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Kambaku

Fruto do embondeiro pertence a quem chega primeiro nas matas de Guro

Ago 18, 2026 |

As colhedoras de embondeiro de Nhamassonge, no distrito de Guro, partem em grupos de duas a cinco às quatro da manhã para chegarem primeiro ao fruto que é propriedade de quem o apanhar.

Como conta a FAO, em Moçambique, que acompanhou a Associação de Mulheres Colectoras de Embondeiro, organizadas em pequenos grupos, procuram aumentar a eficiência do trabalho e para garantir segurança no percurso de quase uma hora que separa a povoação das árvores.

A hora de partida obedece a uma regra prática. Não existe propriedade sobre os embondeiros, que são um recurso partilhado, e o fruto pertence a quem chegar primeiro. Quando o vento sopra com força durante a noite, o malambe cai, e as primeiras a chegar recolhem mais.

Segundo a mesma organização, cada mulher consegue reunir entre 70 e 150 quilogramas de fruto por dia durante a época. O rendimento entra directamente na economia familiar, em alimentação, propinas escolares e material de construção, sendo comum servir para erguer a própria casa.

Depois de recolhido, o malambe seca durante cerca de um mês em estrados de madeira elevados, é transportado para a vila de Guro para um primeiro processamento e termina em Chimoio, onde a polpa é transformada em pó. Trinta e cinco mulheres integram a associação, apoiada pela Fundação Micaia, e abastecem a Baobab Products Mozambique.

O malambe faz parte da alimentação local há gerações, comido fresco, misturado em papas ou transformado em iogurte. Pende dos ramos numa casca dura e contém sementes envolvidas por uma polpa seca e farinhenta que é a parte com maior valor comercial.

Segundo o Centro de Conhecimento para a Agricultura Biológica em África, essa polpa é rica em vitamina C, ferro e cálcio e possui propriedades antioxidantes comprovadas, características que sustentam a procura internacional. O fruto é também tradicionalmente usado na preparação de bebidas em toda a zona seca africana.

A opção por recolher apenas fruta caída, sem danificar as árvores, é apontada pela FAO como uma prática já alinhada com critérios de sustentabilidade. A dependência das árvores existentes tem uma explicação biológica. O embondeiro demora entre 16 e 23 anos a dar fruto e não é cultivado em plantação, gerando cada árvore cerca de 1500 frutos por ano.

Ainda segundo o Centro de Conhecimento para a Agricultura Biológica em África, a Baobab Products Mozambique foi criada em 2015 com o apoio da Fundação Micaia e tornou-se num dos principais exportadores africanos de pó de embondeiro biológico, tendo adquirido cerca de 400 toneladas de polpa e semente em 2019.

O trabalho da associação é acompanhado no âmbito de dois projectos transfronteiriços entre Moçambique e o Zimbabué, o dos Bosques de Miombo e o de desenvolvimento de cadeias de valor agrícolas e comércio, ambos financiados por Itália através da Agência Italiana para a Cooperação e o Desenvolvimento e executados pela FAO em apoio ao Governo moçambicano.

Foto: FAO/Luis Tato

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