Kambaku

Icon podcast

SERNIC trava comércio ilegal de barbatanas de tubarão em Cabo Delgado

Abr 15, 2024 | O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apreendeu 25 barbatanas de tubarão e mais de 1.200 quilos de pepinos-do-mar – também conhecidos como holotúrias – e, em mais um caso de exploração ilegal de recursos naturais. “Este produto saía do distrito de Mocímboa da Praia com destino à província de Nampula, onde iria ser comercializado”, disse Noémia João, porta-voz do SERNIC na província de Cabo Delgado, em conferência de imprensa em Pemba. A apreensão, que ocorreu, de acordo com a Agência Lusa, no posto de controlo de Sunate, em Silva Macua, no distrito de Ancuabe, resultou de denúncias da população local e culminou na detenção de uma pessoa. “Não temos ainda nomes, apenas temos um indiciado na prática do tipo legal de exploração ilegal de recursos naturais e faunísticos (…). Temos forças no terreno para trabalhar”, disse Noémia João. Em 16 de dezembro de 2023, na cidade de Pemba, o SERNIC prendeu duas pessoas na posse de 16 barbatanas de tubarão. No mesmo mês, as autoridades provinciais anunciaram a apreensão de 600 quilos de pepinos-do-mar uma semana antes, e também prenderam duas pessoas suspeitas de estarem envolvidas no caso, incluindo um funcionário público que trabalhava nos Serviços Distritais de Atividades Económicas. Foto: Imagem de outra apreensão, occrp.org

Aumentaram as mortes de tubarões apesar de proibições na remoção de barbatanas

Fev 19, 2024 | Um estudo recente revelou informações alarmantes sobre a mortalidade de tubarões em diferentes modalidades de pesca entre os anos de 2012 e 2019. Contrariando as expectativas, o estudo revela um aumento de 4% na mortalidade destes animais em pescas costeiras, ao mesmo tempo que houve uma diminuição de 7% em pescas pelágicas, ou seja, mais perto da superfície do mar. Este cenário surge num contexto em que a legislação para proibir a remoção das barbatanas, ou “shark finning”, aumentou exponencialmente ao longo do mesmo período. O estudo, publicado na revista Science, conduzido por uma equipa internacional de investigadores, analisou dados de captura de tubarões em 150 países e em alto-mar, combinando-os com entrevistas a especialistas em pesca de tubarões. De acordo com a Mogabay, os resultados indicam que, apesar do aumento significativo na legislação que proíbe a prática do “shark finning”, as regulamentações podem não estar a ser eficazes na redução da mortalidade de tubarões, podendo até mesmo estar a impulsionar novos mercados para a carne destes animais. Ao longo dos sete anos do estudo, a legislação para proibir o “shark finning” aumentou de forma exponencial. Diversos países implementaram medidas que obrigam os pescadores a desembarcar tubarões inteiros, sem as barbatanas cortadas, numa tentativa de desencorajar a prática do “shark finning”. Alguns países foram ainda mais longe, proibindo completamente a pesca de tubarões. Outras regulamentações visando a protecção dos tubarões foram igualmente implementadas durante o período do estudo. Em 2012, a Comissão Interamericana dos Atuns Tropicais, uma organização regional de gestão de pesca de atum no Pacífico Oriental, proibiu a pesca e venda de tubarões-de-ponta-branca-do-recife (Carcharhinus longimanus), classificado como criticamente ameaçado em 2018. Diversas espécies de tubarões foram também listadas no Apêndice II da CITES, incluindo tubarões-de-ponta-branca-do-recife e três espécies de tubarão-martelo em 2013, e tubarões-sedosos e três espécies de tubarão-martelo em 2016. No entanto, apesar destas numerosas medidas regulatórias, o estudo revela um aumento anual de aproximadamente 100 milhões de tubarões mortos devido à pesca. Noventa e cinco por cento destas mortes ocorreram em águas nacionais, sob a jurisdição de países individuais. Foto: Mongabay

IUCN publica novo mapa de áreas marinhas protegidas com importante contributo vindo de Moçambique

Jan 10, 2024 | A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) revelou um novo Atlas Eletrónico das Áreas Importantes para Tubarões e Raias (ISRA) no Oceano Índico Ocidental. A inclusão de áreas relevantes da costa e do mar moçambicanos teve um contributo importante da Marine Megafauna Foundation (MMF), criada em Inhambane e que está hoje presente em diversos pontos do globo. O trabalho da MMF, através de trabalho de conservação e investigação na região, desempenhou um papel crucial na designação de ISRA em Moçambique, Tanzânia, Madagascar, Qatar, Omã e Mayotte. Estas áreas são reconhecidas como habitats importantes para uma ou mais espécies de tubarões e raias, servindo como ferramenta orientadora para o desenvolvimento de estratégias de conservação baseadas em áreas, incluindo Áreas Marinhas Protegidas (AMPs). De acordo com a MMF, os conjuntos de dados provenientes de avistamentos aéreos, pesquisas de longo prazo e marcação de animais foram fundamentais na designação de quatro ISRA ao longo da costa moçambicana: Bazaruto, Pomene e a Província Sul de Inhambane (Tofo e Zavora), além de um corredor de movimento mais extenso no sul de Moçambique. Os resultados do projecto de investigação de uma década sobre tubarões-baleia na Tanzânia contribuíram para a designação da ISRA na Baía de Kilindoni, em torno de importantes áreas de alimentação desses gigantes marinhos. O Projecto Tubarão-Baleia de Madagáscar liderou os esforços para a criação de uma ISRA nas águas ao redor de Nosy Be, quando a MMF colaborou com o Parque Natural Marinho de Mayotte para designar áreas em torno da laguna de Mayotte, no Canal do Norte de Moçambique. A MMF também participou da designação de ISRAs focadas em tubarões-baleia no Qatar e Omã. A MFF refere ainda a importância do esforço que envolveu colaboradores de diversas organizações, incluindo o Projecto Tubarão-Baleia de Madagascar, Projectos Marinhos All Out Africa, Wildlife Conservation Society Moçambique, SAAMBR, Oceans Without Borders, Mission Blue, Sundive Byron Bay (Sundive Research), Projeto Tubarão-Baleia do Qatar, KAUST Official (Reef Ecology Lab), Alison Kock no SANParks, Parque Natural Marinho de Mayotte, Instituto de Pesquisa de Pesca da Tanzânia (TAFIRI) e a equipa das Áreas Importantes para Tubarões e Raias – ISRAs. Citado pela Naturlink, Ciaran Hyde, consultor da Equipa Oceânica da IUCN, explica que “ainda temos muito que aprender sobre muitas espécies de tubarões, raias e quimeras, mas infelizmente vários estudos indicam que muitas áreas protegidas não estão a conseguir satisfazer adequadamente as suas necessidades. No entanto, as Áreas Importantes para Tubarões e Raias (ISRAs) ajudarão a identificar áreas para estas espécies utilizando critérios que foram especificamente concebidos para considerar as suas necessidades biológicas e ecológicas”. “Os tubarões são uma espécie de vida longa: muitos demoram muito para atingir a maturidade sexual e só dão à luz alguns filhotes. Isto torna-os particularmente suscetíveis à pressão da pesca e, com cerca de 37% das espécies com um risco elevado de extinção, enfrentam uma crise de biodiversidade. Os resultados do projeto ISRA informarão as políticas e garantirão que as áreas críticas para a sobrevivência de tubarões, raias e quimeras sejam consideradas no planeamento espacial”, refere a mesma publicação citando Rima Jabado, presidente do Grupo de Especialistas em Tubarões SSC da IUCN. O mapa que está em destaque neste artigo pode pode ser encontrado aqui. Foto: IUCN

Estudo revela novos dados sobre migrações transfronteiriças de tubarões entre Moçambique e África do Sul

Out 18, 2023 | Um novo estudo colaborativo documentou os movimentos internacionais de quatro espécies de tubarões entre Moçambique e a África do Sul. Ao longo de quatro anos, 102 tubarões foram marcados e monitorados, cruzando a fronteira entre os dois países centenas de vezes. Esta investigação, divulgada pelos African Shark Diaries e pela Marine Megafauna Foundation, destaca nas suas conclusões a necessidade crescente de uma gestão cooperativa entre os países para preservar estas espécies marinhas que, na maior parte dos casos, têm o seu habitat distribuído por diversas nações. Para investigar as migrações transfronteiriças de tubarões ameaçados entre os vizinhos Moçambique e África do Sul, foram acompanhadas quatro espécies de carcharhinídeos comuns num total de 102 indivíduos que foram equipados com transmissores acústicos de longa duração e monitorados ao longo de quatro anos, de 2018 a 2022, numa rede de 350 receptores acústicos. Os dados recolhidos pela equipa de investigadores confirma a alta conectividade entre países vizinhos por meio dos persistentes movimentos transfronteiriços dos tubarões ameaçados. O estudo científico, publicado na Inter-Research Science Publisher com o título original “Persistent transboundary movements of threatened sharks highlight the importance of cooperative management for effective conservation”, é uma investigação conjunta que reúne cientistas de diversas instituições, nomeademnte Ryan Daly, do Oceanographic Research Institute e do South African Institute for Aquatic Biodiversity (África do Sul), Stephanie Venables e Bilardo Nharreluga, da Marine Megafauna Foundation (Moçambique), Toby D. Rogers do Institute for Communities and Wildlife in Africa (iCWild) (África do Sul), Isabel Silva, da Universidade Lúrio e Marcos Pereira, da Fundação Likhulu, (ambos de Moçambique), entre outros. De acordo com o estudo, apesar de os tubarões cinzentos dos recifes serem relativamente residentes nas suas áreas territoriais, os tubarões de pontas negras de recife, os tubarões do Zambeze e tubarões tigre realizaram movimentos costeiros muito consideráveis, cobrindo distâncias que variaram de 980 a 2256 km, abrangendo até toda a extensão da rede de receptores acústicos na África do Sul e Moçambique. Os tubarões migratórios desempenham um papel ecológico fundamental através dos seus movimentos dentro e entre ecossistemas marinhos. No entanto, muitas populações de tubarões estão em declínio, e abordar essa redução é especialmente desafiador para espécies de ampla distribuição, uma vez que podem realizar movimentos entre países com prioridades de conservação distintas. O estudo enfatiza a necessidade de cooperação transfronteiriça entre os dois países e a harmonização dos planos de gestão regional e intervenções para abordar o declínio das populações de tubarões nessa região do Oceano Índico Ocidental. Foto: MMF/motherofmantas

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.