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Kambaku

Tecnologia africana está a transformar a conservação da vida selvagem

Mai 12, 2026 |

Drones, inteligência artificial e câmaras térmicas estão a revolucionar a conservação da fauna em África e a reduzir conflitos com comunidades rurais.

Tecnologia desenvolvida no continente está a assumir um papel de destaque na utilização de inovação e novas soluções para proteger a biodiversidade e melhorar a convivência entre populações humanas e animais selvagens em diferentes regiões do continente africano.

De operações nocturnas para afastar elefantes de campos agrícolas até censos de fauna realizados com recurso a inteligência artificial, drones e sensores térmicos, conservacionistas e empresas africanas estão a introduzir novas ferramentas digitais na gestão ambiental.

Um dos exemplos mais marcantes vem da Tanzânia, onde Carel Verhoef liderou recentemente uma operação inédita para deslocar mais de 150 elefantes ao longo de cerca de 70 quilómetros, durante cinco dias e noites, entre plantações de sisal em Goha e o Parque Nacional de Mkomazi, próximo da fronteira com o Quénia, de acordo com o Daily Maverick.

A iniciativa foi conduzida pela organização “Kazi ya Tembo” (em português “Trabalhar com Elefantes”), em parceria com a autoridade tanzaniana dos parques nacionais. O objectivo foi reduzir os conflitos entre agricultores e elefantes, um problema crescente em várias regiões africanas.

Com recurso a drones equipados com câmaras térmicas, as equipas conseguem detectar os animais durante a noite através da assinatura de calor emitida pelos seus corpos. Em seguida, utilizam o som agúdo das hélices dos drones para orientar os elefantes para corredores seguros e áreas protegidas.

Segundo os responsáveis do projecto, mais de duas mil missões com drones e cerca de 1.300 chamadas de emergência foram realizadas no último ano apenas na paisagem de Mkomazi. As equipas afirmam ter conseguido afastar elefantes de explorações agrícolas em mais de 1.600 intervenções.

Sally Grierson, parceira de Verhoef no projecto, sublinha que o método procura evitar confrontos directos entre humanos e animais e afirma que “uma parte fundamental do trabalho consiste em criar confiança junto das comunidades, passando de medidas reactivas (barulho, fogo, perseguição) para sistemas coordenados de alerta precoce e gestão activa de elefantes nas proximidades dos aglomerados humanos. Com o tempo, esta abordagem reduziu as perdas de colheitas, melhorou a segurança e permitiu aos agricultores fazer colheitas com sucesso em áreas que anteriormente registavam conflitos frequentes”, disse.

Além dos elefantes, as equipas começaram também a utilizar drones para afastar leões de currais de gado em zonas rurais da Tanzânia. “Leões esfomeados são mais difíceis de dissuadir, sobretudo na estação seca, quando se tornam bastante desesperados, mas, mantendo uma pressão regular a partir de diferentes ângulos e altitudes, acabam por perceber a mensagem e regressam à sua dieta habitual de animais selvagens”, afirmou Verhoef.

Enquanto isso, na África do Sul, outro projecto tecnológico está igualmente a transformar a monitorização da fauna selvagem. Baptizado de “Project Gaia”, o programa realizou um vasto censo aéreo em reservas privadas junto ao Parque Nacional Kruger, incluindo Sabi Sands, Timbavati, Kwandwe e Karongwe.

A operação, coordenada pelos grupos tecnológicos Chisl e Veriphy AI, cobriu mais de 100 mil hectares e recolheu cerca de 2,85 milhões de imagens de alta resolução através de drones equipados com múltiplas câmaras.

Combinando inteligência artificial, visão computacional e aprendizagem automática, os sistemas conseguiram identificar e mapear mais de 50 espécies animais, mesmo em áreas de vegetação densa.

Os drones voaram durante nove dias sob temperaturas superiores a 40 graus Celsius e ventos que chegaram aos 50 quilómetros por hora. No total, foram analisados cerca de 78 biliões de pixels de imagem e gerados 30 terabytes de dados.

Segundo os responsáveis do projecto, esta metodologia apresenta vantagens significativas em relação aos censos tradicionais feitos por helicópteros, reduzindo custos, ruído e perturbação da fauna.

Fotos e vídeo: Carel Verhoef e Daily Maverick

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