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Por Carlos Odete Honwane, Especialista em Produção Pesqueira

Conservação em Moçambique: entre o saber técnico e o compromisso comunitário

Out 13, 2025 |

A conservação ambiental em Moçambique é, hoje, mais do que uma urgência ecológica é uma questão de soberania, dignidade e futuro. Num país onde os recursos naturais sustentam milhares de famílias, sobretudo em zonas costeiras e rurais, proteger o ambiente não pode ser um exercício distante, técnico ou imposto. Tem de ser vivido, compreendido e praticado por quem depende dele.

Como licenciado em Produção Pesqueira pela Universidade Eduardo Mondlane, com especialização em aquacultura e experiência técnica na produção de tilápia, defendo uma conservação que nasce da integração entre ciência, comunidade e território. Acredito que o conhecimento técnico só ganha sentido quando se transforma em prática acessível e quando é partilhado com quem vive directamente dos ecossistemas que procuramos proteger.

Ao longo da minha trajectória profissional, tive a oportunidade de trabalhar directamente com comunidades pesqueiras e em ambientes de produção aquícola, onde a realidade é marcada por desafios logísticos, escassez de recursos e ausência de políticas adaptadas ao contexto local. A produção de tilápia, por exemplo, tem um enorme potencial para garantir segurança alimentar e rendimento sustentável, mas continua limitada por dificuldades na distribuição de ração, falta de formação técnica e ausência de apoio institucional contínuo.

A conservação, neste cenário, não pode ser apenas protecção de espécies ou delimitação de áreas. Tem de incluir capacitação, acesso a tecnologias apropriadas, valorização dos saberes locais e envolvimento activo das populações. O pescador artesanal, a mariscadora, o jovem técnico rural, todos são agentes de conservação, desde que sejam reconhecidos como tal.

Em zonas como Inhaca e Chongoene, onde tive a oportunidade de actuar, testemunhei como pequenas acções, como a introdução de boas práticas de manejo, formação em aquacultura ou melhoria na logística de insumos, podem transformar realidades e gerar impacto duradouro. A conservação torna-se eficaz quando é construída com os actores locais, e não apenas sobre eles.

Além disso, é fundamental que as instituições que promovem a conservação reconheçam o valor da experiência prática. A ciência aplicada, quando aliada ao conhecimento empírico das comunidades, gera soluções mais robustas, adaptadas e sustentáveis. A minha formação técnica e a vivência em campo ensinaram-me que o diálogo entre saberes é o caminho mais seguro para proteger o ambiente sem excluir as pessoas.

Moçambique precisa de uma conservação com rosto humano, que una o rigor técnico à sensibilidade comunitária. Precisamos de políticas que não apenas protejam, mas que empoderem. De instituições que não apenas fiscalizem, mas que escutem. E de profissionais que não apenas executem, mas que inspirem.

Coloco-me à disposição para colaborar com iniciativas que promovam esta visão integrada da conservação, seja através da produção de conteúdos, participação em projectos ou contributos técnicos. Acredito que, juntos, podemos construir um modelo de desenvolvimento sustentável que respeite o ambiente sem esquecer as pessoas.

Porque conservar é, acima de tudo, cuidar e Moçambique merece ser cuidado com conhecimento, coragem e compromisso.

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