Jun 16, 2026 |
A Mozambique Wildlife Alliance criou cinco novas comunidades agrícolas protegidas em apenas num mês, reforçando a segurança alimentar de famílias expostas a elefantes, hipopótamos e búfalos.
As novas áreas abrangem Duco e Chivonguene, no distrito de Magude, e os bairros Guebuza 1, Guebuza 2 e Nhabando, na paisagem de Mágoè, na província de Tete, de acordo com a ONG moçambicana.
Para as famílias que vivem ao lado de elefantes, hipopótamos e búfalos, estas estruturas representam mais do que cercas de protecção. No terreno, traduzem-se em maior segurança para as machambas, menos risco de perda de colheitas durante a noite e melhores condições de estabilidade alimentar.
Segundo a MWA, o processo que conduz à criação de uma Comunidade Agrícola Protegida exige vários meses de preparação, incluindo reuniões comunitárias, planificação, formação e compromisso colectivo, antes mesmo da instalação da primeira estaca.
Com estas novas incorporações, a MWA passa a apoiar 18 Comunidades Agrícolas Protegidas, abrangendo 993 famílias em diferentes pontos de Moçambique.
Em paralelo, na paisagem de Mágoè, 343 membros de nove comunidades receberam formação em prevenção e resposta ao conflito entre seres humanos e fauna bravia. De acordo com os dados divulgados, este foi o maior alcance mensal de acções de formação registado em 2026. As mulheres representaram 42 por cento dos participantes, um indicador que aponta para um papel crescente da participação feminina na protecção dos meios de vida e nos esforços de coexistência.
Os efeitos destas acções começam já a reflectir-se nos registos de incidentes. A MWA indica que os casos de conflito entre pessoas e fauna bravia acompanhados pela organização desceram de 29 em Março para 14 em Abril e 11 em Maio. Maio foi ainda o segundo mês consecutivo sem registo de vítimas mortais humanas associadas a este tipo de conflito, tendo todos os incidentes reportados sido resolvidos com sucesso.
A organização sublinha, no entanto, que estes resultados não decorrem de uma medida isolada, mas sim da combinação de vários factores, entre eles o envolvimento comunitário, as equipas de resposta rápida, a formação e a instalação de infra-estruturas preventivas.
Até ao final de Maio, a MWA acompanhava 74 potenciais locais para futuras Comunidades Agrícolas Protegidas em nove paisagens do país. Deste total, 18 já se encontram operacionais e 50 estão actualmente em fase de avaliação.


Fotos: MWA




