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Kambaku

Sapos moçambicanos são “chave” de novo modelo de previsão ambiental

Out 22, 2024 |

Life on the Edge, um novo instrumento de previsão de alterações climáticas, que combina dados genómicos, geográficos e ambientais foi agora criado por investigadores internacionais. A demonstração é feita em espécies de sapo existentes em Moçambique e noutros países da África Oriental.

O novo modelo permite uma visão mais aprofundada sobre a vulnerabilidade das populações de fauna selvagem face às mudanças globais. Publicado na revista científica Methods in Ecology and Evolution, esta ferramenta inovadora visa ajudar investigadores e profissionais de conservação a compreender e prever como o ambiente em transformação poderá impactar as populações de várias espécies, recorrendo a uma integração eficaz de diferentes tipos de dados.

Para demonstrar a aplicabilidade desta abordagem, os investigadores testaram a ferramenta em três espécies de sapos do leste de África – Afrixalus fornasini, A. delicatus e A. sylvaticus –, para prever a vulnerabilidade das suas populações na Tanzânia, Quénia, Malawi e Moçambique, bem como em duas espécies de morcegos europeus.

Como reporta a Phys.org, os investigadores desenvolveram a ferramenta Life on the Edge para responder a uma das principais lacunas das avaliações tradicionais de vulnerabilidade às alterações climáticas. Estas avaliações tendem a focar-se no nível das espécies como um todo, negligenciando as variações dentro de cada espécie, cujas populações podem ser os primeiros sinais de declínio. O novo modelo oferece uma abordagem mais detalhada, avaliando a vulnerabilidade a nível populacional.

A Life on the Edge utiliza dados genómicos específicos de populações, modelos espaciais e ambientais flexíveis, que podem ser aplicados a qualquer espécie ou região geográfica. As previsões geradas por esta ferramenta ajudam a fornecer informações cruciais para priorizar esforços de conservação e travar o declínio de populações específicas.

Para construir esta ferramenta, os investigadores estabeleceram um conjunto de métricas padronizadas, começando pela previsão da “exposição” de cada população. Esta métrica baseia-se em modelos de distribuição de espécies (SDMs), usando ocorrências conhecidas e alterações previstas nas condições ambientais, tanto actuais como futuras.

Além disso, dados genómicos georreferenciados são utilizados para medir a diversidade genética neutra de cada população (designada por “sensibilidade neutra”) e identificar regiões genómicas envolvidas na adaptação climática, permitindo uma estimativa da “sensibilidade adaptativa” das populações.

Cada uma das métricas oferece uma visão única sobre a vulnerabilidade populacional, que pode depois ser combinada para formar uma medida global de “vulnerabilidade populacional”. Esta medida é essencial para identificar populações que necessitam de acção prioritária em termos de conservação.

O projecto, liderado pelo Centro Alemão para a Investigação Integrativa da Biodiversidade (iDiv), em Leipzig, contou com a participação de uma equipa internacional de cientistas da Europa (Reino Unido, Países Baixos, Alemanha) e Estados Unidos.

Foto: Nature (Afrixalus fornasini)

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