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Kambaku

Comércio de partes de leão ameaça espécie e preocupa especialistas

Jan 27, 2026 |

Um estudo internacional alerta que a caça furtiva dirigida para obter partes do corpo de leões está a aumentar em África e pode representar uma ameaça existencial à espécie, com Moçambique identificado como zona de preocupação.

Dados da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) colocam a espécie na lista de Vulneráveis, com estimativas de apenas 22 000 a 25 000 leões adultos e subadultos restantes em toda a África, de acordo com o jornal sul africano Daily Maverick.

Embora a perda de habitat, conflitos com comunidades humanas e diminuição das presas naturais tenham historicamente explicado a queda das populações, o estudo documenta uma mudança preocupante nos últimos cinco anos: os leões estão a ser mortos de forma deliberada para que as suas partes integrem redes de comércio ilegal de fauna bravia.

O relatório sublinha que, ao contrário de outros tipos de pressão que os leões enfrentam, a caça furtiva dirigida às partes do corpo é muitas vezes sub-reportada e dificilmente detectável, especialmente em vastas áreas remotas com monitorização limitada. Mais grave ainda, as técnicas usadas pelos caçadores — como o recurso a iscos envenenados — podem dizimar vários indivíduos de uma só vez, afectando também outras espécies, como aves necrófagas.

Moçambique surge neste contexto como um país de preocupação, com estudos realizados entre 2015 e 2019 a mostrar declínios dramáticos de leões em algumas regiões, atribuídos em grande parte à caça furtiva para obtenção de partes do corpo.

Embora nem sempre se tenha dados recentes completos, especialistas alertam para a necessidade de reforçar a vigilância e acções de conservação no país, numa altura em que o fenómeno parece estar a alargar-se a outras áreas do sul africano.

O estudo explica que não existe um único mercado de partes de leão, mas sim uma multiplicidade de circuitos comerciais,  alguns ligados a tradições culturais africanas que associam o leão a força, proteção e autoridade ancestral, outros a uma procura crescente em contextos urbanos e internacionais, inclusivamente como substitutos de produtos de tigre numa sequência de restrições ao tráfico de felinos maiores.

Embora hotspots de caça furtiva tenham sido identificados em regiões como sul de África, Sudeste da África e partes do leste e centro do continente, os investigadores avisam que muitos casos continuam por descobrir — estimando que apenas cerca de 20 % das mortes ilegais sejam detectadas em áreas de fraca presença de fiscalização.

Apesar dos dados alarmantes, o relatório aponta que ainda há sinais positivos: projectos de reintrodução bem-sucedidos em países como Ruanda, Malawi, Zâmbia e um esforço contínuo de organizações como African Parks demonstram que, com financiamento adequado, boa governação e envolvimento das comunidades locais, populações de leões podem recuperar.

Foto: DR

Info: Daily Maverick

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