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Kambaku

Crocodilos em zonas inundadas causam mortes durante cheias no sul de Moçambique

Jan 27, 2026 |

Os crocodilos que foram arrastados pelas cheias já provocaram pelo menos três mortes no sul de Moçambique, num contexto de inundações graves que afectaram o sul do país, a África do Sul e o Zimabwe.

As cheias que assolaram a região trouxeram este perigo adicional às populações afectadas com a presença de crocodilos em áreas urbanas submersas. Em várias localidades do sul do país, estes répteis, normalmente confinados aos grandes rios, têm sido avistados em zonas habitadas, estando já associados a pelo menos três mortes.

De acordo com a Associated Press, no início deste mês, dois residentes morreram num ataque de crocodilos na província de Gaza, num incidente que deixou ainda três pessoas feridas. Noutro caso, registado em Moamba, vila da província de Maputo, um homem foi “engolido” por um crocodilo, segundo declarações do secretário provincial Henriques Bongece citadas pela imprensa local.

As autoridades em Maputo indicam que estes animais terão sido empurrados para zonas habitadas pelas águas de cheia provenientes de um parque natural situado na vizinha África do Sul, aumentando o risco para as populações ribeirinhas e urbanas.

A situação é particularmente grave em Xai-Xai, capital da província de Gaza e uma das áreas mais afectadas pelas inundações. As autoridades locais alertaram os residentes para o risco acrescido de ataques de crocodilos à medida que as águas continuavam a subir e milhares de pessoas eram evacuadas para zonas mais elevadas.

As chuvas torrenciais que atingiram o sul de África ao longo do último mês provocaram mais de uma centena de mortos em Moçambique, África do Sul e Zimbabwe. No território moçambicano, as cheias destruíram milhares de habitações e causaram danos significativos em infra-estruturas essenciais, incluindo estradas, pontes, escolas e unidades de saúde.

Segundo dados oficiais, das 13 mortes directamente associadas às cheias em Moçambique, três foram provocadas por ataques de crocodilos, um número que ilustra a dimensão do risco adicional enfrentado pelas comunidades ribeirinhas.

Segundo Paola Emerson, chefe do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários em Moçambique, esta semana, após visitar a cidade disse que “os crocodilos que se encontram no rio Limpopo, neste caso, conseguem chegar a áreas povoadas que estão agora submersas, e isso é motivo de preocupação”.

O transbordo do rio Limpopo e de outros cursos de água permitiu que os crocodilos circulem livremente por zonas residenciais inundadas, aumentando o perigo sobretudo para pessoas que tentam atravessar áreas alagadas ou proteger bens. As autoridades apelaram à máxima cautela, recomendando que a população evitasse contacto com águas de cheia e seguisse rigorosamente as instruções de evacuação.

Foto: cdn.futura-sciences.com

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