Set 2, 2025 |
A indústria de safaris de caça na África do Sul encontra-se em crise devido à ausência de quotas de exportação para troféus de elefante, leopardo e rinoceronte-preto há já cinco anos. O impasse está a bloquear expedições avaliadas em cerca de €176 mil (MZN 12,2 milhões).
As contas, feitas pela Wildlife Ranching South Africa (WRSA), associação que representa o sector no país vizinho foram utilizadas para recorrer aos tribunais para forçar uma decisão do Governo Sul Africano, segundo o Money Web.
De acordo com a WRSA, a paralisação já custou uma avultada quantia de dinheiro ao país e à conservação, abrindo espaço para que destinos concorrentes na região atraiam caçadores estrangeiros. Um destes destinos concorrentes é Moçambique, juntamente com Tanzânia, Namíbia ou Zimbabué.
A caça turística representa anualmente cerca de €2,5 mil milhões (MZN 172 mil milhões) para a economia sul-africana, segundo um estudo da Universidade do Noroeste. O bloqueio contraria as políticas defendidas tanto pelo actual ministro do Ambiente, Dion George, como pela sua antecessora, Barbara Creecy, ambos favoráveis ao uso sustentável da biodiversidade.
O departamento governamental do Ambiente limitou-se a dizer que “está a considerar o assunto”, recusando comentar em profundidade devido ao processo judicial em curso. Uma decisão recente do Tribunal Superior, datada de 21 de Julho, obriga o ministério a fornecer registos sobre a avaliação das quotas — obrigação que o Governo contesta, alegando que só tem de cumprir após decidir formalmente sobre o tema.
Os preços praticados na caça de troféus para clientes estrangeiros na África do Sul são elevados: Rinoceronte-preto: até €176 mil (MZN 12,2 milhões) por animal; Elefante: entre €38 mil e €50 mil (MZN 2,6 a 3,5 milhões); ou Leopardo: até €20 mil (MZN 1,4 milhões). Estes valores superam largamente os cobrados nas licenças emitidas por autoridades provinciais, que apenas permitem caçadas locais sem exportação de troféus.
A Convenção das Nações Unidas sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (CITES) autoriza a África do Sul a permitir anualmente a caça de 150 elefantes, 150 leopardos machos e até 0,5% da população nacional de rinoceronte-preto — cerca de dez exemplares.
Foto: good-nature-blog




