Mar 31, 2026 |
Quarenta e três anos após a extinção local causada pela caça furtiva ainstabilidade política dos anos 1970-80 o Uganda está a restabelecer populações de rinocerontes em áreas protegidas.
De acordo com a Save the Rhinos, as autoridades ugandesas de vida selvagem iniciaram a reintrodução de rinocerontes no Parque Nacional do Vale de Kidepo, no nordeste do país, junto à fronteiram com o Sudão do Sul, uma área protegida onde a espécie tinha desaparecido há mais de quatro décadas devido à caça furtiva.
Esta translocação de oito novos indivíduos provenientes da África do Sul acontece com o objectivo de reforçar a diversidade genética do país, numa operação que eleva o total nacional para 61 rinocerontes.
O país, que perdeu completamente o rinoceronte-branco-do-norte e o rinoceronte-negro-oriental até 1982 e 1983, iniciou o processo de recuperação em 1997 com a criação do Rhino Fund Uganda.
A chegada dos primeiros rinocerontes-brancos-do-sul em 2001 e o lançamento de um programa de reprodução no Santuário de Ziwa, entre 2005 e 2006, permitiram estabelecer uma população viável sob forte protecção, sem registo de caça ilegal desde então.
Com esta base consolidada, o país avançou para a reocupação de habitats históricos. Em Janeiro de 2026, quatro rinocerontes foram transferidos para a Reserva de Ajai, marcando a primeira translocação interna no país, com planos para deslocar mais 16 animais e estabelecer uma população fundadora viável.
Em paralelo, o Parque Nacional do Vale de Kidepo, onde a espécie foi vista pela última vez em 1983, começou a receber rinocerontes. A 17 de Março de 2026, chegaram os dois primeiros de um grupo inicial de oito, após a criação de infra-estruturas críticas, incluindo cercas de segurança, pontos de água, acessos e sistemas de monitorização.
O plano nacional prevê ainda a expansão para outras áreas, como o Parque Nacional de Murchison Falls, e a possível introdução futura de pelo menos 20 rinocerontes-negros-orientais, reforçando a diversidade e resiliência das populações.

Fotos: Reuters




