Skip to main content

Kambaku

Peace Parks reforça resposta humanitária após cheias devastarem áreas de Gaza

Fev 17, 2026 |

A Peace Parks Foundation está a coordenar operações aéreas e logísticas para apoiar milhares de afectados pelas cheias junto a parques nacionais moçambicanos.

As inundações que assolaram os sistemas fluviais do Limpopo, Shingwedzi e Rio dos Elefantes (Olifants River, na África do Sul) provocaram danos de grande escala na província de Gaza, afectando gravemente comunidades situadas dentro e nas imediações do Parque Nacional do Limpopo, do Parque Nacional de Banhine e do Parque Nacional de Zinave.

De acordo com a Peace Parks Foundation (PPF), as avaliações realizadas no terreno, a magnitude destas cheias ultrapassa a das grandes inundações registadas no ano 2000, tendo resultado em destruição extensa de infra-estruturas, perda de culturas agrícolas e isolamento prolongado de numerosas aldeias. Em toda a província de Gaza, mais de 330 mil pessoas foram afectadas.

Na sequência da declaração do estado de emergência pelo Governo moçambicano e do apelo formal à assistência, a Peace Parks Foundation activou uma resposta de emergência em coordenação com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, a Administração Nacional das Áreas de Conservação, autoridades distritais, parceiros do sector privado e doadores internacionais.

Estimativas locais indicam que cerca de 37 mil pessoas nas áreas circundantes aos três parques nacionais poderão estar em situação severa. Apesar da descida gradual das águas, persistem localidades isoladas devido a níveis ainda elevados e à destruição de acessos rodoviários. Em algumas zonas remotas, as equipas da organização permanecem como única presença operacional no terreno.

As acções em curso combinam assistência humanitária imediata, evacuações aéreas e mobilização de recursos logísticos. Até à data, foram realizados 12 voos de evacuação e contabilizadas 77,25 horas de voo, permitindo alcançar 29 aldeias isoladas e apoiar 2.853 famílias com alimentos e bens médicos.

No total, foram já distribuídas 21 toneladas de alimentos e material de emergência. Estão ainda asseguradas 92 toneladas de alimentos secos para distribuição faseada, à medida que as condições de acesso o permitam. Paralelamente, foram encomendadas 80 toneladas de sementes destinadas à replantação urgente das culturas destruídas, numa tentativa de aproveitar a curta janela agrícola ainda disponível este ano.

A prioridade imediata centra-se no fornecimento de alimentos e água potável segura, uma vez que a maioria das famílias perdeu as suas colheitas. O risco de insegurança alimentar prolongada é considerado elevado. Caso a recuperação seja atrasada, poderá aumentar a probabilidade de surtos de cólera e malária nos próximos meses.

As autoridades e parceiros alertam igualmente para o impacto ambiental indirecto da crise. A perda de meios de subsistência poderá intensificar a pressão sobre as áreas protegidas, elevando o risco de caça furtiva, conflitos entre pessoas e vida selvagem e danos ecológicos de longo prazo.

Foto: Reuters

NEWSLETTER DO MUNDO NATURAL

Subscreva a nossa newsletter e receba notícias do mundo natural.