Apr 28, 2026 |
Investigadores que descobriram quatro novas espécies de camaleão nos Montes Namuli, Inago, Chiperone e Ribáuè, alertam que estas enfrentam já um elevado risco devido à perda de habitat florestal.
O alerta é feito apenas alguns anos após a expedição realizada entre 2014 e 2018, levada a cabo em montes isolados do norte de Moçambique, situados na Provícia da Zambézia, que revelou a existência de quatro espécies inéditas de camaleões do género Nadzikambia, cada uma confinada a uma única “ilha do céu”, como são conhecidas estas formações rochosas ricas em biodiversidade.
Os resultados confirmaram que o isolamento ecológico destes montes, Namuli, Inago, Chiperone e Ribáuè, favoreceu processos de especiação da herpetofauna local, originando linhagens únicas de répteis, incluindo camaleões da floresta que não ocorrem em mais nenhuma região.
Estas formações, maciços graníticos que se elevam abruptamente acima da savana, criam condições microclimáticas húmidas que sustentam florestas tropicais densas e altamente especializadas, num contexto regional predominantemente árido.
De acordo com Krystal Tolley que, juntamente com Werner Conradie, liderou a expedição, apesar da relevância taxonómica das descobertas, os dados apontam para uma situação crítica. A destruição de habitat causada pela agricultura de corte e queima tem reduzido drasticamente a extensão das florestas montanas.
Como escreve no The Conversation, em alguns casos, estima-se que entre 80% e 90% da cobertura florestal original tenha sido eliminada ao longo das últimas décadas, comprometendo a viabilidade das populações recentemente descritas.
Os camaleões da floresta apresentam comportamentos e adaptações que dificultam a sua detecção, incluindo camuflagem eficiente e permanência em estratos elevados da vegetação. A sua localização exigiu campanhas nocturnas intensivas em condições logísticas adversas, sem trilhos definidos ou acesso a comunicações, reforçando o carácter exploratório destas expedições.
As quatro espécies foram formalmente descritas e nomeadas com o intuito de destacar tanto contributos científicos históricos como a urgência da conservação. Entre elas, Nadzikambia goodallae, do Moonte Ribáuè, homenageia Jane Goodall, enquanto Nadzikambia franklinae, do Monte Namuli, reconhece Rosalind Franklin e a importância da análise genética na confirmação destas espécies.
A espécie Nadzikambia evanescens, do Monte Inago, remete para o desaparecimento progressivo do habitat, ao passo que Nadzikambia nubila, do Monte Chiperone, reflecte as condições atmosféricas características deste ecossistema.
Três destas espécies são consideradas em elevado risco de extinção, sobretudo devido à rápida conversão de floresta para uso agrícola. Em contraste, o Monte Chiperone apresenta um cenário relativamente mais estável, dado que a floresta local é protegida por práticas culturais da comunidade, que a considera sagrada.
Num contexto mais amplo, estima-se que cerca de 25% das florestas tropicais africanas tenham sido perdidas desde 1990, enquanto a nível global quase 30% das florestas tropicais foram destruídas ou severamente degradadas no mesmo período. Este quadro, aliado ao conhecimento ainda incompleto sobre a distribuição da biodiversidade, sugere que múltiplas espécies poderão desaparecer antes de serem cientificamente documentadas.

Foto principal: Macho sylvan chameleon (Nadzikambia goodallae) do Monte Ribáuè. Créditos das imagens: Krystal Tolley e The Conversation




