Jul 14, 2026 |
Um novo catálogo dos fotógrafos Orlando Miranda e Salvador Colvée juntaram-se a investigadores para criar um arquivo visual ímpar sobre o Arquipélago do Bazaruto.
Com o lançamento do catálogo Wild Bazaruto, a conservação ambiental ganha uma nova ferramenta que alia a estética ao rigor científico para expor a enorme complexidade de uma das zonas mais ricas e vitais do Oceano Índico.
A produção desta obra resulta de um trabalho conjunto que integra as equipas do Bazaruto Center for Scientific Studies (BCSS) e do Kisawa Sanctuary, sob a direcção e validação científica do investigador Mario Lebrato.
De acordo com o BCSS, a publicação assume-se como um compêndio ecológico e cultural de um território permanentemente moldado por forças naturais. Como explica, o longo processo geológico de mais de cem mil anos, ditado pelas correntes, ventos e oscilações das marés, dotou estas cinco ilhas de um mosaico ímpar que aglomera recifes de coral, mangais vibrantes, prados de ervas marinhas e sistemas dunares em constante transição geográfica.
A biodiversidade exposta ao longo das páginas do novo natálogo confirma o estatuto global de conservação deste santuário marinho. As áreas protegidas documentadas albergam desde populações cruciais de dugongos, dependentes das pradarias subaquáticas para alimentação, a cinco espécies distintas de tartarugas marinhas.
A recolha fotográfica abrange também os imponentes tubarões-baleia, raias-manta e mais de sessenta espécies de elasmobrânquios que dominam os recifes e canais oceânicos da região. Ao focar-se na vertente científica, a obra funciona igualmente como uma expansão visual e pedagógica do Observatório Oceanico gerido pelo BCSS, sustentando a longa compilação de dados sobre a rota migratória de baleias-jubarte e de raros cetáceos que demandam uma vigilância ecológica contínua.
A dimensão humana constitui outro eixo vital do Wild Bazaruto. A obra recua às primeiras ocupações na Idade do Ferro para enquadrar a profunda ligação contemporânea entre as populações costeiras, as práticas de pesca artesanal sustentável e a língua e cultura do povo Xihoca.
Para os promotores desta iniciativa, a fotografia desempenha um papel activo e inquestionável no seio da investigação ambiental, seja na identificação individual de animais por via de imagens de barbatanas, seja no próprio mapeamento dos habitats vulneráveis.




Fotos: BCSS/Orlando Miranda e Salvador Colvée




