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Kambaku

População de elefantes recupera para 22.718 e mais do que duplica desde 2018

Jul 28, 2026 |

A população de elefantes em Moçambique está actualmente estimada em 22.718 animais, mais do dobro dos 9.114 contabilizados no censo de 2018.

Os números constam do Censo Nacional de Elefantes e de Grandes Mamíferos 2025, cujos resultados foram apresentados em Maputo pela Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC).

De acordo com a BIOFUND, o levantamento registou também uma quebra acentuada do rácio de carcaças de elefante, que passou de 48,35% em 2018 para 4,6% em 2025. A leitura feita pelos técnicos é a de que a mortalidade recente caiu de forma significativa e que a caça furtiva em larga escala perdeu expressão, ainda que se mantenham as pressões sobre os habitats e o risco de conflito entre pessoas e animais selvagens.

O trabalho de campo decorreu entre Setembro e Novembro de 2025 e esteve a cargo do Centro de Estudos de Agricultura e Gestão de Recursos Naturais (CEAGRE), da Faculdade de Agronomia e Engenharia Florestal da Universidade Eduardo Mondlane, sob liderança da ANAC.

O financiamento veio do Governo da Suécia, através da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (SIDA), no âmbito do Programa de Conservação da Biodiversidade coordenado pela BIOFUND, com apoio técnico da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Os resultados foram ainda sujeitos a uma revisão técnica independente.

Para o Director-Geral da ANAC, Pejul Calenga, a subida estimada dos efectivos reflecte o reforço da fiscalização e da cooperação transfronteiriça, mas exige uma gestão mais eficaz da coexistência entre as comunidades e a fauna bravia.

“Este resultado representa uma recuperação histórica da espécie em Moçambique, duplicando a população registada em 2018 e aproximando-nos dos níveis observados em 2008”, afirmou Pejul Calenga.

Além de actualizar a estimativa populacional, o censo produziu informação destinada a orientar a gestão das Áreas de Conservação, reforçar a fiscalização, proteger habitats, melhorar o ordenamento do território e mitigar o conflito entre pessoas e fauna bravia. O exercício identificou igualmente o avanço de assentamentos humanos, agricultura, pecuária, produção de carvão e mineração para zonas até aqui menos afectadas por estas actividades.

Outras espécies de grandes mamíferos apresentam tendências de crescimento ou de estabilidade, entre as quais búfalos, zebras, girafas, hipopótamos, impalas e pivas. Pela primeira vez, a região sul do país concentra a maior fatia da população nacional de elefantes, estimada em cerca de 53%. Os autores do estudo atribuem esta dinâmica não só à reprodução, mas também ao movimento de animais no contexto da Área de Conservação Transfronteiriça do Grande Limpopo e à conectividade ecológica entre Moçambique, África do Sul e Zimbabwe.

O censo foi conduzido por uma equipa multidisciplinar nacional, composta por investigadores, técnicos e especialistas de várias instituições, o que é apontado como um passo relevante no fortalecimento da capacidade científica moçambicana. Sean Nazerali, director de financiamentos inovadores da BIOFUND, sublinha que a monitoria regular é indispensável para medir o retorno dos investimentos feitos na conservação.

“Este censo é muito mais do que uma simples contagem de fauna. É, de facto, um investimento estratégico no conhecimento científico a nível do país. Não se pode gerir eficazmente aquilo que não se conhece”, destacou Sean Nazerali.

Já Samiro Magane, Coordenador do Programa de Conservação da Biodiversidade na BIOFUND, garantiu que “temos que olhar para a fauna bravia não como um problema, mas como um recurso que pode estimular o desenvolvimento do país. Temos aqui uma economia da fauna que ainda está pouco desenvolvida e que tem um grande potencial para alavancar o desenvolvimento do país, a geração de empregos e receitas.”

O seminário que acolheu a apresentação dos resultados recomendou a realização mais frequente de censos, a harmonização das metodologias usadas e o teste de tecnologias como drones, sensores remotos e imagens de alta resolução.

Foto: DR

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