Fev 10, 2025 |
A Simalaha Community Conservancy, localizada na Zâmbia e inserida na vasta área de conservação transfronteiriça Kavango-Zambezi (KAZA TFCA), está a emergir como um exemplo de equilíbrio entre a preservação da vida selvagem e o desenvolvimento sustentável das comunidades locais.
A região de KAZA TFCA, que abrange territórios em cinco países (Angola, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Zimbabué), enfrenta desafios complexos com seca prolongada e aumento das tensões entre comunidades e fauna selvagem. Estes problemas materializam-se em conflitos, nomeadamente com elefantes em busca de alimento que destroem colheitas.
No entanto, Simalaha surge como uma solução promissora, ao criar corredores migratórios para os elefantes e outras espécies, aliviando a pressão sobre ecossistemas sobrecarregados, tal como conta o Finantial Times.
O projeto foi impulsionado por Inyambo Yeta, líder tradicional do povo Lozi, que trabalhou desde 2012 para transformar Simalaha num santuário onde a coexistência entre humanos e fauna selvagem fosse possível.
Com a gestão partilhada entre a comunidade Lozi e a Peace Parks Foundation, a reserva tem sido palco de reintrodução de espécies como puku, elande, palanca-sobrancelha, antílope-negro e girafas.
Recentemente, o turismo começou a desempenhar um papel crucial na sustentabilidade da conservancy. O casal zambiano Gail Kleinschmidt e Doug Evans lançou uma iniciativa pioneira de safaris a cavalo, investindo em quatro tendas luxuosas sobre estacas de madeira e numa manada de 25 cavalos.
Este é, actualmente, o único empreendimento turístico dentro dos 400 km² do santuário de vida selvagem de Simalaha. O projecto atrai visitantes interessados numa experiência autêntica e sustentável, permitindo que explorem a paisagem sem perturbar o ecossistema local.
Com o apoio de mecanismos como o visto KAZA, que facilita a circulação entre os países da região, Simalaha tem potencial para se tornar um modelo replicável de conservação integrada. O projeto demonstra como a colaboração entre comunidades locais, investidores privados e organizações ambientais pode criar soluções sustentáveis para os desafios da conservação em África.
Foto: FT




