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Técnica inovadora usa aterros para travar erosão e devolver habitat a comunidades e animais selvagens

Mar 11, 2024 |

O uso exaustivo do solo, seja por agricultura intensiva ou pastoreio excessivo, ou ainda por alterações mais amplas nos ecossistemas está a levar à desertificação de vários pontos do continente africano. Uma inovadora técnica está agora a ser usada para travar esta erosão dos solos e devolvê-los a habitats que outrora eram coabitados por animais selvagens e comunidades humanas.

Para contrariar a erosão do solo e a consequente redução da produtividade das terras, a Fundação Big Life, – cuja visão é criar um mundo onde a conservação apoie as pessoas, para que as pessoas apoiem a conservação – aplicou uma técnica inovadora para travar este ciclo vicioso: a construção de diques ou aterros, pequenas barragens de solo plantado em série de forma a fixar espécies de flora nativas e assim criar uma barreira anti-desertificação.

Segundo partilha da Big Life, no quarto trimestre de 2023, a organização instalou 22.561 aterros, totalizando até ao momento 161.685 de aterros instalados na área de operação desta Fundação que abrange aproximadamente 1,6 milhões de acres localizados no Grande Ambolseli, ou seja, todo o ecossistema Amboseli-Tsavo-Kilimanjaro na fronteira entre Quénia e Tanzânia.

Estas estruturas têm como objectivo combater a erosão do solo, estimular o crescimento de novas vegetações e promover práticas sustentáveis de uso da terra. Além disso, este trabalho gerou 193 oportunidades de emprego, contribuindo de forma positiva para os meios de subsistência locais e envolvendo a comunidade em esforços de conservação.

Um aterro destes é uma intervenção dupla que primeiro restaura a saúde do solo, retardando ou interrompendo a erosão do solo, e depois apoia o crescimento das pastagens. A Big Life também está a usar estes diques de terra para reintroduzir espécies de gramíneas próprias para pastagens áridas e semiáridas, cobrindo-as com galhos espinhosos para proteger a erva dos animais até que ela semeie.

O objectivo principal é restaurar, para já, 10.000 acres de pastagens e torna-os ecologicamente viáveis. Esta iniciativa está a ser implementada pela Big Life em parceria com a Conservation International e a Apple Inc., além da Justdiggit e do WWF.

Como se pode ler no relatório anual da Big Life, “o sobrepastoreio num ambiente árido resultou em grandes áreas sem uma cobertura protectora; os solos estão a sofrer erosão e as ravinas marcam a paisagem. A pouca chuva que cai escorre directamente para as superfícies duras, privando a terra de humidade e provocando uma espiral descendente. Grandes áreas foram tornadas improdutivas, com impactos negativos tanto para a vida selvagem como para as pessoas”.

“Conquistar os corações e mentes da comunidade e proporcionar um benefício mútuo através da conservação é a única maneira de proteger a vida selvagem e as terras selvagens no futuro. Para esse efeito, a Big Life presta uma série de serviços de apoio à comunidade em geral, incluindo educação, cuidados de saúde e iniciativas geradoras de rendimentos, mas também actividades menos conhecidas, como a produção de alimentos para os estudantes locais através de um projecto de agricultura sustentável, a utilização de veículos dos rangers como ambulâncias, a detenção de criminosos por crimes comunitários (por exemplo, roubo), realização de operações de busca e salvamento de pessoas e/ou animais, entre outras”, podem também ler-se no mesmo documento.

Além do seu trabalho na gestão de conflitos entre a vida selvagem e as comunidades locais, a Big Life foi a primeira organização da região a efectuar patrulhas transfronteiriças em colaboração entre o Quénia e a Tanzânia.

Foto: Fundação Big Life

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