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Kambaku

Formação em gestão de conflitos com a fauna bravia prepara fiscais de Mágoè

Mai 4, 2026 |

A organização moçambicana Mozambique Wildlife Alliance (MWA) formou guardas do Parque Nacional de Mágoè para lidarem com conflitos entre comunidades humanas e a fauna bravia.

O programa de formação, que decorre de uma parceria entre a MWA, o MozRural e a BIOFUND, contempla três fases diferentes sendo esta, a que formou no terreno em ambiente real dois fiscais de Mágoè que se deslocaram à base da MWA, no sul de Moçambique, para acompanhar de perto o trabalho desenvolvido no terreno por equipas que lidam diariamente com a convivência entre comunidades e fauna bravia.

De acordo com a MWA, os fiscais que fizeram parte desta formação são profissionais experientes, com vários anos de ligação ao Parque Nacional de Mágoè, incluindo períodos em que aquela área de conservação enfrentava limitações significativas em meios e atenção institucional. Contudo, e com o parque a entrar agora numa nova fase, a formação surge como uma oportunidade para ampliar conhecimentos e ferramentas operacionais.

Ao longo dos dias de formação os guardas estiveram integrados nas chamadas Comunidades Agrícolas Protegidas, onde acompanham duas estruturas centrais da actuação da MWA: os Elephant Shepherds e a equipa de Conflito Homem-Fauna Bravia.

Os primeiros trabalham directamente com as comunidades para prevenir incidentes com elefantes, ajudando a afastar os animais de machambas e habitações antes que ocorram danos. Já a segunda equipa intervém quando os conflitos já estão em curso, fazendo a mediação no terreno e apoiando a resposta a situações mais complexas.

Segundo a organização, esta não é uma formação de sala, mas sim um processo assente na prática e na observação directa. Durante vários dias, os fiscais visitantes acompanham situações reais, desde a resposta a elefantes próximos de campos agrícolas durante a noite até ao diálogo com famílias afectadas pela perda de colheitas. O treino inclui ainda a forma como os incidentes são registados, para que possam mais tarde apoiar decisões de gestão e prevenção.

O objectivo é que os conhecimentos levados de regresso a Mágoè não sejam apenas conceitos teóricos, mas instrumentos ajustados à realidade de profissionais que conhecem bem o território, as comunidades locais e o comportamento da fauna ali presente.

A relevância desta acção ganha maior expressão num país com a dimensão e diversidade ecológica de Moçambique, onde as áreas de conservação enfrentam desafios distintos de região para região, mas partilham problemas comuns, sobretudo na gestão do conflito entre pessoas e animais selvagens.

No caso de Mágoè, a capacitação ocorre num momento estratégico. Após anos de escassez de recursos, o parque beneficia agora de investimento renovado, criando condições para novas abordagens, maior capacidade operacional e respostas mais eficazes. Nesse contexto, a valorização dos guardas no terreno assume um papel central na consolidação desta nova fase.

Foto: MWA

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