Set 8, 2026 |
A organização francesa François Sommer pretende manter a sua presença no Parque Nacional do Gilé e aguarda a renovação do acordo de co-gestão para o período de 2026 a 2035.
A informação partilhada pelo Parque Nacional do Gilé no momento em que apresentou os dados do Relatório de Actividades 2025 da Fondation François Sommer, instituição que co-gere esta área protegida de 439 mil hectares desde 2007 em parceria com a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).
A mesma fonte indica que o Gilé integra a lista de 162 áreas protegidas consideradas fundamentais para a conservação à escala do continente africano, segundo avaliação da Conservation International e da Nature Africa, esta última ligada à Comissão Europeia. A floresta de miombo do parque fornece recursos vitais, como madeira, alimento e plantas medicinais, a cerca de 18 mil pessoas que vivem na sua periferia.
As populações de grande fauna têm vindo a aumentar de forma progressiva, com 5.733 observações directas de animais registadas em 2025, entre elefantes, gnus, zebras, búfalos, antílopes-sável, cudos e leopardos.
O Parque Nacional do Gilé, situado no nordeste da provincia de Zambézia no distrito de Gilé e distrito de Pebane, alberga actualmente 68 espécies de mamíferos e 228 espécies de aves, resultado de sucessivas reintroduções realizadas em 2012, 2013, 2018 e 2024.
Entre as acções destacadas no relatório está o acompanhamento dos 200 búfalos reintroduzidos em 2024, provenientes da reserva nacional do Marromeu, a 700 quilómetros a sul. Equipados com coleiras GPS, os animais percorreram mais de 30.650 quilómetros dentro do ecossistema do Gilé ao longo de um ano.
No combate à caça furtiva, os 51 fiscais do departamento anti-caça furtiva do parque realizaram 651 patrulhas ao longo do ano, apreenderam 580 armadilhas, desmantelaram 19 acampamentos de caçadores furtivos e efectuaram 25 detenções, segundo o mesmo documento.
O relatório destaca ainda o impacto económico junto das comunidades vizinhas, com a comercialização de 461 toneladas de castanha de caju em 2025 e a produção de mais de 320 quilogramas de mel e 421 quilogramas de cogumelos frescos, actividades apoiadas pela Agência Francesa para o Desenvolvimento como alternativa à caça furtiva e ao corte ilegal de árvores.
O documento relata também a morte de um leão jovem, abatido por agentes policiais junto à comunidade de Nanhope, depois de atacar cabras, um episódio que ilustra os conflitos ainda persistentes entre populações e fauna selvagem na periferia do parque.
O Gilé integra uma rede de 17 áreas de conservação geridas ou supervisionadas pela ANAC em Moçambique, que no total cobrem cerca de 25 por cento do território nacional, segundo o site da própria instituição.
Foto: PNAG




