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Kambaku

Transição verde em África depende de capital acessível e nova arquitectura financeira

Nov 17, 2025 |

A necessidade de financiar a transição verde africana é um dos temas que domina a COP30, onde especialistas defendem reformas profundas na governação financeira internacional.

A decorrer em Belém, no Brasil, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 volta a expor a distância entre promessas e acção, sobretudo no que toca ao financiamento climático destinado aos países em desenvolvimento.

Para o guineense Carlos Lopes, presidente do Conselho da Fundação Africana para o Clima e enviado especial para África na COP30, a mobilização de recursos para o continente exige uma “nova arquitectura financeira” capaz de reduzir significativamente o custo do capital.

O académico defende que esta transformação só será possível se houver mudança na governação dos bancos multilaterais, garantindo maior representatividade africana, e se as instituições financeiras regionais passarem a ser tratadas como credores preferenciais. Medidas consideradas fundamentais para desbloquear o investimento necessário à transição energética africana.

Embora o continente enfrente vulnerabilidades marcantes, Carlos Lopes sublinha que África não pretende permanecer refém da espera por assistência externa. O guineense aponta quatro áreas onde são indispensáveis avanços: redução dos custos do capital, mercados de carbono mais eficazes, integração da adaptação climática nas políticas industriais e valorização estratégica dos minerais críticos, de acordo com o Expansão.

A abundância destes recursos é expressiva: África detém 85% do manganês mundial, 80% da platina e do cromo, quase metade do cobalto e mais de um quinto do grafite conhecido. Em 2022, a República Democrática do Congo assegurou mais de 70% da produção global de cobalto. Contudo, o enviado especial alerta que riqueza mineral não equivale automaticamente a desenvolvimento. A criação de cadeias de valor no continente é, por isso, essencial para evitar a conhecida “maldição dos recursos” e garantir emprego e industrialização locais.

O tema do financiamento dominou igualmente as intervenções do português Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da ONU, que classificou o assunto como “o elefante na sala”. Na sua análise, não é legítimo exigir a países dependentes de petróleo e gás — como Angola ou Nigéria — que deixem de explorar estes recursos sem que as economias mais ricas cumpram o dever de apoiar a descarbonização no Sul Global.

As discrepâncias entre necessidades e compromissos são evidentes. Os países desenvolvidos disponibilizam actualmente cerca de 120 mil milhões de dólares por ano, quando as economias em desenvolvimento necessitam de perto de 2,7 biliões. Na COP29, realizada em Bacu, ficou acordado que o financiamento público aumentaria para 300 mil milhões anuais, complementado por uma mobilização de capitais privados que elevasse o total para 1,3 biliões por ano — meta ainda distante.

Foto: Expansão/DR

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