Mai 5, 2026 |
A The Origins Foundation concluiu a libertação da última chita do recinto de aclimatização, or boma, na Panyame Conservancy, localizada na Província de Tete, junto à fronteira com o Zimbabwe.
Conhecida pela equipa de biólogos como Dinokeng, a fêmea foi a última a abandonar a estrutura provisória no vale do Médio Zambeze. O seu processo de adaptação foi mais moroso em comparação com os restantes espécimes da mesma operação de reintrodução que pretende voltar a fixar a espécie em Moçambique.
Como explicam os responsáveis, “a Dinokeng passou a maior parte do tempo na boma porque era apenas uma felina muito, muito nervosa. Nós queríamos muito, muito que ela se acalmasse”.
Equipada com um colar GPS para uma monitorização constante, a felina encontra-se agora a explorar o seu novo habitat. Os dados de telemetria por satélite mostram que, após uma breve passagem a norte, o animal migrou de forma decidida para a extremidade ocidental de Moçambique, fixando-se junto à fronteira com o vizinho Zimbabwe.
Sobre esta fase inicial de reconhecimento territorial, a equipa técnica nota que o grande objectivo é que a fêmea permaneça neste vasto corredor ecológico sem vedações e inicie interacção com os machos já residentes, nomeadamente a coligação The Three Musketeers, e os indivíduos solitários Tripod, Apollo e o macho pioneiro Panyami, o primeiro a surgir no local vindo do Zimbabwe e que inspirou os resposáveis do projecto a reforçar e reintroduzir chitas no lado moçambicano deste ecossistema.
A saída desta última fêmea marca o culminar de uma operação logística e científica altamente complexa e de elevado risco que tem sido acompanhada pela KAMBAKU. Idealizada pelo falecido conservacionista Vincent van der Merwe, a iniciativa começou com a transferência de doze chitas da África do Sul. A jornada épica exigiu mais de cinquenta horas, combinando voos até Tete, transporte terrestre por vias degradadas e uma perigosa travessia fluvial através das águas do Zambeze e do seu afluente Panyame, partilhadas por crocodilos e hipopótamos.
Os felinos, todos em idade reprodutiva, foram instalados em sete recintos robustos para se habituarem a uma área de duzentos e dez mil hectares de natureza selvagem. Este repovoamento ambicioso foi inicialmente motivado pelo surpreendente avistamento de um macho solitário no local no ano de 2023, o que comprovou o potencial da zona, rica em presas naturais como impalas e búfalos.
Todo este esforço é financiado pela The Origins Foundation e enquadra-se no Cheetah Range Expansion Project, o programa continental que sucedeu ao histórico projecto de metapopulação da Endangered Wildlife Trust. Em articulação com a The Metapopulation Initiative e entidades locais como a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), a Mozambique Wildlife Alliance e a Peace Parks Foundation, Moçambique tornou-se um eixo vital. Após o regresso histórico das chitas ao Delta do Zambeze em 2021, a translocação de um total de dezasseis exemplares para Panyame prova a vontade de restaurar ecossistemas inteiros.
Resta agora assegurar que estas pequenas populações readquirem a sua dinâmica natural, recorrendo à gestão genética e à prevenção de conflitos com as comunidades rurais. As savanas de Tete preparam-se, assim, para ser um dos raros bastiões de crescimento demográfico desta espécie ameaçada, devolvendo a velocidade do predador de topo à biodiversidade moçambicana.
Foto: Panyame Conservancy/The Origins Foundation




