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Kambaku

Gestão da água determinou sucesso das translocações de búfalos em Moçambique

Ago 4, 2026 |

A construção de barragens e a abertura de furos foram determinantes para fixar os búfalos transferidos entre áreas de conservação nos últimos anos, defendem investigadores num novo estudo.

De acordo com o estudo publicado na African Journal of Ecology, o que separou as operações bem sucedidas das que falharam não foi a semelhança climática entre origem e destino, mas a existência de intervenções capazes de compensar as limitações ecológicas dos locais de chegada.

O trabalho é assinado por Carlos M. Bento, Paulo E. Cardoso, Richard D. Beilfuss e Christian T. Chimimba, e teve financiamento da Universidade Eduardo Mondlane e da Agência Sueca de Cooperação Internacional.

O caso mais demonstrativo é o da Coutada 9, área de caça de 4333 quilómetros quadrados situada no distrito de Macossa, em Manica. Segundo o mesmo estudo, o destino apresentava um índice de aptidão de habitat praticamente nulo, o pior de toda a análise, e a queda face à reserva do Marromeu, de onde os animais saíram, foi de 0,92 pontos. A operação resultou porque foram construídas 36 barragens para assegurar água permanente. Dos 287 animais translocados em 2015 e 2017, a população passou a 350 indivíduos em 2020.

Na Gorongosa, os autores associam o êxito das transferências vindas dos parques nacionais do Kruger e do Limpopo à instalação de furos e ao fornecimento dirigido de água. Foram libertados 210 búfalos entre 2006 e 2011 e, em 2014, o efectivo rondava já os 400 animais.

No Parque Nacional do Gilé, a transferência partiu do Niassa e implicou uma perda de aptidão de 0,6 pontos. Ainda assim, o regime de precipitação mais estável e as melhorias de habitat realizadas antes da libertação permitiram a fixação. Os 67 animais chegados entre 2012 e 2013 eram 138 em 2016.

O estudo acrescenta um segundo critério para o planeamento futuro. Moçambique está dividido em seis zooregiões definidas pelos conjuntos de vertebrados terrestres que as caracterizam, e as transferências dentro da mesma zooregião revelaram-se mais viáveis do que as que atravessam fronteiras faunísticas, por estas exporem os animais a novos predadores, competidores e parasitas.

Os autores propõem que estes índices passem a integrar os protocolos nacionais de translocação como instrumento de apoio à decisão da Administração Nacional das Áreas de Conservação. Deixam, porém, uma ressalva. As obras que sustentaram estes sucessos exigem investimento continuado, o que levanta dúvidas sobre a viabilidade a longo prazo de populações dependentes de água artificial.

A área onde essa dependência é maior integra hoje um projecto de restauração de escala bem superior. Como noticiou a NATURA Moçambique, a associação, que gere a vizinha Coutada 13 ao abrigo de uma concessão atribuída pela ANAC, estabeleceu uma parceria com a entidade que detém os direitos de gestão da Coutada 9 para uma gestão integrada do ecossistema, alargando a área de intervenção para cerca de 8500 quilómetros quadrados.

Foto: ic.pics.livejournal.com

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