Jul 7, 2025 |
A Fundação Fernando Leite Couto acolheu no mês de Junho a mais recente exposição do artista plástico moçambicano Tchalata (Aniceto Leonardo Banze), intitulada “Guardião da Natureza – Educar para Ser”.
A mostra, que se manteve patente até 28 do mesmo mês, apresentou-se como uma ode à biodiversidade e um grito de alerta face à acção destrutiva do ser humano sobre o planeta.
De acordo com a Fundação Fernando Leite Couto, a exposição, que teve a curadoria de Yolanda Couto, reuniu obras criadas a partir de materiais reciclados — chinelos usados, cordas, redes de pesca, madeira, plásticos, entre outros — que ganharam nova vida nas mãos do artista. Tartarugas, peixes, aves e mamíferos surgiram moldados pela técnica de assemblagem, numa narrativa visual que devolve à natureza os fragmentos que dela foram subtraídos.
Nascido em Maputo a 7 de Junho de 1981, Tchalata alia a sensibilidade artística a um compromisso pedagógico profundo. Licenciado em Educação de Infância, é fundador e gestor da Escola Comunitária KaTembe, onde promove desde 2019 uma abordagem educativa que valoriza a criatividade e o respeito pelo meio ambiente. A sua formação em Artes Gráficas, complementada por diversas acções formativas nacionais e internacionais, sustenta um percurso artístico que conta já com seis exposições individuais.
A mostra “Guardião da Natureza – Educar para Ser” evidencia esta simbiose entre arte e educação, sendo ela própria um instrumento de sensibilização ecológica. As peças, concebidas a partir de resíduos, confrontam o espectador com os rastos da acção humana, mas também com a possibilidade de regeneração. Ao transformar o trágico em belo, Tchalata propõe uma metáfora do renascimento, onde o gesto artístico se converte em acto de resistência e esperança.
As criações evocam não só a fauna e flora moçambicanas, mas também o território específico da Katembe — onde o artista vive e trabalha —, espaço marcado por uma relação íntima com o mar e os seus recursos. A escolha dos materiais e temas reflecte essa proximidade com um ecossistema ameaçado, conferindo às obras uma dimensão local, mas com ressonância universal.
Durante a exposição, Tchalata orientou ainda oficinas de criação artística dirigidas a crianças dos 7 aos 12 anos, partilhando técnicas de assemblagem e reciclagem com o objectivo de semear, nas novas gerações, uma consciência ecológica activa.
Mais do que uma exposição, “Guardião da Natureza – Educar para Ser” assumiu-se como um manifesto: um apelo visual e ético à responsabilidade colectiva e individual. Em tempos em que se insiste na existência de um eventual “planeta B”, Tchalata relembra-nos, com beleza e inquietação, que é neste — o nosso único — que temos de reaprender a coexistir.


Fotos: Moz Entretenimento/Fundação Leite Couto




