Jun 3, 2025 |
Um novo capítulo na preservação da vida selvagem desenrola-se na Conservação de Panyame, com a libertação bem-sucedida das duas primeiras chitas-fêmeas num ambiente natural, que marca o regresso da espécie à Província de Tete.
Trata-se de um marco importante num esforço contínuo de reintrodução da espécie em território moçambicano. A operação, embora aparentemente simples, foi meticulosamente planeada.
A equipa responsável abriu o portão do recinto de aclimatação (boma), posicionou uma carcaça de animal a curta distância da saída e, em seguida, afastou-se do local, permitindo que os felinos explorassem o seu novo lar em liberdade e sem interferências humanas.
Tal como relata a Panyame Conservancy, a primeira chita não tardou. Pouco depois da partida da equipa, o animal saiu serenamente do boma, alimentou-se durante cerca de vinte minutos e, em passo calmo e confiante, avançou pela estrada em direcção ao mato — uma estreia auspiciosa no seu novo habitat.
A segunda fêmea adoptou uma abordagem mais cautelosa. Após meia hora de espera, deixou finalmente o recinto, arrastando a carcaça para um local mais recatado. Ali se alimentou com tranquilidade antes de desaparecer discretamente entre a vegetação densa da savana.
Ambas as chitas foram equipadas com colares munidos de localizadores GPS, permitindo à equipa de conservação seguir os seus movimentos em permanência. Este sistema garante uma resposta rápida, quer por via terrestre quer aérea, caso surjam sinais de comportamento anómalo ou de perigo.
Nos próximos dias, está prevista a libertação gradual dos restantes espécimes, assinalando o início de uma nova fase de vida selvagem em Panyame. O projecto visa não apenas restaurar populações de chita em Moçambique, mas também fomentar um modelo de convivência sustentável entre o Homem e a natureza.
Este feito reforça a importância das iniciativas de conservação locais e internacionais e deixa antever um futuro mais promissor para a biodiversidade moçambicana.

Fotos: Payane Conservancy




