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Kambaku

Corredor Limpopo-Banhine reforçado e PN Maputo ultrapassa 32 mil animais

Jun 9, 2026 |

A Peace Parks prevê um reforço do corredor ecológico Limpopo-Banhine com mais espécies migratórias como elefantes, já detetados por GPS, ou outras espécies migratórias como búfalos, zebras ou leões nómadas.

Estas são algumas das informações que constam do relatório anual da Peace Parks Foundation, enviado à KAMBAKU, e que mostra forte aumento da fauna em Moçambique e consolidação de corredores ecológicos na região sul do país.

O relatório destaca que Moçambique está a consolidar os corredores ecológicos entre Limpopo, Banhine e Zinave, com especial atenção para a ligação entre Banhine e Limpopo. Segundo a Peace Parks Foundation (PPF), elefantes equipados com colares GPS já estão a usar este corredor, sinal de que a conectividade ecológica está a funcionar no terreno. O plano de uso da terra aprovado em Mapai reconhece formalmente esse corredor em território moçambicano.

Moçambique reforçou mesmo, em 2025, a recuperação da vida selvagem em vários parques nacionais, com destaque para os ganhos registados em Maputo, Zinave, Banhine e Limpopo.

Um dos dados mais expressivos do documento é o crescimento da fauna no Parque Nacional de Maputo, onde o número de animais passou de menos de 1.000 em 2006 para mais de 32.800 em 2025.

Esse aumento permitiu já transferir animais excedentários para o Parque Nacional de Banhine, que recebeu em 2025 os primeiros animais reintroduzidos em mais de 50 anos. No total, foram introduzidos 418 animais selvagens, num passo considerado importante para a restauração daquele ecossistema.

No Parque Nacional de Zinave, o reforço da fauna também continua a ganhar dimensão. O parque já recebeu 2.550 animais reintroduzidos, tornou-se o primeiro parque nacional Big Five de Moçambique e recebeu mais 10 rinocerontes-pretos, estabelecendo a primeira população viável da espécie no País em mais de meio século.

Também no Parque Nacional do Limpopo os números mostram recuperação acentuada. A população de elefantes quintuplicou na última década e ultrapassou os 4.600 animais, enquanto os búfalos aumentaram de 1.339 para 6.934.

Na componente social e produtiva, o projecto Restoring African Rangelands teve impacto em mais de 107 mil pessoas no espaço do Grande Limpopo, com efeitos na governação local, meios de subsistência e coexistência com a fauna. Já em Moçambique, o programa Herding for Health cobre 339.233 hectares com melhor gestão, soma 337 empregos verdes e alcança 11.560 beneficiários.

No combate ao tráfico de vida selvagem, o Aeroporto Internacional de Maputo deixou de ser visto como uma rota importante, graças à actuação da unidade K9, modelo que está agora a ser expandido para Nacala e Pemba.

A componente marinha do Parque Nacional de Maputo também registou avanços, com progressos em zonas de não pesca, recuperação da biodiversidade marinha, aquacultura e alternativas de rendimento para comunidades costeiras.

Numa entrevista recente, o Country Manager da Peace Parks, Bartolomeu Soto, resumiu a mudança observada no terreno: “hoje, em muitas das áreas onde trabalhamos, essa relação mudou completamente. As comunidades trabalham lado a lado com os parques nacionais”, diz

Na mesma entrevista, Soto sublinhou o peso do apoio institucional na expansão da conservação em Moçambique uma vez que “esse apoio institucional tornou possível mobilizar financiamento, atrair investidores e alargar o nosso foco para lá dos parques individuais, reforçando a conectividade ecológica entre eles”.

O relatório conclui que Moçambique se afirma como um dos exemplos mais fortes da região em matéria de recuperação da fauna, conservação transfronteiriça e integração entre conservação e desenvolvimento comunitário.

Fotos: peakvisor.com/Peace Parks Foundation

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