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Moçambique, Zambia e Zimbabué criam nova área transfronteiriça que inclui Mágoè, Cahora Bassa e Zumbo

Jul 23, 2024 | Numa cerimónia realizada em Harare, Moçambique, Zimbabué e Zâmbia formalizaram um compromisso conjunto de conservação com o Acordo de Conservação Transfronteiriça (ZIMOZA-TFCA, sigla em inglês). Este pacto visa promover a conservação da biodiversidade, a restauração do ecossistema e a gestão sustentável dos recursos naturais partilhados pelos três países. A iniciativa tripartida ZIMOZA-TFCA, que será coordenada pelo Zimbabué nos próximos dois anos, abrange directamente cerca de 600.000 pessoas residentes na área transfronteiriça. Estas comunidades dependem fortemente dos recursos naturais da região, incluindo água, peixe, vida selvagem e floresta, para a sua sobrevivência diária. A área de conservação ZIMOZA-TFCA cobre uma vasta extensão de 38.435 quilómetros quadrados, abrangendo três distritos moçambicanos ao longo do rio Zambeze, na província de Tete: Mágoè, Cahora Bassa e Zumbo. No Zimbabwe, a área inclui os distritos de Mbire e Makonde, enquanto na Zâmbia abrange o distrito de Luangwa, de acordo com a AIM. O acordo foi rubricado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, pelo Presidente zimbabueano, Emmerson Mnangagwa, e pelo Ministro zambiano do Turismo, Rodney Sikumba, representando o Presidente Hakainde Hichilema. Durante o evento, o Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, destacou a importância da iniciativa tripartida para a conservação ambiental e a promoção dos recursos naturais legados pelos antepassados dos três países: “este acordo é um marco na história dos nossos três países e está em linha com os Objectivos de Desenvolvimento da SADC e de acordo com os princípios agendados pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a promoção sustentável do ambiente”. Nyusi referiu ainda que o acordo complementa a Declaração de Maputo sobre a conservação da floresta do miombo, assinada em Agosto de 2022, reforçando os esforços conjuntos dos países membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) na regeneração do ecossistema florestal: “os três países, que hoje assinam este acordo, são assinantes da Declaração de Maputo, assinado em Maputo”, lembrou o Presidente. Emmerson Mnangagwa, Presidente do Zimbabué, considerou o acordo um novo capítulo nas relações de cooperação entre os três países, alinhado com a agenda da União Africana para a promoção do meio ambiente: “este acordo vai promover a conservação dos nossos recursos, abrindo espaço para a criação de mecanismos de preservação dos recursos faunísticos da região”. Rodney Sikumba, ministro zambiano do Turismo, em representação do Presidente Hakainde Hichilema, destacou a consciência crescente em África sobre a necessidade de conservar áreas preciosas: “este acordo é histórico porque representa a nossa união na preservação do meio ambiente. É uma boa estratégia porque ajuda a nossa população a trabalhar para conservar o ambiente e a vida selvagem”. O Acordo de Conservação Transfronteiriça ZIMOZA-TFCA marca um passo significativo para a conservação ambiental e a gestão sustentável dos recursos naturais em Moçambique, Zimbabwe e Zâmbia. Com este pacto, os três países demonstram um compromisso firme com a protecção e a restauração do ecossistema, em benefício das gerações presentes e futuras. Foto: wildsafariguide.com Mapa: Peace Parks Foundation

Espécies migratórias em risco precisam de estratégias que vão além das fronteiras humanas

Fev 27, 2024 | A primeira edição do relatório das Nações Unidas acerca do estado de conservação das espécies migratórias em todo o mundo contém revelações preocupantes sobre o estado das espécies que atravessam diversos ecossistemas nos seus ciclos de movimentação natural. Esta primeira radiografia foi apresentada durante a abertura de uma importante conferência de conservação da vida selvagem das Nações Unidas (CMS COP14) – State of the World’s Migratory Species.- é da responsabilidade da Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Animals (CMS), um tratado de biodiversidade das Nações Unidas de que Moçambique faz parte desde 2009. O relatório revela que cerca de metade das espécies migratórias listadas pela CMS apresenta declínios populacionais. Os dados disponíveis sugerem que o estado de conservação está a deteriorar-se: uma em cada cinco espécies (22%) da CMS estão ameaçadas de extinção e uma proporção substancial, cerca de 44%, está a sofrer declínios populacionais. O estudo conclui, igualmente, que quase todos os peixes listados pela CMS (97%) estão ameaçados de extinção e que o risco de extinção está a crescer para as espécies migratórias em termos globais, incluindo aquelas que não estão listadas sob a CMS. Metade (51%) das Áreas-Chave de Biodiversidade identificadas como importantes para os animais migratórios listados pela CMS não possuem status de protecção, e 58% dos locais monitorados reconhecidos como importantes para as espécies listadas pela CMS estão a experimentar níveis insustentáveis de pressão humana. O estudo das Nações Unidas aponta que as duas maiores ameaças tanto para as espécies listadas pela CMS quanto para todas as espécies migratórias são a superexploração e a perda de habitat devido à actividade humana. Três em cada quatro espécies listadas pela CMS são impactadas pela perda, degradação e fragmentação do habitat, e sete em cada dez espécies listadas pela CMS são impactadas pela superexploração (incluindo captura intencional, bem como captura acidental). As mudanças climáticas, a poluição e as espécies invasoras também estão a ter impactos profundos sobre as espécies migratórias. Globalmente, 399 espécies migratórias ameaçadas ou quase ameaçadas de extinção não estão actualmente listadas sob a CMS. Estes resultados destacam a urgência de acção para proteger as espécies migratórias em todo o mundo. É essencial que sejam implementadas medidas eficazes de conservação, incluindo a expansão de áreas protegidas e a redução da superexploração e da degradação do habitat. Tal como pode ser lido no documento, as espécies migratórias são encontradas por todo o mundo – em terra, na água e nos céus. Ao atravessar milhares de quilómetros, estas espécies dependem de uma variedade diversa de habitats para se alimentarem, reproduzirem e descansarem, desempenhando, por sua vez, um papel essencial na manutenção de ecossistemas saudáveis e funcionais. Frequentemente, as suas migrações levam-nas a atravessar fronteiras nacionais, tornando a cooperação internacional essencial para a sua conservação e sobrevivência. O reconhecimento desta necessidade levou à negociação da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Selvagens, que entrou em vigor em 1979. A CMS é o tratado global que aborda a conservação e a gestão eficaz das espécies migratórias e dos seus habitats. A Convenção tem como objectivo conservar as espécies migratórias, particularmente aquelas listadas nos seus dois Apêndices e aquelas incluídas numa variedade de instrumentos da CMS, através da cooperação internacional e da ação coordenada de conservação. Foto: SerengetiUnderCanvas

Estudo revela novos dados sobre migrações transfronteiriças de tubarões entre Moçambique e África do Sul

Out 18, 2023 | Um novo estudo colaborativo documentou os movimentos internacionais de quatro espécies de tubarões entre Moçambique e a África do Sul. Ao longo de quatro anos, 102 tubarões foram marcados e monitorados, cruzando a fronteira entre os dois países centenas de vezes. Esta investigação, divulgada pelos African Shark Diaries e pela Marine Megafauna Foundation, destaca nas suas conclusões a necessidade crescente de uma gestão cooperativa entre os países para preservar estas espécies marinhas que, na maior parte dos casos, têm o seu habitat distribuído por diversas nações. Para investigar as migrações transfronteiriças de tubarões ameaçados entre os vizinhos Moçambique e África do Sul, foram acompanhadas quatro espécies de carcharhinídeos comuns num total de 102 indivíduos que foram equipados com transmissores acústicos de longa duração e monitorados ao longo de quatro anos, de 2018 a 2022, numa rede de 350 receptores acústicos. Os dados recolhidos pela equipa de investigadores confirma a alta conectividade entre países vizinhos por meio dos persistentes movimentos transfronteiriços dos tubarões ameaçados. O estudo científico, publicado na Inter-Research Science Publisher com o título original “Persistent transboundary movements of threatened sharks highlight the importance of cooperative management for effective conservation”, é uma investigação conjunta que reúne cientistas de diversas instituições, nomeademnte Ryan Daly, do Oceanographic Research Institute e do South African Institute for Aquatic Biodiversity (África do Sul), Stephanie Venables e Bilardo Nharreluga, da Marine Megafauna Foundation (Moçambique), Toby D. Rogers do Institute for Communities and Wildlife in Africa (iCWild) (África do Sul), Isabel Silva, da Universidade Lúrio e Marcos Pereira, da Fundação Likhulu, (ambos de Moçambique), entre outros. De acordo com o estudo, apesar de os tubarões cinzentos dos recifes serem relativamente residentes nas suas áreas territoriais, os tubarões de pontas negras de recife, os tubarões do Zambeze e tubarões tigre realizaram movimentos costeiros muito consideráveis, cobrindo distâncias que variaram de 980 a 2256 km, abrangendo até toda a extensão da rede de receptores acústicos na África do Sul e Moçambique. Os tubarões migratórios desempenham um papel ecológico fundamental através dos seus movimentos dentro e entre ecossistemas marinhos. No entanto, muitas populações de tubarões estão em declínio, e abordar essa redução é especialmente desafiador para espécies de ampla distribuição, uma vez que podem realizar movimentos entre países com prioridades de conservação distintas. O estudo enfatiza a necessidade de cooperação transfronteiriça entre os dois países e a harmonização dos planos de gestão regional e intervenções para abordar o declínio das populações de tubarões nessa região do Oceano Índico Ocidental. Foto: MMF/motherofmantas

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