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Kambaku

Criadores de leões enfrentam futuro incerto após proibição na África do Sul

Set 16, 2024 |

A decisão da África do Sul de eliminar gradualmente a criação de grandes felinos em cativeiro e proibir o uso de leões para fins comerciais deixou os criadores de leões preocupados com o futuro dos seus negócios. Autoridades têm sob a sua mira os produtores de “leões enlatados” para caça e o comércio internacional de ossos.

Um grupo de trabalho ministerial, nomeado pela antiga ministra do Ambiente, Barbara Creecy, recomendou em Dezembro de 2022 o encerramento do sector de criação, sem, no entanto, prever compensações financeiras para os proprietários de leões quando a proibição fosse aplicada. Em Abril, o governo sul africano implementou estas recomendações, sem estabelecer um prazo concreto para o fim da criação.

Desde as eleições nacionais na África do Sul, em Maio, que resultaram num governo de unidade liderado pelo Presidente Cyril Ramaphosa e a nomeação de um novo ministro do Ambiente, não houve alterações aos planos.

O país possui mais de 8.000 leões em cativeiro, a maior população de leões cativos no mundo, ultrapassando o número de leões selvagens em território sul-africano.

Willie Jacobs, do Ukutula Lodge and Lion Research Centre, proprietário de uma reserva de caça e investigador em reprodução artificial de vida selvagem, manifestou a sua preocupação com o impacto da proibição. Desde 2006, o seu lodge tem colaborado com universidades locais e internacionais em investigações de reprodução artificial e, em 2017, produziu os primeiros leões por inseminação artificial: “o governo não pode querer as duas coisas… Não podem autorizar a investigação e depois cortar a nossa fonte de rendimento”.

Contudo, organizações de conservação como a Four Paws, dirigida por Fiona Miles na África do Sul, defendem que os recursos actualmente destinados à indústria de criação de leões cativos poderiam ser melhor utilizados em esforços genuínos de conservação. Segundo Miles, as comunidades em torno das reservas de vida selvagem e parques nacionais poderiam beneficiar economicamente se o turismo fosse impulsionado.

Esta mudança de políticas levanta questões sobre o futuro do sector e o impacto sobre as pessoas que dependem dele, deixando criadores e trabalhadores num momento de incerteza.

Foto: chrisalvanas

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