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WCS mostra tecnologia usada na conservação da Reserva do Niassa a jovens em Mecula

Mar 12, 2024 |

A conservação da biodiversidade é cada vez mais suportada por ferramentas tecnológicas essenciais para uma efectiva protecção da vida selvagem ao mesmo tempo que preserva as comunidades locais do conflito com os animais bravios. Foi isso mesmo que a WCS Moçambique apresentou aos estudantes da Escola Secundária de Mecula, para assinalar Dia Mundial da Vida Selvagem.

Na ocasião, membros da WCS Moçambique apresentaram as ferramentas tecnológicas utilizadas para a preservação da biodiversidade na maior área de conservação de Moçambique, nomeadamente, o software Ororatech (para monitoria e controlo de incêndios); o SMART (para recolha, armazenamento, análise de dados da biodiversidade, bem como de actividades ilegais e rotas de patrulha/vigilância); o EarthRanger (para integração e visualização de dados históricos e em tempo real disponíveis na área, movimentação de animais com coleiras, patrulhas, queimadas, entre outros dados espaciais).

Foram também apresentados, na mesma ocasião, o sistema de rádio VHF Motorola (para comunicação via rádio); dispositivos de rastreio e recolha de dados como GPS, coleiras e smartphones e ainda os próprios computadores portáteis/PCs/Telas para visualização e análise de dados.

A sessão, apresentada por Paulino Bernardo, Oficial Sénior de Vida Selvagem da Reserva Especial do Niassa, fez uma pequena exposição de algumas iniciativas do Clube de Ciências, onde foi apresentada uma recriação de um drone capaz de voar com controlo remoto, construído com base em material reciclado, e um protótipo de um sistema de alarme para invasão por animais numa área, também feito com base em material reciclado.

Além deste trabalho na Reserva do Niassa, a WCS e os seus parceiros têm desenvolvido no âmbito seu Programa Marinho através de ferramentas digitais para contribuir para a protecção de espécies marinhas em Moçambique. A WCS introduziu uma metodologia inovadora chamada BRUV (busca remota de vídeo subaquático com isca) que permite pesquisas não invasivas com câmaras subaquáticas que usam iscas para atrair e registar animais marinhos. Esta é uma metodologia amplamente utilizada em todo o mundo para avaliar o estado das populações costeiras de tubarões e raias, estimar a sua abundância, identificar espécies presentes, áreas e habitats importantes e identificar “hotspots spots ” de abundância.

Até ao momento, mais de 1300 km da costa moçambicana foram pesquisados usando BRUVs, o que permite ter informações detalhadas sobre a diversidade e abundância relativa de espécies costeiras de tubarões e raias em certas áreas da costa. Em 2021, o Instituto Oceanográfico de Moçambique e a WCS realizaram uma expedição com a descoberta de uma espécie de tubarão (Pseudoginglymostoma brevicaudatum) na Província de Inhambane (Bennett, et al., 2021), o que permitiu a extensão da geografia da espécie para ser incluída em Moçambique.

Moçambique foi especificamente identificado como um dos poucos hotspots globais pela riqueza de espécies de tubarões e raias (132 espécies confirmadas até o momento) e uma área particularmente importante para sua conservação. As águas moçambicanas representam áreas importantes globalmente em termos de distinção evolutiva e irreplaceabilidade de espécies, mas são caracterizadas por um grande número de espécies ameaçadas (cerca de 49%) e uma alta proporção de espécies classificadas como deficientes na lista vermelha da IUCN de espécies ameaçadas de extinção. Também existem um número significativo de pescarias nesta região, incluindo a pesca artesanal em áreas costeiras e a pesca industrial mais longe da costa, que têm impactos nas populações de tubarões e raias.

Esta actividade foi desenvolvida em parceria com os parceiros do Governo do Distrito de Mecula e da USAID Moçambique, e contou com a participação de 80 jovens, que estudam entre o 7º e o 12º anos.

Foto: Ranger do Niassa Carnivore Project / earthranger.com

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