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Kambaku

Navio norueguês percorre costa em expedição com cientistas moçambicanos a bordo

Ago 11, 2026 |

O navio de investigação Dr. Fridtjof Nansen navega pela costa moçambicana numa missão científica de 42 dias com 18 cientistas internacionais e moçambicanos.

A embarcação norueguesa encontra-se a percorrer o litoral do Parque Nacional de Maputo no âmbito de uma parceria com o Instituto Oceanográfico de Moçambique (InOM), tendo direcção do parque informado informado pescadores, visitantes e comunidades locais da zona costeira desse trabalho científico.

Os cientistas moçambicanos a bordo do Dr. Fridtjof Nansen juntam-se ao corpo residente de cientistas internacionais que está a realizar uma expedição que passa por águas de outros países da África Oriental.

O objectivo central da missão é avaliar os recursos pesqueiros e os ecossistemas marinhos ao longo de toda a costa moçambicana, informou o Instituto Nacional do Mar (INAMAR) a entidade que exerce a autoridade marítima em Moçambique.

De acordo com o INAMAR Tommy Seeffensen, o capitão da embarcação científica, afirmou “estou muito feliz de estar de volta ao país. É sempre bom voltar a Moçambique para fazer pesquisa. Vamos cuidar muito bem dos cientistas moçambicanos que se juntam a nós. Estaremos de volta aqui em 40 dias e depois continuaremos com a pesquisa.”

A missão actual é a terceira visita do navio a águas moçambicanas em menos de dois anos. Em Março de 2025, a KAMBAKU noticiou a presença do Dr. Fridtjof Nansen ao largo da Ponta do Ouro, numa missão que registou 1009 grupos distintos de peixes e invertebrados. Noutra missão, em Novembro desse mesmo ano, partiu de Maputo para uma missão científica de três semanas no sudoeste do Oceano Índico, onde 17 cientistas de onze países estudaram tubarões de profundidade, stocks de alfonsim e ecossistemas de coral e esponja num montículo submarino situado a cerca de 270 milhas náuticas a sul de Madagáscar.

Os dados recolhidos nestas sucessivas missões já produziram resultados científicos publicados. Segundo a Associação de Ciências Marinhas do Oceano Índico Ocidental (WIOMSA), foi recentemente editado um número especial do Western Indian Ocean Journal of Marine Science inteiramente baseado em dados recolhidos pelo Dr. Fridtjof Nansen em surveys realizados em Moçambique, Madagáscar e África do Sul, dedicado à biodiversidade dos fundos marinhos de sedimento mole da região.

Segundo o Instituto de Investigação Marinha da Noruega, o programa Nansen, hoje designado EAF-Nansen, decorre desde 1975, sendo o mais antigo projecto de desenvolvimento científico marinho do mundo, com missões realizadas em cerca de 60 países de África, Ásia e América. A actual embarcação, terceira a ostentar o nome do explorador e cientista norueguês Fridtjof Nansen, foi entregue em Janeiro de 2017 e fez a viagem inaugural em Maio do mesmo ano, a partir de Casablanca. Pertence à agência norueguesa de cooperação para o desenvolvimento, é operada pelo instituto norueguês e é o único navio de investigação do mundo com a bandeira das Nações Unidas. A missão é actualmente apoiada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A informação recolhida nestas expedições contribuem directamente, de acordo com o INAMAR, para as políticas de gestão sustentável das pescas e para a protecção da biodiversidade marinha, permitindo a Moçambique e outros países aferir o estado das suas espécies oceânicas e a sustentabilidade dos seus recursos pesqueiros.

Fotos: Instituto de Investigação Marinha da Noruega

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