Set 15, 2026 |
O número de famílias que cultivam dentro de comunidades vedadas em Moçambique passou de 993 em Julho para 1.726 em Agosto.
De acordo com a Mozambique Wildlife Alliance, oito novas comunidades foram vedadas num único mês, seis em Massingir, uma em Marromeu e outra em Magoé, o que representa a maior expansão desde o arranque do programa Protected Farming Communities.
O modelo assenta na vedação de áreas de machambas para reduzir os encontros entre agricultores e animais selvagens. As vedações ficam na posse das comunidades, que se organizam, recebem formação e asseguram a manutenção e a monitorização dos sistemas, enquanto a organização financia a construção e acompanha o funcionamento.
Ainda segundo a Mozambique Wildlife Alliance, a comunidade de Bingo, danificada pelas cheias no início do ano, foi integralmente reconstruída e as 269 famílias ali residentes voltaram a dispor de uma vedação operacional. A rede alargou-se também a três novas paisagens, o Parque Nacional de Zinave, a Coutada 11, em Marromeu, e Macossa, na província de Manica.
Os números divulgados pela organização na sua plataforma de acompanhamento apontam para 26 comunidades vedadas, 461 hectares protegidos e 1.726 famílias de agricultores abrangidas, distribuídas por seis paisagens diferentes. O compromisso assumido é chegar a 100 comunidades protegidas, estando 50 candidaturas em avaliação, duas aprovadas e cinco rejeitadas, de acordo com a mesma fonte.
A organização atribuiu o resultado aos doadores, aos agricultores, às equipas de campo e aos parceiros envolvidos no programa.
O alargamento da rede acontece num país onde o conflito entre populações e fauna bravia continua a fazer vítimas. A ANAC já contabilizou mais de 160 casos de perda de vidas humanas associados a estes conflitos, um problema particularmente sentido em distritos do vale do Zambeze como Mágoè, onde foram reportados 65 casos de conflito, segundo a AIM.
A chegada do programa ao Parque Nacional de Zinave insere-se num território que tem sido objecto de um esforço prolongado de reintrodução de espécies, conduzido pela ANAC com a Peace Parks Foundation, e onde o regresso de grandes mamíferos torna a coexistência com as comunidades vizinhas uma questão cada vez mais sensível.


Foto: MWA




