O ObservA – Observatório Ambiental para Mudanças Climáticas tem como missão promover o conhecimento científico e a educação ambiental em Moçambique, valorizando biodiversidade e fomentando práticas sustentáveis. Neste contexto, a observação de aves (ou birdwatching) surge como uma das formas mais acessíveis, educativas e envolventes de se conectar com a natureza e promover a conservação ambiental. A existência e número de avões podem ser usadas para medir o impacto das Mudanças Climáticas no Mundo.
O BIRDWATCHING DAY comemorado anualmente em duas datas, também conhecido como Global Bird ou ainda Day World Migratory Bird Day, segue esta lógica para possibilitar que este fenômeno seja visto por mais pessoas no mundo.
Neste ano, a primeira data foi em Maio (Primavera no Hemisfério Norte), coincidiu num sábado, o passado dia 11, sendo que a migração de aves segue o sentido do sul para o norte.
Em Outubro (Primavera no Hemisfério Sul), vai ser comemorada a segunda data, segundo sábado de outubro, que neste ano será em 11 de outubro, destacando a migração de retorno de aves, no sentido norte sul.
Moçambique é um dos destinos mais promissores do sul de África para a observação de aves, reunindo uma combinação única de paisagens costeiras, florestas tropicais, savanas, montanhas e zonas húmidas. Com mais de 755 espécies de aves registadas, segundo BirdLife International (2024) e eBird Cornell Lab of Ornithology (2024) o país abriga desde espécies comuns e coloridas até aves raras, migratórias e endémicas que despertam o interesse de ornitólogos e amantes da natureza de todo o mundo. Essa diversidade torna Moçambique um verdadeiro paraíso para o birdwatching, uma atividade que combina turismo, conservação e educação ambiental.
Ao longo do território moçambicano, existem áreas naturais de grande valor ecológico onde a avifauna se destaca tanto pela sua variedade como pela sua importância científica. Locais como o Parque Nacional da Gorongosa, o Monte Namuli, a Reserva Nacional de Gilé, o Parque Nacional do Niassa, o Arquipélago das Quirimbas e as zonas costeiras de Inhambane e Gaza, não só por oferecerem habitats diversos como também acolhem espécies únicas e difíceis de encontrar em outras partes do continente. Alguns desses lugares são especialmente valiosos por abrigarem aves endémicas — que só existem em Moçambique — e outras ameaçadas de extinção.
A prática do birdwatching vai muito além de um simples passatempo: ela representa uma forma sustentável de conhecer e valorizar a biodiversidade, incentivando o ecoturismo responsável e contribuindo para a proteção dos habitats naturais. Além disso, pode ser uma fonte alternativa de rendimento para comunidades locais e uma ferramenta poderosa de educação ambiental. Conhecer as aves moçambicanas e os locais onde vivem é também uma forma de se reconectar com a natureza e com a riqueza ecológica do país.
Vamos neste texto apresentar alguns lugares que ganham destaque para a prática do birdwatching em Moçambique.
Parque Nacional da Gorongosa (Sofala) – Localizado no centro de Moçambique, é uma das áreas de biodiversidade mais importantes do país e do continente. Com savanas, florestas de miombo, zonas húmidas e o Lago Urema, oferece habitats diversas espécies de aves, com destaque para Bico-de-lacre-comum (Estrilda astrild); Águia-cobreira-de-barriga-branca (Circaetus pectoralis); Garça-real (Ardea goliath); Zucão-de-Gorongosa (Ploceus burnieri), espécie recém-descoberta e endêmica da região montanhosa do parque; Cucos, Tecelões, Corujas e muito mais.
A melhor época para ir lá ver estes pássaros é na estação seca (maio a outubro), quando a observação é mais fácil.
Vale destacar que não falamos de todos os lugares onde podemos ter oportunidade de muitos outros pássaros.
Parque Nacional do Niassa (Niassa) – É a maior área de conservação de Moçambique, com paisagens de Miombo, vales de rios e escarpas. Muito remoto, é excelente para observação de aves pouco perturbadas, pois elas ainda vivem em lugares de baixo impacto da acção do Homem. Nestes lugares podemos observar: Turaco-de-Livingstone (Tauraco livingstonii); Calao-terrestre-sul-africano (Bucorvus leadbeateri); Coruja-pérola-africana (Glaucidium perlatum); Estorninho-de-cauda-comprida (Lamprotornis caudatus) e Águia-austral (Aquila rapax). Por ser um lugar pouco explorado por ornitólogos, apresenta um alto potencial para descobertas.
Monte Namuli (Zambézia) – Montanha sagrada e isolada, com floresta de altitude, campos abertos e zonas agrícolas ao redor. Considerada um hotspot de biodiversidade. Neste lugar é possível observar as seguintes espécies: Apalis-de-Namuli (Apalis lynesi) – endêmica, extremamente rara; Tecelão-de-Namáqua (Ploceus nicolli) – possível espécie endêmica; Papagaio-de-cabeça-cinza (Poicephalus fuscicollis suahelicus); Tchagra-preto-e-branco (Tchagra australis).
Reserva Nacional de Gilé (Zambézia) – Reserva de Miombo e floresta tropical, ainda pouco conhecida, mas rica em espécies pouco estudadas, entre essas espécieis, as seguintes aves: Pombo-verde-africano (Treron calvus); Trogão-nariz-vermelho (Apaloderma vittatum); Zosterops do Gilé (possível nova subespécie/endêmica) e Picanço-de-Taita (Lanius dorsalis).
Arquipélago das Quirimbas (Cabo Delgado) – Arquipélago de ilhas tropicais, mangais e recifes de coral, com riquíssima biodiversidade costeira e marinha., por causa dessa riqueza, de ecossistemas costeiros e marinhos é possível ver as seguintes aves: Garça-branca-grande (Egretta alba); Mergulhão-africano (Tachybaptus ruficollis); Andorinhas-marinhas migratórias; Águia-pesqueira-africana (Haliaeetus vocifer), Presença de aves costeiras, migratórias e de mangal.
Região de Inhambane (Tofo, Vilankulo, Bazaruto) – Zona costeira com dunas, florestas secas, mangais, estuários e ilhas tropicais. Popular entre mergulhadores, mas também excelente para observadores de aves, pois aqui é possível observar as seguintes espécies Tártaro-do-sol-de-cabeça-vermelha (Cinnyris regius); Abutre-de-cara-branca (Trigonoceps occipitalis); Garça-real, colhereiros, cegonhas e flamingos (nas zonas alagadas); Rolieiro-de-peito-lilás (Coracias caudatus).
E por fim neste texto, vamos falar da Reserva de Maputo, que faz parte da Área de Proteção Ambiental – APA da Ponta do Ouro até Parque Nacional de Maputo. Esta região costeira, onde a savana encontra as florestas de dunas, os mangais e as lagoas, oferece um mosaico de habitats excepcionais para a observação de aves. Com centenas de espécies registadas, incluindo turacos, rolieiros, garças, colhereiros e águias-pesqueiras, a reserva é um ponto estratégico para birdwatching durante todo o ano. A APA funciona também como um importante corredor ecológico transfronteiriço, ligando Moçambique à África do Sul e à Suazilândia, reforçando o seu valor para a conservação das aves migratórias e residentes, e proporcionando experiências únicas para amantes da natureza e da fotografia.
Aqui podemos ver as seguintes aves limícolas e aquáticas costeiras: Flamingo-grande (Phoenicopterus roseus); Maçarico-de-bico-direito (Limosa limosa); Borrelho-grande-de-coleira (Charadrius hiaticula); Garça-branca-grande (Ardea alba); Colhereiro-africano (Platalea alba); Gaivota-de-cabeça-cinzenta (Chroicocephalus cirrocephalus); Pilrito-de-peito-preto (Calidris alpina) e Águia-pesqueira-africana (Haliaeetus vocifer), podem ainda ser vistas aves florestais e de matas abertas:Rolieiro-de-peito-lilás (Coracias caudatus); Trogon-de-narina (Apaloderma narina); Papa-moscas-paradisíaco-africano (Terpsiphone viridis), Bucero-de-casco-vermelho (Tockus erythrorhynchus); Tecelões (ex: Ploceus velatus); Turaco-de-Livingstone (Tauraco livingstonii) e Francolim-comum (Pternistis natalenses).



Fotos de Diogo Marecos Duarte
Referências:
BirdLife International. (2024). Country profile: Mozambique. Disponível em: https://www.birdlife.org
eBird – Cornell Lab of Ornithology. (2024). Explore Species & Hotspots: Mozambique. Disponível em: https://ebird.org/region/MZ


