Skip to main content

Kambaku

Seca leva a controverso abate de animais selvagens na Namíbia

Set 9, 2024 |

A grave crise de seca que continua a assolar a Namíbia levou o governo local a anunciar, na semana passada, um plano polémico para o abate de 723 animais selvagens. O Governo namibiano defendeu que a medida visa aliviar os efeitos da seca, fornecendo carne de caça às comunidades mais afectadas.

O plano, conforme descrito pelo Ministério do Ambiente, Florestas e Turismo (MEFT) da Namíbia, prevê o abate de 83 elefantes, 300 zebras, 30 hipopótamos, 60 búfalos, 50 impalas, 100 elandes e 100 gnus, sendo que a maioria destes animais habita parques nacionais namibianos. Entre as áreas afectadas, encontram-se o Parque Nacional Namib Naukluft, o Parque Nacional Mangetti, o Parque Nacional Bwabwata, o Parque Nacional Mudumu e o Parque Nacional Nkasa Rupara, bem como várias zonas fora das fronteiras dos parques.

Romeo Muyunda, porta-voz do MEFT, declarou em comunicado de imprensa que a carne obtida através do abate irá reforçar o programa de assistência às vítimas da seca. Até ao momento, já foram abatidos 262 animais, com a operação a ser conduzida por caçadores profissionais e empresas de safaris contratadas pelo ministério.

Contudo, a medida foi rapidamente alvo de críticas por parte de um grupo de conservacionistas, que questionam as reais motivações por trás desta iniciativa. Num relatório publicado recentemente, sugerem que o plano do governo é de natureza política, colocando em dúvida as alegações de que o abate de animais tem um foco puramente ambiental. Segundo o MEFT da Namíbia, no entanto, o objectivo principal é a protecção da vida selvagem e dos ecossistemas, numa tentativa de mitigar os danos provocados pela seca prolongada.

De acordo com a Africa Geographic, o grupo composto por 14 conservacionistas, investigadores e cientistas desafiou publicamente o governo namibiano. Os autores do relatório, muitos dos quais preferem manter o anonimato por receio de represálias, questionam a validade ambiental e de segurança alimentar do plano e alertam para o perigo de esta prática criar um precedente preocupante. Os conservacionistas temem que outros governos africanos possam justificar a matança de animais selvagens sob o pretexto de alívio humanitário, tal como está a ser feito na Namíbia.

O grupo sublinha a fragilidade da vida selvagem africana, apontando para a diminuição drástica no número de elefantes africanos – de mais de 5 milhões em 1900 para pouco mais de 400 mil actualmente. Este dado, argumentam, serve como um poderoso lembrete da vulnerabilidade da fauna do continente.

John Grobler, jornalista ambiental namibiano citado no relatório, apela ao governo: “Estamos a pedir ao governo da Namíbia que cesse o ataque à nossa vida selvagem e, em vez disso, aproveite os seus recursos e conhecimentos para resolver os seus desafios de uma forma que ajude as populações locais, sem destruir o seu património natural.”

Em resposta às críticas, Romeo Muyunda reafirmou a posição do MEFT, defendendo os benefícios do abate. “Os argumentos incluídos no relatório são meras suposições,” declarou, salientando que a decisão de abater os animais não foi tomada “primariamente para alimentar as pessoas, mas sim como uma medida de conservação… O abate de animais selvagens é uma medida de conservação adoptada pela autoridade responsável pela fauna no país.”

Foto: Africa Geographic

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.