Mai 20, 2025 |
Uma dúzia de chitas provenientes da África do Sul chegou à Conservação de Panyame, junto a Tchuma Tchato, na província de Tete, numa operação de reintrodução que desafia tanto a logística como os limites da resistência animal e humana.
Este projecto, de elevado risco e ambição, visa restaurar a presença da espécie numa região onde se encontrava praticamente extinta há décadas. A operação, idealizada pelo falecido conservacionista Vincent van der Merwe, envolveu um percurso de mais de cinquenta horas, iniciado com a sedação e acondicionamento dos animais em jaulas especiais na África do Sul.
A história do trajecto, contada pelo Daily Maverick, incluiu transporte aéreo até Tete, seguido de uma travessia terrestre por estradas degradadas e, finalmente, uma arriscada passagem fluvial pelo rio Zambeze, infestado de crocodilos e hipopótamos.
A última etapa implicou ainda a travessia do rio Panyame, afluente do Zambeze, até aos recintos de adaptação na Conservação de Panyame, uma área de 210 mil hectares no vale do Médio Zambeze.
As chitas foram libertadas em sete recintos de adaptação (bomas) robustos, localizados na Conservação de Panyame, zona escolhida por ser frequentada por um macho solitário avistado em 2023, facto que motivou a iniciativa.
A região apresenta abundância de presas naturais, como impalas, búfalos e elefantes, e alberga outros grandes predadores, como leões, leopardos e hienas, o que assegura condições propícias para a sobrevivência e integração das chitas.
De acordo com o reportado, os doze exemplares – seis machos e seis fêmeas, todos em idade reprodutiva – demonstraram surpreendente vitalidade após a longa jornada. Equipados com coleiras de rádio, serão monitorizados de perto após a libertação definitiva, prevista para 15 de Maio. Segundo os veterinários, os animais apresentaram sinais de rápida recuperação e adaptação ao novo ambiente.
A operação foi financiada pela Origins Foundation, entidade dedicada ao uso sustentável dos recursos naturais. Apesar de ligada ao sector da caça, a fundação sublinha que as chitas, espécie protegida, não serão alvo desta prática.
Actualmente, estima-se que existam cerca de 7.000 chitas selvagens em África, ocupando menos de 10% do seu território histórico. O sucesso desta reintrodução poderá transformar a Conservação de Panyame num dos raros bastiões de crescimento populacional da espécie, a par da África do Sul e da Índia.
A chegada das chitas à província de Tete representa não só um feito logístico e científico, mas também um sinal de esperança para a biodiversidade moçambicana. Resta agora esperar que o vale do Médio Zambeze volte a ser palco da velocidade e elegância deste emblemático felino africano.


Fotos: Daily Maverick




