo conjunto de regras no alto mar destinadas a proteger as espécies marinhas e o equilíbrio dos seus ecossistemas. Cria um novo grupo dentro da ONU encarregado de gerir a conservação dos oceanos e exige avaliações detalhadas de impacto ambiental para todas as novas actividades em alto mar, incluindo o turismo. O tratado também cria áreas dentro do oceano que são totalmente protegidas estabelecendo santuários marinhos onde as espécies possam florescer sem perturbações. Um passo fundamental para atingir a meta estabelecida pela ONU de conservar 30% da terra e da água do planeta até 2030. Foto: DR/Grist

Marine Megafauna Foundation promove monitoramento de Tubarão Baleia com ajuda de cientistas-cidadãos

Maio 27, 2022 A Ilha da Máfia, situada na costa da Tanzânia, é um verdadeiro paraíso para os amantes da vida marinha e é um hotspot para uma espécie muito carismática: o tubarão-baleia. O maior peixe do mundo junta-se aí para se alimentar. Tal como garante Chris Rohner, cientista principal da Marine Megafauna Foundation (MMF), organização sedeada em Moçambique, criada em 2009 para pesquisar, proteger e conservar as populações da megafauna marinha ameaçada em todo o mundo: “vemos principalmente grandes jovens baleias, variando de 2,5 a 10m de comprimento. A maioria está algures entre 5 e 8 metros. Os tubarões-baleia nascem com cerca de 60cm. Não vemos os pequenos e também não vemos os tubarões grandes e maduros na área”. Isso é semelhante à maioria das outras agregações costeiras de tubarões-baleia ao redor do mundo. Nessa fase da vida, estes animais estão mais interessados em comer muito plâncton e crescer o mais rápido que puderem. Na Ilha da Máfia, existem manchas densas de camarões sergestídeos, um tipo de grande zooplâncton, que os tubarões-baleia atacam. Parece haver comida disponível para os tubarões-baleia aqui durante todo o ano, e é provavelmente por isso que muitos deles ficam por aqui. A população incomum de tubarões-baleia fora da ilha permite que o MMF aplique técnicas robustas de modelagem de captura-marca-recaptura para estimar sua tendência populacional. Este é um importante campo de pesquisa que procura saber mais sobre a relação entre as raras mortalidades do grupo que parecem, no entanto, impedir a recuperação da população. Rohner diz que “A Ilha da Máfia foi o lugar perfeito para esta investigação. Vemos muitos dos mesmos tubarões-baleia ano após ano e os conhecemos muito bem.” A cientista sénior do MMF, Steph Venables, acrescenta que “Essas altas taxas de reavistamento também significam que os modelos estimam a abundância com um alto nível de precisão”. O trabalho do MMF na Ilha da Máfia é importante porque os tubarões-baleia são uma espécie ameaçada de extinção. Embora estejam protegidos por leis internacionais, ainda são caçados em algumas partes do mundo para serem vendidos como comida, e também são vítimas de pesca acidental. A pesquisa realizada pela MMF ajuda a entender melhor as populações de tubarões-baleia e, com isso, desenvolver estratégias para a sua conservação. Fotos: Oceanographic Magazine/Dr Simon J. Pierce

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