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Kambaku

SANPARKS reforça vigilância no Kruger após crime que marca centenário do parque

Jun 2, 2026 |

O Parque Nacional Kruger vai reforçar vigilância, tecnologia e equipas de guardas numa fase em que assinala 100 anos do mais antigo parque do continente africano.

O anúncio foi feito pela SANPAKS, entidade estatatal que gere os parque nacionais do país vizinho, depois de um casal idoso de turistas ter sido assassinado na semana passada numa zona remota do sector norte do parque, apenas a escassos quilómetros da fronteira com Moçambique.

A entidade indica que vai destacar mais ficais e melhorar os sistemas tecnológicos de vigilância e de alerta precoce para reforçar a segurança no terreno.

Segundo a SANPARKS, os resultados da investigação policial em curso deverão também ajudar a definir medidas adicionais para fortalecer o actual dispositivo de segurança no Kruger. A organização acrescenta que os sistemas tecnológicos já existentes contribuíram para identificar o veículo ligado ao desaparecimento dos turistas.

O ministro sul-africano das Florestas, Pescas e Ambiente, Willie Aucamp, classificou o caso como chocante e sem precedentes, referindo tratar-se da primeira ocorrência do género registada na história do Parque Nacional Kruger.

O reforço da segurança surge numa altura particularmente simbólica para a principal área protegida da África do Sul, que celebra o seu centenário a 31 de Maio. Criado oficialmente como parque nacional em 1926, o Kruger consolidou-se ao longo de um século como uma das mais importantes referências africanas em matéria de conservação da biodiversidade.

Com 19.623 quilómetros quadrados, distribuídos pelas províncias de Limpopo e Mpumalanga, o parque estende-se por 360 quilómetros de norte a sul e por 65 quilómetros de este a oeste. O território alberga 147 espécies de mamíferos, incluindo os chamados cinco grandes da savana — leão, leopardo, elefante, rinoceronte e búfalo — além de mais de 500 espécies de aves, répteis, anfíbios e uma vasta diversidade vegetal.

A relevância do Kruger ultrapassa as fronteiras da África do Sul. O parque partilha com Moçambique uma ligação estratégica através do Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo, constituindo um eixo ecológico e económico de grande importância para a África Austral. Para Moçambique, esta continuidade territorial tem peso acrescido tanto na conservação da fauna bravia como no potencial de desenvolvimento sustentável associado ao turismo de natureza.

A origem do parque remonta a 1898, quando, perante o abate excessivo de animais provocado pela caça desregulada, foi criada a Reserva de Caça de Sabie por iniciativa do então presidente Paul Kruger. Em 1902, James Stevenson-Hamilton assumiu a direcção da área e introduziu as primeiras medidas de gestão ecológica. Em 1926, o espaço viria a receber o estatuto formal de parque nacional e o nome pelo qual é hoje conhecido.

Na actualidade, o Kruger recebe cerca de dois milhões de visitantes por ano, dos quais aproximadamente 80 por cento são sul-africanos. O parque tem vindo igualmente a registar um aumento de turistas provenientes de outros países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. A actividade turística gera receitas superiores a 800 milhões de rands, sustentando empregos directos e dinamizando a economia local.

Apesar da importância ecológica e económica, o centenário é celebrado num contexto de forte pressão. Entre os principais desafios estão as alterações climáticas, com impacto esperado sobre pontos de água e regimes de precipitação, os custos elevados da vigilância anti-caça furtiva e as reivindicações das comunidades vizinhas por maior inclusão económica e reconhecimento dos seus vínculos culturais ao território.

Foto: DR

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