Mai 26, 2025 |
No seu relatório anual o Parque Nacional da Gorongosa destaca que recebeu, durante o ano passado, 32 zebras Crawshay, 2 leopardos e 7 hienas provenientes de outras reservas nacionais.
Estes esforços valem o título, atribuído pela National Geographic, de “maior projecto de restauração da vida selvagem no mundo”. Estas operações fazem parte do esforço contínuo de restauração da biodiversidade no fruto da parceria entre o Governo de Moçambique e a Fundação Greg Carr.
No seu relatório anual, o PRG destaca a recuperação ecológica do Parque Nacional da Gorongosa, onde se atingiu o número recorde de 110.513 animais de grande porte, ultrapassando mesmo os registos da década de 1970. O feito assinala a extraordinária recuperação da fauna bravia após décadas de guerra e degradação ambiental.
A dimensão científica também não ficou atrás: foram identificadas mais de 70 novas espécies e o censo bianual revelou um ecossistema em franca expansão. O prestigiado Projecto Paleo-Primata, focado na evolução humana, continuou a atrair académicos e financiamento internacional.
Mas a Gorongosa não é apenas sobre animais. É também sobre pessoas. Com uma abordagem integradora, o PRG afirma-se como um modelo de desenvolvimento sustentável, envolvendo comunidades locais em múltiplas frentes — da agricultura regenerativa à educação, da saúde ao turismo.
A visão do PRG é “um Parque para o Povo”. Prova disso é o investimento contínuo na educação — com mais de 500 crianças em pré-escolas, 119 Clubes de Raparigas activos e 243 novas formações para adultos. As 9 novas escolas resilientes servem agora como centros de ensino e abrigos em situações de catástrofe.
Na saúde, 570 brigadas móveis atenderam mais de 12 mil pessoas em zonas remotas. Foram formados 17 novos agentes comunitários de saúde, e 96 comunidades foram declaradas livres de fecalismo a céu aberto.
O sector agrícola conheceu expansão assinalável: 997 produtores de café colheram 40 toneladas de grão verde, com destaque para o crescimento da participação feminina. O caju cobre já 200 hectares, e foi inaugurada uma moderna fábrica de mel com capacidade para 100 toneladas anuais.
A sustentabilidade económica foi reforçada com a entrega de 54 bombas de água solares, criação de agri-hubs e construção de armazéns comunitários. Cerca de 1.000 agricultores beneficiaram de formação e apoio técnico directo.
O turismo, motor económico do Parque, registou um aumento de mais de 40% nas receitas, permitindo reinvestimentos na conservação e no apoio comunitário. O novo acampamento comunitário na Serra da Gorongosa oferece experiências imersivas em plena floresta tropical. E em 2025, espera-se a estreia do novo documentário da National Geographic, filmado inteiramente por uma equipa moçambicana.
Foto: National Geographic/Gorongosa




