Set 1, 2026 |
Um incêndio ateado por caçadores furtivos ameaçou uma toca de chita com crias recém-nascidas na Reserva de Panyame, na província de Tete.
Segundo informou a The Origins Foundation, através de comunicado, as chamas avançaram pela Reserva de Panyame colocando em risco a fêmea conhecida por “Evey” e as suas crias, com apenas 25 dias de vida.
As equipas de campo de Panyame combateram o fogo de forma ininterrupta durante 30 horas, noite e dia, até o conseguirem extinguir por completo, sem que qualquer chita tivesse ficado ferida ou perdido a vida.
De acordo com a The Origins Foundation, os caçadores furtivos ateiam estes incêndios de forma deliberada para abrir caminho à colocação de laços de caça, uma prática que ameaça a fauna em toda a região.
As equipas no terreno classificaram a actual vaga de incêndios como “sem precedentes”. A mesma fonte explica que o uso de coleiras GPS permite às equipas seguir cada chita individualmente e confirmar a sua sobrevivência, os movimentos e o uso do território, uma ferramenta particularmente importante em situações de grande perturbação ambiental como esta.
O fundador e director executivo da Origins Foundation, Robbie Kröger, comentou a situação garantindo que “isto é o que é a conservação. As situações podem mudar muito depressa. Neste momento, a prioridade é perceber onde estão estes animais, garantir que continuamos a conseguir monitorizá-los, e apoiar as pessoas que trabalham no terreno enquanto estes incêndios avançam pela paisagem”.
A reserva ocupa cerca de 210 mil hectares no oeste da província de Tete e alberga a maior população de vida selvagem do oeste de Moçambique. A área enfrenta ameaças constantes como a caça furtiva, a desflorestação ligada à agricultura de corte e queima, a produção de carvão e a pesca ilegal, factores que tornam incêndios desta natureza particularmente perigosos para espécies em processo de recuperação.
O Projecto Chita de Panyame nasceu da maior translocação de chitas já realizada. Dezasseis exemplares foram transportados da África do Sul para Moçambique entre Abril e Maio de 2025, doze dos quais completaram uma viagem por estrada de 53 horas a 14 de Abril desse ano, tendo os restantes quatro chegado um mês depois. Um ano volvido, catorze dos 16 animais sobreviviam, uma taxa de sobrevivência de 87 por cento, e uma fêmea chamada Kazi deu à luz três crias, as primeiras a nascer desta população reintroduzida naquele que os conservacionistas descrevem como o território ancestral da espécie em Moçambique.
A chita está classificada como espécie vulnerável, com menos de 7100 exemplares a sobreviver actualmente em estado selvagem em todo o mundo, de acordo com dados citados pela mesma publicação.
Panyame, juntamente com algumas áreas junto a Parque Nacional do Limpopo e no lado moçambicano de algumas áreas junto ao Kruger e o Delta do Zambeze, é um dos poucos locais em que existe uma população de chitas em Moçambique.
Foto: Panyame Conservancy/The Origins Foundation




