Jan 13, 2026 |
O oceano sempre esteve no meu coração, mas nunca imaginei que pudesse tornar-se a minha sala de aula e o meu propósito de vida. Observar e ajudar os meus instrutores quando ainda era aluna inspirou-me a tornar-me instrutora. A oportunidade de ensinar mergulho e sobre os oceanos a outras pessoas deixa-me realmente feliz. Essa alegria de aprender e partilhar é o que me motiva todos os dias.
Tinha 17 anos quando comecei a mergulhar e, cinco anos depois, passei no curso de instrutora e tornei-me a segunda mulher moçambicana instrutora de mergulho e a primeira em atividade a ensinar na altura. Algo que nunca tinha sonhado antes.
Não foi fácil. O meu percurso como mulher moçambicana no sector do mergulho foi muito desafiante. O mergulho é uma indústria dominada principalmente por homens, e aprender as habilidades do mergulho em si foi difícil. Muitas pessoas perguntaram-me «porquê?», ao que eu sempre respondia «e por que não?».
Entrar no mundo do mergulho como mulher moçambicana foi muito desafiante, porque tive de aprender a nadar e a falar inglês. Muitos moçambicanos, especialmente mulheres, não sabem nadar. Tive de dominar a natação através de treinos numa piscina e depois no oceano, e só então pude começar a mergulhar. Mas cada desafio tornou-me mais forte.
Liderar mergulhos científicos é uma das partes mais gratificantes do meu trabalho, porque ajudo a recolher dados debaixo de água e à superfície, liderando pesquisas e processamento e análise de dados.
O oceano ensina-nos lições que não podem ser aprendidas em nenhum outro lugar. Falar sobre as nossas experiências, os momentos intrigantes e incríveis que passamos debaixo de água, inspira-me e a todos os que se juntam a nós a cuidar do mar. É realmente maravilhoso lá em baixo!
E quero realmente convidar mais moçambicanos, especialmente raparigas jovens, porque isso é importante. Ter mais mulheres africanas envolvidas na ciência marinha e no mergulho ajuda a levar mais descobertas científicas às comunidades. Ter mais mulheres incentivará mais jovens que talvez nunca tenham imaginado a si mesmas nessas funções.
Espero que mais moçambicanos percebam que o oceano não é apenas um lugar para visitar, é um mundo para proteger.
Alguns momentos ficam no meu coração para sempre. O dia em que vi um grupo de baleias jubarte enquanto mergulhava é um dia que nunca esquecerei. O encontro inesperado durou alguns minutos, mas pareceu uma eternidade. Experiências como esta lembram-nos porque é que a conservação é tão importante, o oceano está cheio de vida que devemos valorizar.
O mergulho ensina mais do que habilidades. Nesta experiência, aprende-se o lado técnico, mas também se aprendem lições poderosas sobre o oceano, o ambiente marinho e o ecossistema, os impactos negativos e positivos. Ao experimentar o oceano diretamente, ganhamos uma paixão por protegê-lo, e isso é algo que os moçambicanos também podem fazer.
Aos jovens moçambicanos e moçambicanas que sonham com o oceano, quero dizer que é preciso muita paciência, dedicação e trabalho árduo para alcançar o que se deseja. Nunca pensei que estaria aqui hoje, mas todos os fracassos, desafios e conquistas fizeram de mim quem sou hoje. Com perseverança e fé, podem alcançar todos os seus objetivos.
O oceano faz parte da alma de Moçambique. Se o amarmos, estudarmos e protegermos, o mar continuará a dar vida, beleza e esperança às gerações futuras.
Espero vê-los lá em baixo, no oceano, a olhar mais longe, para o nosso futuro comum!


