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Kambaku

Concluído levantamento científico para garantir protecção dos recifes de Techobanine

Jun 23, 2026 |

Investigadores concluíram o primeiro inventário abrangente de biodiversidade do sistema de recifes de Techobanine, zona de protecção total no Parque Nacional de Maputo.

O trabalho de campo estabeleceu, pela primeira vez, uma referência científica de âmbito alargado para o maior santuário marinho totalmente protegido do parque. Apesar da sua relevância ecológica, o recife nunca havia sido avaliado na totalidade.

De acordo com a Peace Parks Foundation, a monitorização anterior realizada neste ecossistema que abrange a baía de Maputo até à Ponta do Ouro, limitava-se a um número reduzido de locais e não permitia uma leitura completa do sistema.

O sistema de recifes de Techobanine estende-se por cerca de quinze quilómetros ao longo da fronteira oceânica do parque, numa zona de interdição total de pesca que favorece a regeneração da vida marinha. O levantamento decorreu em quatro fases e em condições de mar exigentes.

As equipas de investigação acumularam mais de cem horas no mar, cartografaram o sistema e mergulharam em 17 pontos de recife, documentando habitats subaquáticos, peixes, nudibrânquios, gastrópodes e megafauna. No total, foram recolhidos mais de 105.000 pontos de dados, realizados 86 transectos bênticos, fotografado o fundo marinho mais de 1.600 vezes e efectuados 94 censos de peixes.

Segundo Marcos Pereira, co-fundador e director da Fundação Likhulu, responsável pela coordenação do levantamento, “o sistema de Recifes de Techobanine estende-se por cerca de quinze quilómetros ao longo da fronteira oceânica do parque. A pesca é proibida nesta zona de protecção total, permitindo que a vida marinha prospere com perturbações mínimas. É um dos maiores sistemas de recifes do sul de Moçambique e suporta uma incrível biodiversidade marinha e processos ecológicos críticos”.

Os resultados revelam uma paisagem subaquática de grande complexidade ecológica. Foram registadas 205 espécies de gastrópodes distribuídas por 45 famílias e 48 espécies de nudibrânquios, incluindo Phestilla viei, documentada pela primeira vez no sul de África.

Cerca de 150 espécies de peixes pelágicos e de recife foram identificadas nos locais estudados. Entre os avistamentos de megafauna contam-se baleias de bossa, golfinhos Indo-Pacíficos, raias manta, tartarugas marinhas e tubarões. A biomassa piscícola manteve-se consistentemente elevada em toda a zona de protecção total, reflectindo os benefícios da conservação a longo prazo.

O sistema de recifes de Techobanine integra a Maputaland Hope Spot, designação atribuída pela Mission Blue em 2024. Neste espaço marinho protegido transfronteiriço, cientistas já documentaram 101 espécies de coral duro e 44 espécies de coral mole, muitas das quais se estima ocorrerem no interior do sistema. A análise preliminar indica ainda que os recifes entre os 14 e os 18 metros de profundidade apresentam maior cobertura coralina e riqueza de espécies do que as secções mais profundas.

Os dados recolhidos alimentam directamente o planeamento da gestão marinha do Parque Nacional de Maputo, apoiando decisões em matéria de zonamento, prioridades de monitorização, fiscalização e protecção a longo prazo da zona interdita. O conjunto de dados constitui igualmente uma plataforma para monitorização ecológica contínua e investigação futura, incluindo o estudo da saúde dos recifes e das espécies marinhas migratórias que dependem desta costa.

O levantamento foi coordenado pela Fundação Likhulu, em parceria com o Parque Nacional de Maputo e investigadores especializados, com o apoio da Sylvia Earle Alliance DBA Mission Blue, da BIOFUND através do Programa de Conservação da Biodiversidade financiado pelo Governo sueco, do Blue Action Fund, da Administração Nacional das Áreas de Conservação de Moçambique e da Peace Parks Foundation.

Screenshot

Foto: White Pearl e Peace Parks Foundation

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