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Kambaku

Elefantes destroem machambas em Malema e reacendem debate sobre conflitos

Mai 5, 2026 |

Uma manada de elefantes devastou cerca de 10 hectares de culturas em Malema, Pronvíncia de Nampula, expondo riscos crescentes da convivência entre fauna bravia e comunidades.

A incursão resultou na destruição de extensas áreas agrícolas, afectando directamente meios de subsistência locais. De acordo com autoridades distritais, os animais fizeram diversos raides em menos de uma semana, com uma especial preferência por milho e feijão bóer.

Segundo o responsável do Serviço Distrital de Actividades Económicas, a manada terá atravessado o rio Lúrio proveniente da província do Niassa, onde se situa a Reserva Especial do Niassa, considerada a maior área de conservação do país, como reportaram a TVM (vídeo em baixo e a Club of Mozambique.

A origem dos elefantes reforça a complexidade da gestão transfronteiriça da fauna bravia, sobretudo em regiões onde os limites entre áreas protegidas e zonas habitadas são ténues. Apesar da dimensão dos prejuízos agrícolas, não há registo, até ao momento, de ataques contra pessoas.

Ainda assim, as autoridades alertam para a possibilidade de novos danos enquanto os animais permanecerem na região. As medidas em curso passam essencialmente por acções de afugentamento, uma vez que os elefantes são uma espécie totalmente protegida pela legislação moçambicana.

O caso está a ser acompanhado em coordenação com o governo provincial, numa tentativa de encontrar soluções que mitiguem o impacto imediato e previnam futuras ocorrências. Este tipo de conflito é recorrente em várias zonas rurais do país, particularmente ao longo de cursos de água e durante a época chuvosa, quando a disponibilidade de alimento atrai animais para áreas agrícolas.

Na mesma semana em que estes incidentes ocorreram, a primeira-ministra, Maria Benvinda Levi, apelou ao reforço de soluções para reduzir o conflito entre o homem e a fauna bravia, sublinhando que, embora a conservação seja essencial, a protecção da vida humana e dos meios de subsistência das comunidades deve constituir a principal prioridade.

A governante defendeu ainda o aperfeiçoamento de mecanismos de prevenção, bem como o reforço da gestão sustentável das áreas de conservação, durante a tomada de posse do novo director-geral adjunto da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), de acordo com a Agência Lusa.

A situação em Malema surge num contexto mais amplo de pressão crescente entre populações humanas e fauna selvagem na África Austral. No início de Abril, o ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, reconheceu o aumento das populações de elefantes na região e defendeu a necessidade de uma abordagem coordenada entre países.

Dados da Administração Nacional das Áreas de Conservação indicam que, entre 2019 e 2023, a fauna bravia foi responsável pela destruição de 955 hectares de culturas como milho e mandioca. Paralelamente, informações do Instituto Nacional de Estatística revelam que o número de mortes resultantes de ataques de animais quase triplicou em 2023, atingindo 159 vítimas.

O mesmo levantamento aponta ainda que mais de 200 mil pessoas vivem dentro de áreas de conservação em Moçambique, distribuídas por 162 comunidades, enquanto mais de meio milhão reside em zonas tampão adjacentes. Estes números evidenciam os desafios estruturais de conciliar conservação da biodiversidade com desenvolvimento rural, num país onde a dependência da agricultura de subsistência continua a ser elevada.

Foto: WCS Moçambique

Vídeo: TVM

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